Grande Imprensa e Mercado Financeiro: uma parceria eterna para manter o controle

Por Joaquim José da Silva Xavier
16.06.2026
O que seria importante estar no foco da redação, em cada saída de um repórter nas ruas, em cada decisão editorial? Questões sociais urbanas e rurais? Relações trabalhistas? Luta de classes? Crimes ambientais? O que pauta a grande Imprensa atualmente?
A resposta é uma só: o que pauta a grande Imprensa hoje e há anos é o mercado financeiro. O mesmo que pauta a política brasileira há décadas. A Faria Lima decide o que o jornalista escreve e o que o cidadão e a cidadã deve ler, ver e ouvir. E essa dominação decide também como se deve pensar.
Jornalismo independente exige coragem, paciência e uma grande dose de insistência. Três atributos que o marcado financeiro simplesmente abomina porque tudo que ele deseja é uma massa acéfala, consequentemente, acrítica. É a máxima do ‘manda quem pode, obedece quem tem juízo’.
O mercado financeiro tem outro mercado forte como aliado. O do entretenimento. Virou moda colocar influenciadores em tudo, até substituir repórteres esportivos em Copa do Mundo.
O poder público – mais político do que público, diga-se de passagem – também descobriu que pagou, publicou. Ou melhor, pagou, NÂO publicou.
E os grandes donos da mídia também descobriram que precarizar o trabalho jornalístico com baixos salários, pejotizações, e uma redação formada basicamente por jornalistas inexperientes e, boa parte, mal formados, é a fórmula certa para o sucesso empresarial.
Faz tempo que a grande imprensa perdeu a independência (se é que teve algum dia). Faz tempo que deixou de fiscalizar, informar e investigar o poder político-econômico. Olha aí o mercado de novo!
Veículos de comunicação tornaram-se grande agentes financeiros. Apesar de alardearem o contrário, estão pouco se lixando para a estabilidade econômica, o controle da inflação e o livre mercado. Para sobreviver, é preciso estar junto com o sistema.
A Grande Imprensa deveria investigar fraudes, corrupção, monopólios, abusos trabalhistas e impactos ambientais causados por empresas e políticos de plantão. No entanto, quem faz isso hoje são os veículos independentes de verdade, que são obrigados a fazer campanhas virtuais para arrecadar fundos para sobreviver do jornalismo.
O Mercado Financeiro e a Grande Imprensa tem que manter uma parceria eterna, uma aliança estrutural e ideológica para garantir interesses comuns, resultando em uma pauta editorial frequentemente alinhada à agenda do grande capital.
Ambos promovem pautas favoráveis a políticas de austeridade fiscal, reformas estruturais (trabalhista e da previdência) e privatizações. A Grande Imprensa recebe afagos da Faria Lima e essa última garante a estabilidade de investimentos e lucros.
Criaram juntos um time de analistas de mercado e executivos que se intitulam como fontes "neutras" de informação. São bem pagos para manter o patrão mandando e o trabalhador recebendo migalhas se reclamar, com direito a agradecimentos. Tem até apresentador de programa de entretenimento bem pago neste sentido, que critica bolsa família, mas promove bets.
A Grande Imprensa naturaliza visões de mundo liberais e conservadoras como verdades técnicas absolutas, marginalizando pautas sociais ou trabalhistas.
E o ‘case’ de sucesso que promove a falta de consciência de classe é tão forte que motorista de Uber acredita que é empreendedor e trabalhador que não precisa mais de direitos trabalhistas. Boa parte defende que empresário deveria pagar menos impostos que um professor, por exemplo.
Grandes corporações midiáticas não são empresas isoladas, mas partes de conglomerados com investimentos em outros setores da economia, o que por vezes gera conflitos de interesse na apuração e no direcionamento de denúncias e escândalos corporativos e políticos. Têm políticos de estimação.
Enquanto defensores dessa dinâmica argumentam que o alinhamento reflete apenas o pragmatismo e a estabilidade institucional, movimentos sociais, analistas independentes e veículos de mídia progressista criticam o fenômeno, apontando que ele limita a pluralidade de vozes e prejudica o debate sobre a desigualdade social. Eles tem ou não razão?

Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes) foi morto enforcado no dia 21 de abril de 1792. É celebrado como mártir da Independência e herói brasileiro até os dias de hoje

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