Juiz solta cinco membros da Torcida Jovem do Santos presos em Santa Catarina

02.02.2026

Juiz solta cinco membros da Torcida Jovem do Santos presos em Santa Catarina

02.02.2026

Eduardo Velozo Fuccia/Vade News

Imagens: Reprodução/NDTV

Cinco integrantes da Torcida Jovem do Santos (TJS) denunciados sob a acusação de roubo durante confronto entre torcedores do Santos FC e do Sport Club Internacional, na BR-101, no trecho do município de Itapema, no litoral catarinense, tiveram a prisão preventiva revogada no final da tarde de sexta-feira (30).

O juiz Marcelo Trevisan Tambosi, da Vara Criminal de Itapema, acolheu pedido da defesa dos santistas, no sentido de que não mais subsistem os fundamentos da prisão preventiva, sendo a eventual imposição de medidas cautelares suficiente para assegurar o regular andamento do processo.

Os advogados Mário Badures, Nadyne dos Santos Fernandes e João Carlos Pereira Filho alegaram que os clientes comprovaram possuir residência fixa. Desse modo, podem ser facilmente localizados e intimados para os atos processuais, aos quais se comprometem a comparecer, cientes do risco de revogação da benesse na hipótese de descumprimento.

Advogado Mário Badures

“Considerando que não se encontram mais presentes os requisitos que autorizam a manutenção da prisão preventiva (garantia da ordem pública, regular instrução criminal e/ou assegurar a aplicação da lei penal), entendo possível sua substituição por medidas cautelares diversas da prisão”, decidiu o julgador, ao deferir o pedido defensivo.

Em contrapartida à concessão da liberdade provisória, o magistrado impôs aos réus o pagamento de fiança de três salários mínimos para cada um (R$ 4.863,00), a obrigação de comunicar previamente o juízo sobre eventual mudança de telefone ou endereço e o compromisso de comparecimento aos atos do processo para os quais forem intimados.

Guerra na pista

Os réus negam o cometimento do roubo. Um deles é Jefferson Cardoso Spósito Silvano, presidente da TJS. Em sete ônibus fretados, os integrantes da torcida organizada retornavam de Caxias do Sul (RS), onde o Santos ganhou de 3 a 0 do Juventude, na noite de 3 de dezembro de 2025, pelo Campeonato Brasileiro.

Na manhã do dia seguinte, a caravana santista cruzou com um ônibus de torcedores do Internacional, que havia perdido na véspera para o São Paulo por 3 a 0. Curiosamente, a equipe paulista mandou o jogo na Vila Belmiro, estádio do Santos. Em sentido oposto da rodovia, os gaúchos regressavam para Porto Alegre (RS).

O pedido de liberdade dos santistas foi feito pela defesa ao apresentar a sua resposta à acusação formulada pelo promotor Leonardo Silveira de Souza. Segundo o representante do Ministério Público (MP), mediante grave ameaça e emprego de violência, os réus roubaram tambores, faixas e uniformes da torcida do Inter, além de objetos pessoais.

O MP citou na denúncia que os acusados portavam pedras, rojões, barras de ferro, madeira, outros instrumentos e, inclusive, uma arma de fogo. Porém, este armamento não foi apreendido e nem vinculado a qualquer um dos réus. A resposta assinada por Badures e pelos demais advogados rebate a denúncia, classificando-a de “genérica”.

Conforme a peça defensiva, houve um encontro ocasional de torcidas, enfrentamento recíproco e falha da segurança pública, porque a Polícia Militar não escoltava as caravanas naquele trecho urbano da rodovia. Segundo ela, havia cerca de 300 torcedores e os cinco réus foram denunciados sem terem as suas condutas individualizadas.

Como preliminar à revogação da prisão, os advogados pleitearam na resposta à acusação a sumária improcedência da ação penal, porque o MP não estabeleceu a responsabilidade de cada réu. “A imputação fática se mostra muito distante da realidade, quadro esse que demonstra claramente a carência e a falência probatória”, argumentou a defesa.

Armado no teto


Filmagem juntada aos autos e que repercutiu na mídia mostra um torcedor do Inter empunhando aparentemente uma arma de fogo no teto do ônibus que transportava a caravana do time gaúcho. Ele chegou a apontá-la na direção dos santistas que se aproximavam do coletivo.
Badures requereu ao juiz a expedição de ofício à Polícia Civil para ela identificar o torcedor do Inter que aparece no vídeo supostamente armado em cima do ônibus. Segundo o advogado, esse desconhecido ainda atirou na direção dos integrantes da Torcida Jovem e acirrou o confronto, que evoluiu diante da falta de policiamento.
Tambosi avaliou que há indícios de autoria e materialidade suficientes para justificar o prosseguimento da ação penal. Porém, ressalvou que a efetiva caracterização dos delitos será devidamente analisada após a instrução. O juiz marcou audiência para o dia 8 de março. Os réus pagaram a fiança e já foram soltos do presídio de Itapema.

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