Lentidão para sair de Santos (SP) em direção à Capital continua sem solução
Ecovias e governança portuária ‘patinam’ há anos e quem paga a conta são os usuários do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI)

Carlos Ratton
05.06.2026
Fotos: Divulgação
O excesso de veículos pesados (caminhões) oriundos o Porto de Santos, somados ao grande número de veículos leves (carros), concentrados no trecho que vai do viaduto que conduz o motorista a São Paulo (Capital), percorrendo a pista que dá acesso à Rodovia dos Imigrantes, ladeando o Viaduto Estaiado Mário Covas, vem tirando a paciência de milhares de motoristas diariamente.
A situação, vista na última quarta-feira (3), véspera do feriado de Corpus Christi, encaminhada por um leitor de Os Inconfidentes, demostra que o problema está muito longe de ser apenas saturação do acesso rodoviário ao Porto de Santos, agravado por falta de governança portuária e gestão das rodovias do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), realizada pela concessionária Ecovias em conjunto com a Polícia Militar Rodoviária.
A pista entre Santos e Cubatão sentido Capital recebe todo o volume de tráfego até a interligação com a Imigrantes, próximo do posto da Polícia Rodoviária, formando filas que geram um bom tempo de tráfego lento. A falta de capacidade operacional e fiscalizatória produz congestionamentos que pioram quando ocorrem acidentes.
Como é uma rodovia de tráfego contínuo e pesado, qualquer colisão ou pane mecânica fecha faixas rapidamente, gerando longas retenções. Conforme já bastante divulgado, a designação "porto organizado" refere-se à infraestrutura pública e à sua administração, mas não garante, por si só, a fluidez do tráfego.
Congestionamentos ocorrem devido ao descompasso entre o fluxo rodoviário/ferroviário e a capacidade dos terminais, exigindo o uso de pátios de triagem e sistemas inteligentes de agendamento para evitar gargalos.
Em polos de grande movimentação, como o Porto de Santos, a concentração de caminhões nos acessos exige medidas logísticas integradas e o uso de áreas reguladoras para mitigar o impacto urbano e os atrasos operacionais.
Ecovias
Para piorar, enquanto a Ecovias administra o fluxo nas rodovias de acesso, o gargalo operacional nos pátios de triagem, nos terminais portuários e na capacidade das vias municipais (como as avenidas da Margem Direita e Perimetral) foge à alçada da concessionária, causando reflexos diretos nas rodovias.
O papel da Ecovias é atuar com bloqueios temporários, inversões de pista e contenção de caminhões. No entanto, a empresa ressalta que essas ações mitigam mas não eliminam os congestionamentos causados pelo excesso de veículos e lentidões nas vias internas do cais e na saída delas.
Os pátios de triagem operam com capacidade limitada, e caminhões chegam muitas vezes sem agendamento prévio, formando filas quilométricas nas faixas de domínio da rodovia.

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