Guarujá ou o marketing que mata
Guarujá ou o marketing que mata Por José Manoel Ferreira Gonçalves

Guarujá ou o marketing que mata
Por José Manoel Ferreira Gonçalves
Ficção nas Areias Paulistas
Inegavelmente, o abismo entre o marketing governamental e a realidade crua da segurança e salvamento nas praias de Guarujá atingiu um ponto de ruptura insustentável.
O governo estadual e a prefeitura investem pesado em narrativa, mas esquecem o básico necessário para preservar a vida. Enquanto as peças publicitárias exibem drones e treinamentos de elite, quem frequenta a orla enfrenta o abandono sistêmico. Essa discrepância não configura apenas um erro de comunicação, mas uma negligência deliberada que transforma o lazer em tragédia anunciada.
O Perigo da Tecnologia Avançada Inovação
Esta semana, por volta das 12h30, presenciei o colapso dessa estrutura na Praia das Astúrias. Uma forte corrente de retorno arrastou banhistas para o fundo, revelando um despreparo técnico e operacional que beira o criminoso. Em contrapartida aos números oficiais que prometem 108 profissionais para a temporada, a extensão enorme de areia contava com apenas três guarda-vidas. Essa distribuição rala impediu que os agentes percebessem o sinal de socorro prontamente, deixando as vítimas à mercê da própria sorte em um momento crítico.
Caos na Praia das Astúrias
Ademais, as falhas de equipamento e comunicação agravaram o cenário de horror. O rádio de comunicação entre o posto central e o guarda-vidas na água simplesmente falhou no momento do resgate. Não basta estampar o selo de Tecnologia Avançada Inovação em drones se o rádio do guarda-vidas não funciona. Por esse motivo, uma guarda-vidas de folga precisou correr fisicamente até outro posto para pedir reforço, um atraso inaceitável em situações onde cada segundo conta. Além disso, o agente de serviço entrou no mar sem qualquer prancha de salvamento, demonstrando uma precariedade técnica assustadora.
A Falha da Tecnologia Avançada Inovação
Surpreendentemente, o resgate só obteve sucesso devido à bravura de um banhista civil, que arriscou a própria vida para salvar os outros. O guarda-vidas presente, um funcionário temporário treinado pela PM, demonstrou total falta de preparo emocional e técnico para
gerenciar a crise. Embora o curso de formação preveja 122 horas de carga horária e técnicas de ressuscitação cardiopulmonar (RCP), a prática revelou um profissional aparentemente selecionado apenas pelo vigor físico. Sem equipamentos básicos como o Desfibrilador Externo Automático (DEA) ou suporte de primeiros socorros adequado, a vida humana torna-se secundária diante da agenda fiscal do governo.
O Preço do Amadorismo Institucional
Portanto, a sociedade não pode mais aceitar que a gestão pública trate o salvamento marítimo como um palco para propaganda política. O cenário presenciado nas Astúrias exige uma denúncia formal ao Ministério Público para apurar a falta de equipamentos e o déficit de contingente. A vida das pessoas vale muito mais do que drones que servem apenas para fotografias de campanha. Consequentemente, precisamos exigir que o treinamento de 122 horas e o uso de tecnologias sejam reais, eficazes e presentes no dia a dia da orla, e não apenas peças de ficção publicitária.
José Manoel Ferreira Gonçalves é engenheiro, advogado e jornalista

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