Leitores de Os Inconfidentes enviam fotos mostrando que água suja atinge todos os bairros de Santos (SP)
Foram enviadas fotos e depoimentos de moradores de diversos bairros de Santos

Carlos Ratton
04.07.2026
Foto: Carlos Ratton/Divulgação/Reprodução
A situação exposta na última sessão na Câmara de Vereadores, antes do recesso, pela vereadora Débora Camilo (PSOL), dando conta que os moradores da Vila Pantanal, região do bairro do Saboó, em Santos (SP), estão recebendo e pagando por água suja, quando deveria ser tratada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), principalmente após a privatização conduzida pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), com apoio dos 95% dos deputados estaduais e federais da Baixada Santista, pode ser considerada apenas a ‘ponta do iceberg’.
Após reportagem https://www.osinconfidentes.com.br/noticia/santos-sp-moradores-da-vila-pantanal-pagam-e-recebem-agua-suja-apos-privatizacao-da-sabesp), Os Inconfidentes receberam fotos e depoimentos de moradores de diversos bairros de Santos explicando que a água que sai das torneiras está longe de ser consumida há anos, mesmo antes da privatização. Portanto, o serviço oferecido pela Sabesp privatizada é praticamente é o mesmo de quando ela era estatal.
“Essa questão não ocorre somente por conta da privatização. Por anos e anos, vimos políticos aqui da região, inclusive com cargos na Sabesp após saírem de seus mandatos, que nada fizeram para corrigir o problema da água suja que atinge os bairros santistas há anos. Aqui na Vila Mathias, por exemplo, a água suja virou rotina. Se a vereadora sair por aí olhando, vai ver que a cidade inteira usa água suja. Meu filtro aqui que é pra saturar em seis meses, saturou em três”, disse o radialista Marcelo Medrado, enviando a foto (abaixo).

Marcelo Medrado
Medrado é da opinião que tudo é fruto da falta de planejamento entre a Sabesp e o poder público, envolvendo obras sem rever as tubulações sob o solo e ausência de fiscalização. “Falo de ramais que têm pelo menos 60 anos. Todas as ruas vivem afundando. Foram pavimentadas sobre paralelepípedos pelas prefeituras sem rever a tubulação de água e esgoto. A falta de planejamento e comunicação entre município e Estado são imensas. Ninguém conversa com ninguém. Por isso, quando a Sabesp vai mexer em algum local é comum estourar tubulação de gás e outras. Não se olha o que existe por baixo. A discussão tem que ser muito maior”, comenta Medrado.
Um guarda municipal, que prefere não se identificar, também enviou imagens da água das residências próxima à Avenida Afonso Pena, uma das mais extensas de Santos, na região do bairro do Estuário. Os vídeos foram feitos às 11 e às 13 horas. “Todo dia a situação é a mesma. Tenho que comprar filtros por conta da sujeira na minha caixa d’água. Também está passando mais ardo que água”, explica o trabalhador.
Na garrafa
Ao segurar uma garrafa com água suja no púlpito da Câmara, na última terça-feira (30), a vereadora Débora Camilo fez um alerta e uma cobrança: “quero deixar um convite para a gente fazer um brinde. Jesus Cristo transformou a água em vinho e o diabo transformou a água potável nisso aqui. Isso aqui foi o que saiu, que tem saído das torneiras dos moradores da Vila Pantanal. Pprincipalmente para os vereadores que apoiam o Tarcísio (de Freitas – governador de São Paulo (Republicanos) e a privatização (da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp), deixo aqui o convite para quem quiser dar uma golada”,
Débora Camilo refere-se aos deputados estaduais Paulo Mansur e Tenente Coimbra (ambos do PL); Paulo Correia Júnior (PSD) e Solange Freitas (União), que votaram a favor da privatização e os federais Rosana Valle (PL); Delegado Da Cunha (União) e Paulo Alexandre Barbosa (PSD), que são apoiadores do governo Tarcísio de Freitas.
Pagando
A vereadora santista ainda lembrou que os moradores da Vila Pantanal ainda estão tendo que pagar pela água suja. “Passaram a ter o registro (equipamento) da água e estão pagando um valor que chega a ultrapassar os R$ 600,00 por isso aqui. E a promessa é que iriam pagar a tarifa social porque muita gente que está ali é inserida no CadÚnico. A gente precisa e Prefeitura também dialogar com a Superintendência da Sabesp para saber o que está acontecendo, já que a obra ali seria para beneficiar a população, mas está aqui (mostra a garrafa). É isso aqui que as pessoas estão tendo acesso nas suas torneiras”, finalizou.

A Tarifa Social da Sabesp reduz a conta de água e esgoto em até 78% para famílias de baixa renda, dividida em duas faixas: a Residencial Vulnerável (para renda per capita de até R$ 218,00) com valor de R$ 16,42, e a Residencial Social (renda per capita entre R$ 218,00 e meio salário mínimo) por R$ 21,00 para consumo de até 10 m³
O Cadastro Único (CadÚnico) é o principal banco de dados do Governo Federal para identificar famílias de baixa renda. Ele funciona como a "porta de entrada" para programas sociais (como Bolsa Família, Pé-de-Meia, Minha Casa, Minha Vida e Tarifa Social de Energia).

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