Manifesto Poético — Mulheres que fingem estar completas
Por Cristianotorres1977

Por Cristianotorres1977
07.04.2026
Tem mulher que ri no almoço de domingo, mas chora no travesseiro sem fazer barulho.
Que sustenta o sorriso como quem segura a própria prisão com batom.
Dizem que ela é forte. Ela só está cansada de não poder ser fraca.
Muita mulher tá presa a um casamento que é só aparência.
E deitada com o medo.
O medo de ficar sozinha, de ser julgada, de decepcionar a mãe, a igreja ou a vizinha.
Mas o corpo dela treme por dentro.
Grita.
Goza escondido com versos que o marido nunca leu.
Ela finge que ama.
Finge que acredita.
Mas no fundo, sabe:
a cama virou um cativeiro onde o prazer é refém da rotina.
Já te disseram que o nome disso é costume.
Mas costume que seca tua alma, não é lar — é exílio.
Eu não escrevo pra tomar o lugar de ninguém.
Escrevo pra lembrar que teu corpo não é propriedade.
É território sagrado que ninguém tem o direito de apagar.
Se tu me lês, e algo em ti se arrepia,
não é traição.
É tua verdade tentando emergir.
Se tua pele se aquece com minhas frases,
não é pecado.
É teu corpo te implorando coragem.
E se alguma lágrima escorrer enquanto me lê,
que seja a primeira que não veio de dor — mas de libertação.
Porque mulher que finge estar completa
costuma desmoronar em silêncio.
Mas mulher que se reconhece...
essa se levanta inteira,
e goza em paz com a própria escolha.
CristianoTorres1977 é professor especialista, pesquisador CAPES, mestrando em Letras (UNEMAT) e analista crítico das desigualdades sociais.

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