Lideranças do PSOL defendem esquerda "sem conciliação" em debate lotado em Santos

Deputados Sâmia Bomfim e Glauber Braga, ao lado da vereadora Débora Camilo, pregam independência política e enfrentamento radical à extrema direita

Lideranças do PSOL defendem esquerda "sem conciliação" em debate lotado em Santos

Sandro Thadeu

14.07.2026

Imagens: Sandro Thadeu e Instagram/Débora Camilo

A esquerda brasileira precisa escolher entre a moderação que silencia ou a radicalidade que mobiliza? Este foi o questionamento central que dominou a noite da última segunda-feira (13), no Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Santos e Região (Sintrasaúde). Em um auditório lotado, os deputados federais Sâmia Bomfim e Glauber Braga, ao lado da vereadora Débora Camilo (todos do PSOL), confrontaram a estratégia de "dourar a pílula" na política atual, apresentando um contraponto programático que defende desde a revogação de reformas prejudiciais ao povo brasileiro até o enfrentamento direto ao poder do sistema financeiro.

O encontro foi marcado por um tom de urgência, refletindo a preocupação dos parlamentares com o avanço da extrema direita no País. Para os participantes, a resposta a esse cenário exige uma oposição mais assertiva e autêntica, capaz de organizar a base da classe trabalhadora e romper com o silenciamento que, segundo o grupo, tem impedido a esquerda de apresentar alternativas reais e transformadoras para a população.

Pré-candidata à Assembleia Legislativa, Débora abriu os trabalhos defendendo que a esquerda abandone a estratégia de conciliação política. Para a parlamentar, o momento exige firmeza ideológica.

"Nossa luta é para ir a fundo e combater os problemas desde a raiz. Não queremos conciliação, porque a extrema direita não dialoga; ela busca o extermínio do outro", afirmou a vereadora.

Embora reconheça os limites das eleições, ela reforçou que o mandato parlamentar deve funcionar como uma extensão da mobilização popular. "Sei que nossos sonhos não cabem apenas na urna, mas é a partir dela que podemos construir algo melhor", acrescentou.

Ao contextualizar essa luta na Baixada Santista, Débora trouxe exemplos concretos de como essa política afeta a vida local, citando a privatização da Sabesp, a instalação de novos pedágios na região e a alta letalidade policial contra jovens de periferia como provas de um modelo de gestão que prioriza grandes interesses econômicos em detrimento das necessidades básicas da população.

Débora Camilo (PSOL) é pré-candidata à Assembleia Legislativa

Críticas à moderação e independência

Para os parlamentares, a esquerda precisa responder com a mesma autenticidade e radicalidade programática para reconquistar a base da classe trabalhadora, que hoje se encontra desiludida e em alto grau de abstenção por não identificar diferenças reais entre os projetos em disputa.

Glauber Braga criticou as estratégias de moderação adotadas por setores da esquerda para atrair o eleitorado conservador. De acordo com o parlamentar, esconder posições ideológicas é um erro estratégico que acaba por fortalecer os adversários.

Na sequência, enfatizou que a extrema direita se apresenta de forma autêntica em seu radicalismo destrutivo, o que, ironicamente, acaba por atrair eleitores que buscam clareza política. "Apresentar-se por completo no enfrentamento à extrema direita é uma necessidade para quem busca a verdade na luta política", destacou.

Embora reconheça o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na contenção do bolsonarismo no País, o deputado defendeu que o PSOL mantenha sua independência e advogou por uma agenda que tensione o Governo, citando como exemplos a reversão da autonomia do Banco Central e o fim do arcabouço fiscal, que, em sua visão, limita investimentos essenciais em saúde e educação. "Precisamos tensionar e mobilizar pela esquerda", reiterou.

Glauber Braga: "A esquerda tem que ter os seus espaços de articulação permanente"

Mandatos como trincheira de luta

Para os parlamentares, o exercício de um mandato público não deve ser encarado como um fim em si mesmo, mas como uma trincheira de luta e um instrumento fundamental para a organização popular.

Sâmia Bomfim reforçou a importância da autonomia partidária para denunciar escândalos, como o chamado "orçamento secreto". Para a deputada, a extrema direita ganha terreno quando a esquerda falha em oferecer respostas concretas às demandas sociais.

A parlamentar argumentou que o mandato serve, inclusive, para "hackear" a lógica orçamentária do Estado, direcionando recursos para cooperativas e movimentos sociais que, na política tradicional, seriam negligenciados ou ignorados.

Na avaliação de Sâmia, essa visão transforma a atuação parlamentar em um elo direto com a sobrevivência e a autonomia da classe trabalhadora, como exemplificado pelo projeto desenvolvido em Iguape, no Vale do Ribeira, que hoje fornece peixe para a alimentação escolar com recursos viabilizados por mandatos comprometidos com essa lógica.

Ao finalizar o encontro, a parlamentar fez uma analogia sobre o tempo de resposta da esquerda ao extremismo de direita: "O enfrentamento e a derrota do fascismo não são uma corrida de 50 metros. É uma maratona, que exige muito preparo físico e organização popular constante", destacou.

Sâmia Bomfim: "Nossos mandatos como instrumentos de luta, de organização popular"

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