Flávio Bolsonaro deve congelar aposentadorias. Baixada será bastante afetada
Carlos Ratton/ Rosely Rocha (CUT)

Carlos Ratton/ Rosely Rocha (CUT)
24.04.2026
Foto: Agência Brasil– EBC/Twitter/Câmara dos Deputados
Aposentados e pensionistas não só da Baixada Santista como também de todo o Brasil podem ficar com ‘as barbas de molho’. Segundo divulgou a Folha de São Paulo, os planos de Flávio Bolsonaro, caso dispute as eleições e se torne presidente do Brasil, incluem congelar as aposentadorias e pensões. Ele nega mas à Reportagem da Folha garante que obteve as informações junto a integrantes da equipe e interlocutores de sua pré-campanha.
O plano também é congelar investimentos nas áreas sociais. Ou seja, Flávio Bolsonaro vai penalizar os mais pobres, o que pode acarretar a volta da ‘fila do osso’, situação bem conhecida nos tempos que o pai, Jair Bolsonaro, governou o país, levado de volta ao mapa da fome que, com muito esforço do governo atual, saiu pela segunda vez.
Vale lembrar que a ‘fila do osso’ foi uma referência à busca de pessoas de baixa renda por ossos bovinos doados por açougues, evidenciando a fome e a insegurança alimentar no Brasil, especialmente documentada entre 2021 e 2022. O fenômeno simbolizou a perda de dignidade e a pobreza extrema, onde restos de carne viraram a principal refeição de milhares de brasileiros (as). (Veja o que ocorreu ainda nesta reportagem)
O resultado da proposta, caso o bolsonarista se eleja e a concretize, é uma verdadeiro retrocesso social e um acinte à dignidade humana. Flávio Bolsonaro pretende, segundo a reportagem, fazer com que os benefícios aos quais os brasileiros e brasileiras lutaram a vida inteira para conquistar passem a ser corrigidos apenas pela inflação, sem aumento real. Hoje, aposentadorias, salário mínimo e pisos de saúde e educação podem crescer acima da inflação.

Flávio Bolsonaro quer reeditar governo desastroso do pai
Estrago na Baixada
Segundo dados de beneficiários específicos do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), com projeções confirmadas pelo Censo 2022, a Baixada Santista possui uma das maiores proporções de idosos do Estado de São Paulo, com a população acima de 60 anos representando 17,29% dos habitantes. Dados anteriores estimavam quase 200 mil aposentados e cerca de 338 mil dependentes do INSS, configurando cerca de um em cada cinco moradores da região como beneficiário previdenciário.
Santos é um dos municípios com maior índice de envelhecimento do Brasil, com mais de 25% da população com 60 anos ou mais. Cerca de 19,2% da população de Santos é idosa. Ou seja, o estrago para a economia da cidade e regional é catastrófico.

O Brasil conta com mais de 24,3 milhões de aposentadorias ativas pagas pelo INSS no início de 2026. Esse número representa cerca de 11% da população total do país, com um crescimento superior a 800 mil novos benefícios em um ano. O total debeneficiários (incluindo pensionistas) supera 35 milhões.
De acordo com a reportagem da Folha, aposentadorias e benefícios sociais passariam a ter reajuste apenas pela inflação. Isso inclui benefícios do INSS e o BPC (Benefício de Prestação Continuada). Na prática, haveria congelamento do poder de crescimento desses rendimentos ao longo do tempo.
A proposta prevê separar o reajuste do mínimo pago aos trabalhadores dos benefícios previdenciários. Ou seja, mesmo que o salário mínimo suba acima da inflação, aposentadorias poderiam ficar limitadas à reposição inflacionária.
No caso da saúde e educação, os pisos constitucionais — hoje vinculados a percentuais da arrecadação — deixariam de acompanhar o crescimento da receita. Na prática, os investimentos nessas áreas também ficariam congelados em termos reais.
O objetivo do pacote seria reduzir despesas públicas em cerca de 2% do PIB. A avaliação dentro da equipe ligada ao senador, segundo a Folha, é de que isso ajudaria a sinalizar controle das contas públicas e melhorar a confiança do mercado.

Tempos de Bolsonaro: pele de frango era vendida nos supermercados
Situação catastrófica
Em meados de 2022 – último ano do governo Jair Bolsonaro - a jornalista Rosely Rocha, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), publicou reportagem importante de cenas revoltantes causadas pela fome e pela miséria no Brasil, escancarando a tragédia da desigualdade social no país.
Enquanto os ricos acumulam cada vez mais dinheiro, os pobres estavam cada vez mais pobres, com 33 milhões de pessoas passando fome, e a saída para muitos é disputar com outros miseráveis o lixo dos supermercados ou sobras do que ninguém quer comprar porque é ruim e faz mal à saúde.
Em setembro de 2021, imagens mostravam a população disputando ossos de boi com pequenos restos de carne para comer no Rio de Janeiro. O fotojornalista Onofre Veras, flagrou na Rua do Rezende, no centro da cidade, pessoas disputando os ossos, descartados por um supermercado, que estavam dentro de um caminhão de lixo.
Em Maceió, na capital alagoana, uma ONG que atuava no conjunto Jorge Quintella, bairro do Benedito Bentes, distribuiu doações de ossos de boi e peles de frango, vindas de açougues do mercado público da cidade.

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