Greve da limpeza urbana paralisa serviços em seis cidades da Baixada Santista

16.03.2026

Greve da limpeza urbana paralisa serviços em seis cidades da Baixada Santista

16.03.2026

Sandro Thadeu

Cerca de 3 mil trabalhadores da limpeza urbana vinculados às empresas do Grupo Diniz — Terracom, Terra Santos Ambiental e PG Eco Ambiental — entraram em greve na manhã desta segunda-feira, dia 16, após divergências sobre os valores pagos no Programa de Participação nos Resultados (PPR) referente a 2025.

A paralisação foi decidida em assembleias realizadas nas bases operacionais das empresas. Com isso, os serviços foram interrompidos em seis cidades da Baixada Santista: Bertioga, Cubatão, Guarujá, Praia Grande, Santos e São Vicente.

Em Santos, a Guarda Civil Municipal (GCM) foi acionada para acompanhar a mobilização. Agentes da corporação permaneceram nas imediações e também no interior das dependências da empresa. Essa situação gerou constrangimento entre os empregados e foi criticada pelo Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação, Limpeza Urbana e Áreas Verdes de Santos e Região (Siemaco Baixada Santista).

Valores muito abaixo do esperado

Como publicado no último sábado pelos Inconfidentes, o presidente da entidade sindical, André Domingues, o Fuzil, afirmou que os valores do PPR 2025 depositados nas contas dos trabalhadores ficaram muito abaixo do esperado.

Segundo ele, em diversos casos, o montante depositado foi considerado irrisório, o que provocou forte indignação entre os funcionários, devido à falta de clareza na apresentação dos critérios utilizados para o cálculo das metas e dos pagamentos.

Na avaliação do sindicalista, há uma desconexão entre os resultados financeiros da empresa e a valorização dos trabalhadores responsáveis pelos serviços operacionais.

“O PPR veio com valor abaixo do esperado e a empresa não explica o porquê. Os companheiros estão revoltados e com razão. Eles trabalham dia e noite, sob chuva e sol. A empresa teve lucros exuberantes e tem condições de bancar shows, corridas e eventos em todas as cidades, mas não paga um PPR justo”, destacou.

A Reportagem pediu um posicionamento ao grupo empresarial. Assim que receber a resposta, ela será publicada neste espaço.

Greve contestada

O grupo empresarial informou que ingressou com uma ação judicial no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) para que os empregados voltem às atividades, por entender que o movimento paredista é ilegítimo, não respeitando os requisitos previstos na Lei de Greve (Lei nº 7.783/1989) no que diz respeito à paralisação de serviços essenciais, como o prazo mínimo de comunicação e a garantia de manutenção das atividades indispensáveis à população.

"A limpeza urbana é um serviço essencial, diretamente relacionado à saúde pública e ao bem-estar coletivo. A interrupção dessas atividades pode provocar prejuízos sanitários graves nas cidades", justificou.

A empresa mencionou, ainda, que os pagamentos do PPR de 2025 foram regularmente efetuados na última sexta-feira, dia 13. "O modelo de apuração dos resultados é aplicado desde 2014 e foi amplamente apresentado em reunião realizada no dia 10 de março, quando as empresas detalharam novamente os cálculos e indicadores utilizados pela direção do Siemaco Baixada Santista.

Contestação

A entidade sindical enviou uma nota para rebater as informações da Terracom e explicou que a mobilização da categoria não surgiu de forma arbitrária ou ilegítima, mas como resultado da insatisfação dos trabalhadores diante de questionamentos sobre os valores pagos a título de PPR.

"O Siemaco Baixada Santista sempre buscou o diálogo e a negociação como caminhos prioritários para a resolução de conflitos. Antes de qualquer mobilização, o sindicato realizou reuniões e apresentou questionamentos às empresas, justamente para garantir que os direitos da categoria fossem respeitados e devidamente esclarecidos", informou.

Por reconhecer a importância do serviço essencial desenvolvido nas cidades, o sindicato destacou que defende condições dignas, respeito aos acordos coletivos e transparência nos pagamentos realizados à categoria.

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