Guarujá: ‘língua negra’ também atinge praia das Astúrias
Carlos Ratton

Carlos Ratton
14.02.2026
Foto: Reprodução
O Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (GAEMA), do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), deverá ter mais trabalho caso resolva investigar a quantidade de “línguas negras” espalhadas pelas praias de Guarujá. Além do Tombo, imagens enviadas aos Inconfidentes, nessa véspera de Carnaval, mostram uma língua negra na Praia das Astúrias – uma das mais frequentadas do Município.
Língua negra é um fenômeno de contaminação visível, onde uma mistura escura de esgoto, lixo e sedimentos flui das galerias de drenagem de águas pluviais para o mar. Ocorre frequentemente após chuvas intensas, trazendo mau cheiro e poluição. Não vem chovendo muito nos últimos dias e, pelo vídeo enviado, tudo indica que a água suja seja oriunda de prédios da orla.
No tombo, a atuação vigilante da sociedade civil trouxe resultados imediatos para a preservação. O Gaema instaurou inquérito civil para apurar suposto despejo de esgoto na rede de drenagem pluvial que desemboca em uma faixa de areia nas imediações do Forte dos Andradas, no local conhecido como ponta de Monduba, ao sul da ilha de Santo Amaro. O local possui uma placa de alerta que não seria esgoto, mas água pluvial
O selo Bandeira Azul é uma certificação internacional voluntária concedida a praias, marinas e embarcações que cumprem altos padrões de gestão ambiental, qualidade da água, educação ambiental, segurança e serviços. Reconhecido mundialmente, o prêmio exige monitoramento contínuo e renovação anual, garantindo sustentabilidade, infraestrutura de qualidade e acessibilidade para turistas.
A decisão do GAEMA ocorreu após denúncia protocolada pela Associação Guarujá Viva – ÁGUA VIVA. Na ocasião, a entidade, presidida pelo engenheiro José Manoel Ferreira Gonçalves, apresentou vídeos e evidências de efluentes a céu aberto escoando em direção ao mar, colocando em risco a balneabilidade e a saúde pública em uma das praias mais prestigiadas do país.
No despacho assinado pela Promotora de Justiça Flávia Maria Gonçalves, o Ministério Público confirmou a gravidade da situação. Vistorias preliminares realizadas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) e pela Prefeitura de Guarujá, motivadas pela denúncia, identificaram uma ligação clandestina em um hotel localizado nas imediações.
Com a instauração do inquérito, a promotora determinou que a Sabesp realize nova vistoria técnica para confirmar a origem do esgoto e avaliar riscos à saúde pública, que a Prefeitura de Guarujá envie mapas da rede de drenagem e esclarecimentos sobre a fiscalização e autuação do imóvel e que o hotel comprove, em 15 dias, a regularidade de sua conexão com a rede de esgoto pública.

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