Maioria dos jogadores da seleção adota posição neutra na política
Apenas três nomes tiveram vínculo explícito com Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022

Da Reportagem/Yuri Ferreira (Revista Fórum)/Wikipédia
12.06.2026
Foto: Rafael Ribeiro/ CBF/ Wikipédia
Poucas horas antes do Brasil estrear na Copa do Mundo, a Revista Fórum publicou reportagem desmistificando a ideia que a maioria dos jogadores canarinhos são simpáticos ao bolsonarismo. A reportagem da Fórum, atualizada 11 de junho de 2026, foi baseada em informações da imprensa, redes sociais oficiais dos atletas e projetos sociais documentados.
Apenas três nomes tiveram vínculo explícito com Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022: Alisson (Liverpool); Fabinho (Al-Ittihad) e Neymar (Santos). Já no campo social, vários atletas se destacam, especialmente nas lutas antirracista e de inclusão social.
O levantamento foi realizado e separado em duas dimensões: o posicionamento político-eleitoral (voto, apoio a candidatos, filiação partidária declarada) e o posicionamento social (engajamento em causas como racismo, desigualdade, constatou-se que a grande maioria dos convocados nunca manifestou publicamente sua preferência eleitoral.
Brasil 70
Mas para quem acredita que futebol e política não se mistura e que posicionamentos não podem ser levados a sério, uma dica é assistir Brasil 70: A Saga do Tri (minissérie disponível na Netflix) dramatiza a icônica conquista da Copa do Mundo de 1970 no México.
A trama mescla a histórica busca esportiva pelo tricampeonato com os bastidores de um elenco lendário pressionado pela Ditadura Militar nos Anos de Chumbo.
O enredo central foca nos desafios enfrentados pela comissão técnica e pelos jogadores, dividindo-se em arcos dramáticos: o desgaste Inicial após o fracasso na Copa de 1966, Pelé (interpretado por Lucas Agrícola) não queria voltar a defender a Seleção e é convencido a retornar pelo técnico João Saldanha (Rodrigo Santoro).
E também por conflitos de bastidores: Saldanha, de temperamento explosivo e posições políticas contrárias ao regime, acaba demitido às vésperas do Mundial. Mário Zagallo (Bruno Mazziotti) assume o comando técnico lidando com desconfianças, calor extremo no México e superstições.
Além da pressão política e sonhos: O time de craques – como Pelé, Jairzinho, Tostão, Gérson, Rivellino e Carlos Alberto – lida com o peso de ter a imagem instrumentalizada por militares, enquanto supera o fantasma de 1950 rumo à consagração.
A obra recria momentos marcantes de forma cinematográfica, abordando o lado humano e as vulnerabilidades dos atletas diante de um dos períodos mais tensos da história do país.

João Saldanha
Rodrigo Santoro atua de forma magistral e protagoniza o filme ao interpretar João Saldanha, que em 4 de fevereiro de 1969 foi anunciado como novo treinador da Seleção Brasileira.
O presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), João Havelange, alegou que o contratou na esperança de que os jornalistas fizessem menos críticas à seleção nacional, tendo um deles como técnico.
Na Copa do Mundo de 1966, uma das principais críticas da imprensa era a falta de um time-base. Saldanha tentou resolver esse problema, convocando um time formado em sua maioria por jogadores do Santos e do Botafogo, os melhores times da época, e os conduziu a 100% de aproveitamento em seis jogos das eliminatórias. O time brasileiro de Saldanha era: Felix, Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel e Rildo; Piazza e Gerson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu.

João Saldanha
Saldanha teria sido retirado do comando da seleção por causa da sua negativa em selecionar jogadores que eram indicados pessoalmente pelo presidente Emílio Garrastazu Médici, durante a ditadura militar, em particular o atacante Dario Maravilha.
Sua punição, agravada por ser militante do (então clandestino) Partido Comunista Brasileiro, foi a dispensa do comando da seleção meses antes do mundial, o que deixou eternos rumores do medo da ditadura de ver um comunista voltar da copa do México com a Jules Rimet nas mãos.
O último atrito foi quando o auxiliar técnico pediu para sair da seleção, dizendo que era impossível trabalhar com Saldanha. Segundo João Havelange, então presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), o esquema adotado por Saldanha de dois pontas abertos (Jair e Edu) e o meio-campo desprotegido do Brasil, que adotava o esquema 1-4-2-4, não iria a lugar nenhum. Daí a demissão de João Saldanha e, depois de uma tentativa de se contratar Dino Sani, ele foi substituído por Mário Zagallo.
O ex-jogador de futebol foi ganhador de duas copas: Copa do Mundo de 1958 e Copa de 1962, com seu tradicional e eficiente (na época) 1-4-3-3, montando a equipe com Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Marco Antônio (depois Everaldo); Clodoaldo, Gérson e Rivelino; Jair, Tostão e Pelé.
Saldanha retornou ao jornalismo depois desse episódio e continuou a criar algumas das mais famosas citações da história do futebol brasileiro, como: "o futebol brasileiro é uma coisa jogada com música".
No final da vida, foi um dos maiores críticos da europeização do futebol brasileiro, com a adoção de esquemas mais defensivos e a perda de algumas de nossas principais características, como o jogo hábil e voltado ao ataque.
Bastante debilitado devido ao vício tabagista, seu último trabalho jornalístico foi a cobertura da Copa do Mundo de 1990 para a TV Manchete. Saldanha morreu devido a um enfisema pulmonar em Roma, no dia 12 de julho de 1990.

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