Infrações ambientais: Minas Gerais é o mau exemplo brasileiro. São Paulo é o segundo

No recorte por estados, Minas Gerais lidera com ampla vantagem, somando 365 mil processos ambientais no período analisado. Em seguida aparecem São Paulo com 26 mil denúncias

Infrações ambientais: Minas Gerais é o mau exemplo brasileiro. São Paulo é o segundo

Da Reportagem/ Antonio Anselmo/ @criativos.pr

20.05.2026

Foto Divulgação Magnific.jpg/Agência Brasil/Senado Federal

Com a chegada do ‘Junho Verde’ e a proximidade do Dia Mundial do Meio Ambiente (05 de junho), autoridades acenderam o alerta sobre o avanço das infrações ambientais no Brasil. O balanço final de 2025 fechou com um crescimento recorde de 868% no volume de denúncias ambientais registradas, segundo apuração do Escavador.

No comparativo entre as regiões, a análise do Escavador mostra que o sudeste do país concentra a maior parte das ocorrências ambientais entre 2023 e 2026, com forte participação impulsionada por Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

A região soma 400 mil processos ambientais, consolidando-se como a principal área de registros no país. Em seguida aparecem o Centro-Oeste, com 27 mil denúncias; o Norte, com 18 mil; a região Sul, com 17 mil processos ambientais; e o Nordeste com 14 mil denúncias.

Minas Gerais

No recorte por estados, Minas Gerais lidera com ampla vantagem, somando 365 mil processos ambientais no período analisado. Em seguida aparecem São Paulo com 26 mil denúncias, dando continuidade com Mato Grosso (22 mil), Pará (7 mil) e Rio de Janeiro (7 mil), compondo o topo do ranking nacional.

Para se ter uma noção da disparidade, Minas Gerais concentrou um volume muito superior aos demais estados, enquanto unidades como Piauí, com 261 registros, e Rio Grande do Norte, com 453, aparecem entre os menores volumes do país.

Os dados foram divulgados pela plataforma quarta-feira, 13 de maio, após o país registrar 367 mil denúncias ambientais somente no ano passado. Um comparativo entre o mesmo período, no ano de 2024, indica uma escalada de 10 vezes mais crimes contra o meio ambiente, período em que foram notificados cerca de 37 mil processos.

Em meio à vasta extensão territorial brasileira, que soma cerca de 851 milhões de hectares, segundo o IBGE, a destruição dos biomas brasileiros como a Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal, Pampas e Amazônia soma-se às preocupações com licenças ambientais, minerações, agrotóxicos, poluição, saneamento, reservas legais, gestão de florestas, cadastro ambiental rural e áreas de preservação; listadas entre as 25 categorias analisadas pela plataforma de dados jurídicos.

2026

A herança do ano passado, no entanto, não se repetiu até o segundo trimestre de 2026. Entre os meses de janeiro a maio, foram registradas cerca de 21,9 mil denúncias ambientais no país, número significativamente inferior ao observado no mesmo período de 2025, quando o acumulado ultrapassou 90,8 mil processos, com abril acima de 12 mil casos e maio passando dos 68 mil casos, pela primeira vez em três anos.

De acordo com a análise mensal do Escavador, a mudança mais brusca no volume de processos começou a ser percebida a partir de maio (2025), quando os registros saltaram para 68 mil denúncias, alcançando o pico em junho, com mais de 134 mil casos.

Nos meses seguintes, entre julho e setembro, os índices permaneceram elevados, variando entre 25 mil e 53 mil processos, antes de iniciarem uma desaceleração gradual no último trimestre do ano.

Para a Coordenadora Jurídica e DPO da plataforma Escavador, Dalila Pinheiro, a forte oscilação no volume de denúncias ambientais no Brasil entre 2023 e 2026 reforça a importância do monitoramento de infrações ambientais e da evolução dos mecanismos de fiscalização no país.

Para Dalila, o fenômeno ambiental no estado de Minas é também um dos motivos do alto número de denúncias. “E m estados como Minas Gerais, a concentração de atividades ligadas à mineração, ao uso do solo e à exploração de recursos naturais ajuda a explicar parte do volume expressivo de denúncias registradas. Além disso, a presença de grandes polos industriais e de infraestrutura aumenta a pressão sobre áreas ambientalmente sensíveis, o que influenciou diretamente o número de ocorrências no estado”, comenta.

Ainda segundo Dalila, o número de denúncias reforça a crescente conscientização ambiental no Brasil. “O aumento da visibilidade das questões ambientais tem ampliado a capacidade de denúncia e de fiscalização social, começando pelo estado de Minas. Isso significa um cenário mais ativo de monitoramento, tanto por parte da sociedade quanto das instituições públicas”, conclui a Coordenadora Jurídica do Escavador.

“A preocupação, neste momento, é compreender a volatilidade dos registros ambientais ao longo dos últimos anos. No entanto, a alternância entre picos e quedas no volume de denúncias pode indicar tanto maior capacidade de detecção quanto mudanças no comportamento das infrações e da fiscalização ambiental no país”, explica Dalila.

Confira a lista de denúncias ambientais por estado (2023 a 2026):

Minas Gerais (MG) – 365.293

São Paulo (SP) – 26.433

Mato Grosso (MT) – 22.633

Pará (PA) – 7.974

Rio de Janeiro (RJ) – 7.684

Santa Catarina (SC) – 7.667

Bahia (BA) – 7.107

Paraná (PR) – 5.739

Espírito Santo (ES) – 4.397

Amazonas (AM) – 4.335

Rio Grande do Sul (RS) – 3.758

Rondônia (RO) – 3.090

Goiás (GO) – 2.308

Maranhão (MA) – 1.790

Mato Grosso do Sul (MS) – 1.658

Alagoas (AL) – 1.383

Ceará (CE) – 1.269

Distrito Federal (DF) – 1.122

Acre (AC) – 928

Tocantins (TO) – 924

Sergipe (SE) – 907

Paraíba (PB) – 829

Roraima (RR) – 779

Pernambuco (PE) – 768

Amapá (AP) – 465

Rio Grande do Norte (RN) – 453

Piauí (PI) – 261

Distribuição de casos por região:

Sudeste – 403.807

Centro-Oeste – 27.721

Norte – 18.495

Sul – 17.164

Nordeste – 14.767

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