História de São Paulo é recontada sob a ótica da morte e do Cemitério da Consolação em novo curso

História de São Paulo é recontada sob a ótica da morte e do Cemitério da Consolação em novo curso

Por Cidinha Santos

30.06.2026

Foto: Divulgação

Olhar para a história de uma metrópole a partir de seus mortos e da forma como a sociedade escolheu sepultá-los é a provocação central do curso “Viver e Morrer em SP: uma história de São Paulo a partir do Cemitério da Consolação”, conduzido pelo historiador Lindener Pareto.

O projeto propõe uma análise profunda das transformações sociais, culturais, sanitárias e urbanísticas da capital paulistana nos séculos XIX e XX, utilizando a criação do primeiro cemitério público da cidade como fio condutor para entender a evolução da antiga vila rumo à metrópole.

O curso será conduzido pelo professor Lindener Pareto, comunicador, historiador e doutor em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo pela Universidade de São Paulo, conhecido por seu trabalho de divulgação no projeto de História Pública Provocação Histórica e na supervisão acadêmica do Instituto Conhecimento Liberta (ICL-pós).

Segundo o pesquisador, a morte não deve ser encarada apenas como um evento biológico, mas sim como uma construção histórica e cultural. Investigar o Cemitério da Consolação, portanto, significa ler a história de São Paulo escrita em pedra, bronze e disputas sociais.

A programação foi estruturada para conectar a teoria sociológica e histórica à prática de campo, dividindo-se em três encontros fundamentais.

A primeira aula teórica, marcada para o dia 16 de julho, trará uma introdução à história das sensibilidades no Ocidente, inspirada em autores como Philippe Ariès, abordando a transição da chamada morte domada medieval para as preocupações higienistas que expulsaram os cemitérios para fora dos muros das cidades europeias.

No segundo encontro, que ocorre no dia 23 de julho, o foco se desloca para o crescimento vertiginoso de São Paulo no século XIX, debatendo o movimento higienista e os embates políticos e sanitários que culminaram na fundação do Cemitério da Consolação no ano de 1858.

O encerramento do projeto acontece no dia 1º de agosto com uma imersão prática na necrópole, encarada como um verdadeiro museu a céu aberto e documento histórico vivo.

Durante a visita monitorada, que terá início às 10h, o grupo analisará o imponente pórtico projetado por Ramos de Azevedo e cruzará os caminhos da elite cafeeira, do modernismo e da política nacional.

O roteiro de campo inclui paradas no monumental Mausoléu Matarazzo, considerado o maior da América Latina, e nas sepulturas de grandes personalidades da história e da cultura brasileira, como Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Luiz Gama, Monteiro Lobato, Washington Luís e a Marquesa de Santos.

Ao final do percurso, os participantes farão uma reflexão coletiva sobre o direito à memória, questionando quem a história oficial escolhe lembrar e quem é esquecido.

As aulas teóricas serão realizadas das 19h às 20h30 no Espaço Cult, localizado na Praça Santo Agostinho, número 70, décimo andar, no bairro da Aclimação, em São Paulo. As inscrições para o evento já estão abertas e podem ser realizadas por meio da plataforma Sympla.

Para a aula prática no Cemitério da Consolação, situado na Rua da Consolação, número 1660, a organização recomenda que as pessoas participantes utilizem roupas e calçados confortáveis para caminhada, levem água, protetor solar e repelente, além de lembrarem da importância de manter o silêncio e a discrição necessários ao ambiente cemiterial ativo.

Cidinha Santos é jornalista e assessora de imprensa

 

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