Guarujá: Prefeitura abandona base e não permite uso social pela comunidade

Passaram-se anos e nem a população caiçara consegue dar um destino útil à base

Guarujá: Prefeitura abandona base e não permite uso social pela comunidade

Carlos Ratton

28.07.2026

Fotos: Instituto Gremar/Tony Valentte

Um exemplo típico de desperdício de dinheiro e de falta de sensibilidade social. Há praticamente 13 anos, a Base de Monitoramento Ambiental, localizada no quilômetro 13,5 da Rodovia Ariovaldo de Almeida Vianna SP-61, conhecida como Estrada Guarujá-Bertioga, às margens do Canal de Bertioga, se encontra abandonada.

O equipamento que tinha, como ideia inicial, servir de base para que técnicos ambientais e estudantes universitários desenvolvessem estudos marinhos (manguezais) e sobre a biodiversidade da Mata Atlântica da região, pouco foi usado para esse fim.

Passaram-se anos e nem a população caiçara consegue dar um destino útil à base, apesar de inúmeras tentativas junto à Administração Municipal, oferecendo-se para nela iniciar e desenvolver projetos, cursos e atividades pesqueiras que proporcionem meios de sobrevivência, conforme já publicado inúmeras vezes pela Imprensa.       

“Queremos utilizar o espaço territorial, a parte seca onde tem uma infraestrutura em bom estado, como centro de referência de uso compartilhado para apoio as nossas comunidades ribeirinhas de familiares de pescadores e descendentes de quilombolas que vivem às margens do canal de Bertioga”, reclama O líder comunitário e presidente da Associação dos Moradores e Amigos da Cachoeira Sidnei Bibiano Silva dos Santos.

Bibiano acredita que projetos sociais, culturais, atendimento em clínica médica em apoio à Unidade de Saúde da Família (USAFA) do Perequê uma vez por semana e outras atividades poderiam ser desenvolvidas no local, que também poderia sediar um centro comunitário com diversas prestação de serviços da própria Prefeitura de Guarujá, para atender crianças, adolescentes e idosos.

Até uma horta comunitária. Ideias não faltam para ocuparmos este espaço. No entanto, apesar de inúmeros pedidos feitos ano após ano, o espaço permanece ocioso sem função social”, lembra o líder comunitário. 

MPSP

Vale lembrar que o processo é acompanhado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP/SP), por meio do Grupo de Atuação Regionalizada de Defesa do Meio Ambiente (Gaema). Anos atrás, a Base foi montada para ser um laboratório estuarino e centro de triagem de animais marinhos, mas a Administração nunca conseguiu que o objetivo fosse alcançado, inclusive o da casa flutuante que, segundo caiçaras e mergulhadores que frequentam as imediações, por falta de zeladoria, está em situação precária, correndo risco até de afundar.

A Base Ambiental – construída em área da União e com recursos públicos – chegou a ser cedida a um instituto que nada tinha a ver com preservação ambiental, mas venceu uma licitação pública. Uma das edificações até servia como uma fábrica de chocolate, e outra foi cedida para gravações de audiovisual para programas não-governamentais.

A responsável pelo instituto chegou a informar que o espaço estava sendo utilizado para o desenvolvimento de um projeto social e que a matéria prima (cacau) era recolhido por famílias ribeirinhas da Amazônia e transformado na fábrica por famílias da Serra do Guararú (Guarujá).

No entanto, foi descoberto que somente nove pessoas trabalhavam na fábrica de chocolate, sendo oito do Perequê e só uma das imediações. Todos ganhavam por produção.

Também que os principais consumidores eram moradores dos loteamentos de luxo próximos – Iporanga, São Pedro, Tijucopava e Itaguaí – empresários e pessoas de classe alta da capital paulista.

A Base nasceu em 2013, no governo da prefeita Maria Antonieta de Brito (MDB), com objetivo de fomentar o desenvolvimento sustentável. Na época, abrigou a Casa Flutuante Aratu, da Semam, uma parceria da Prefeitura, Ministério Público Estadual e iniciativa privada.

O equipamento, que chegou a vislumbrar um laboratório de monitoramento ambiental, somou investimentos na ordem de R$ 1,1 milhão em equipamentos e instalações em função de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), assinado entre o MPSP, que também gerou a reforma do píer com subsídios da empresa Phoenix.

Por estar em uma área de mangue e na Mata Atlântica da Serra do Guararú, o local era um imenso laboratório a céu aberto, onde não só os alunos da rede municipal de ensino, mas também estudantes universitários e pesquisadores desenvolviam trabalhos e pesquisas.

No local, além dos laboratórios para pesquisa e análise dos índices da balneabilidade da água do mar, também funcionou a Base de Fiscalização Grupamento Ambiental da Guarda Municipal. Vale lembrar que ainda foram instalados tanques (de diferentes tamanhos) para a recuperação de animais marinhos.

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