Fechamento de passagem pela Rumo mobiliza moradores e vereadores em Cubatão

Empresa instalou barreiras de concreto na Rua Paraíba, no bairro 31 de Março, e houve protestos da comunidade na noite desta terça-feira (9). Vereadores Marcinho, Guilherme do Salão e Rony Martins acompanharam a situação in loco

Fechamento de passagem pela Rumo mobiliza moradores e vereadores em Cubatão

Sandro Thadeu

10.06.2026

Imagens: Divulgação e Reprodução/Instagram

A modernização da malha ferroviária que corta Cubatão transformou-se em motivo de tensão entre moradores, vereadores e a concessionária responsável pela operação dos trilhos. Na noite desta terça-feira (9), dezenas de pessoas participaram de um protesto na Rua Paraíba, no bairro 31 de Março, para protestar contra o fechamento da via que teria sido realizado pela Rumo Logística sem comunicação prévia à comunidade.

O impasse está inserido em um conjunto de intervenções realizadas pela concessionária para viabilizar a duplicação das linhas férreas que cortam o Município. Entre as obras executadas estão a construção de um viaduto na Avenida Henry Borden e o fechamento gradual de acessos utilizados pela população, como as ligações entre as avenidas Joaquim Miguel Couto e Henry Borden. A interdição da Rua Paraíba tornou-se o capítulo mais recente desse processo.

A mobilização da comunidade contou com a presença dos vereadores Marcinho (PSB), Guilherme do Salão (PSB) e Rony Martins (PSD), que criticaram a forma como a intervenção foi conduzida e os impactos causados à população.

Na avaliação dos parlamentares, a obra representa um exemplo de como investimentos em infraestrutura podem gerar benefícios operacionais para a concessionária, mas transferir os custos sociais para os moradores do entorno.

A passagem foi bloqueada após a retirada do asfalto e a instalação de barreiras de concreto do tipo New Jersey, impedindo a circulação de veículos e pedestres. A medida integra o processo de modernização ferroviária, mas provocou indignação entre os moradores por eliminar uma das principais rotas de acesso da região.

"Foi feita uma obra e acabou ficando o ônus para a população de Cubatão aqui no bairro do Costa Muniz", criticou Guilherme.

Além da falta de comunicação prévia, os vereadores apontam que a intervenção afeta diretamente idosos, cadeirantes, gestantes e pessoas com problemas de saúde. Para Rony, a situação compromete um direito básico da população.

"Não podemos aceitar essa irresponsabilidade dessa concessionária, onde dificulta o munícipe que tem por direito de ir e vir. As pessoas estão realmente proibidas de sair de casa ou de ir até a sua residência", afirmou.

Moradores ficaram revoltados com a instalação de barreiras de concreto na Rua Paraíba

Rota de emergência

Além dos transtornos de mobilidade, os moradores afirmam que o fechamento da passagem eliminou a única rota de fuga considerada segura em caso de acidente industrial.

O principal ponto de preocupação, porém, está relacionado à segurança. Os moradores alegam que a passagem interditada seria a única rota de fuga viável em caso de emergência industrial naquela região.

Conforme Marcinho, uma das alternativas de saída leva em direção à Base de Distribuição de Cubatão (Bacub), instalação voltada ao armazenamento e distribuição de combustíveis. Segundo os moradores, em caso de vazamento ou ocorrência industrial, a população não poderia utilizar essa rota para evacuação justamente por estar direcionada à área de risco.

"A maior briga aqui é porque é a única saída de emergência que tem. Se houver qualquer vazamento naquela área, o morador não pode correr em direção ao vazamento. E pela rodovia o acesso é proibido", explicou.

A situação ganha relevância por ocorrer em uma área cercada por instalações industriais de grande porte, o que aumenta a preocupação dos moradores com eventuais acidentes.

Vereadores Guilherme do Salão (PSB), Rony Martins (PSD) e Marcinho (PSB) acompanharam a mobilização da comunidade

Passarela contestada

Como alternativa, a Rumo construiu passarelas para travessia da linha férrea. No entanto, a solução é considerada insuficiente pela comunidade. Os moradores afirmam que o percurso exige longos deslocamentos, tornando inviável a rotina de quem precisa atravessar a linha férrea diversas vezes ao dia.

"Eles fizeram a passarela, mas o morador leva cerca de 20 minutos para subir e outros 20 para descer. Quem precisa levar criança para a escola faz isso várias vezes por dia", argumentou Marcinho.

Outra queixa recorrente da população é a ausência de iluminação adequada nas passarelas. De acordo com os moradores, a situação compromete a segurança das pessoas e torna a travessia mais preocupante no período noturno.

Moradores reclamam das condições e da falta de iluminação das passarelas

Pressão por explicações

Em dezembro do ano passado, uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) foi criada na Câmara para discutir os impactos da intervenção e buscar esclarecimentos da concessionária. Segundo os vereadores, porém, a empresa não compareceu às reuniões convocadas pelo Legislativo. "Foi montada uma CEI, mas a Rumo ignorou todas as reuniões", desabafou Guilherme.

Diante da ausência de respostas da empresa, o relatório final da CEI, concluída em março deste ano, foi encaminhado ao Ministério Público de São Paulo (MPSP). Até o momento, segundo os vereadores, não houve manifestação sobre as medidas que poderão ser adotadas.

Entre os apontamentos encaminhados ao MPSP está a alegação de que a intervenção recebeu anuência dos órgãos públicos sem uma avaliação adequada dos impactos para os moradores da região.

Posição da empresa

A Rumo Logística informou que as obras realizadas em Cubatão têm como objetivo ampliar a segurança da população e melhorar o trânsito na região, em conformidade com as diretrizes do contrato de concessão e com as determinações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e do Ministério dos Transportes.

"A implantação de passarelas e viadutos está associada ao fechamento de passagens em nível, medida adotada para evitar acidentes e proteger pedestres, motoristas e a operação ferroviária. Esse procedimento segue normas regulatórias rígidas determinadas pelo Governo Federal", justificou a concessionária por meio de nota.

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