Marcos Caseiro defende suspensão preventiva da vacina da dengue e rebate discursos negacionistas

Médico infectologista destacou que interrupção temporária do imunizante do Instituto Butantan demonstra a eficiência da farmacovigilância e não invalida os estudos que atestaram sua eficácia

Marcos Caseiro defende suspensão preventiva da vacina da dengue e rebate discursos negacionistas

Sandro Thadeu

09.06.2026

Imagem: Divulgação/Câmara de Santos - 19/05/26

O médico infectologista e professor universitário Marcos Caseiro saiu em defesa da decisão do Ministério da Saúde de suspender temporariamente a aplicação da vacina Butantan-DV contra a dengue para aprofundar a investigação de eventos adversos registrados após o início da imunização em larga escala. Vereador de Santos pelo PT, ele destacou que a medida demonstra justamente a eficiência dos mecanismos de vigilância do País.

Na noite da última segunda-feira (8), durante audiência pública sobre os investimentos do Governo Federal em Santos realizada na Câmara Municipal, o docente afirmou que o episódio não deve ser utilizado para alimentar discursos contrários à vacinação. Na avaliação de Caseiro, a interrupção preventiva da estratégia de aplicação comprova que o sistema de farmacovigilância continua monitorando os imunizantes mesmo depois da aprovação pelos órgãos reguladores.

"Isso chama-se farmacovigilância. Todo medicamento que entra em fase de uso continua sendo monitorado. Certamente vão aparecer negacionistas de plantão, mas é importante entender que isso é algo positivo, porque mostra um sistema de vigilância fantástico", destacou. O petista antecipou críticas de opositores, mencionando ironicamente que no Legislativo existe um "cabo especialista em vacina" de quem já esperava ouvir "bobagens" no dia seguinte.

O médico também ressaltou que não existe, até o momento, comprovação de que os casos graves registrados tenham sido causados pela vacina. "Correlação não é causalidade. O fato de uma pessoa ter tomado a vacina e, posteriormente, falecido não significa, necessariamente, uma relação de causa e efeito. Isso precisa ser investigado", explicou.

Caseiro classificou, ainda, a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan como um dos mais importantes projetos da medicina brasileira e lembrou que o imunizante foi resultado de aproximadamente duas décadas de pesquisa. Para o parlamentar, a decisão do Ministério da Saúde foi correta ao interromper temporariamente a aplicação até que haja esclarecimentos conclusivos sobre os casos investigados.

Investigação em andamento

O Ministério da Saúde informou que a atual estratégia de aplicação da Butantan-DV foi suspensa por precaução após a identificação de um sinal de alerta no sistema nacional de vigilância epidemiológica.

De acordo com a pasta, foram aplicadas 501 mil doses em profissionais da Atenção Primária do Sistema Único de Saúde (SUS) e em moradores de municípios participantes do programa de ampliação da vacinação.

Nesse universo, foram registrados 42 casos de reações raras e inesperadas (equivalentes a 0,008% dos vacinados) que não haviam sido observadas durante os estudos clínicos, nem estavam previstas em bula. Também foram identificados três eventos graves, dos quais dois evoluíram para óbito.

As investigações irão analisar possíveis comorbidades, fatores de risco e outras condições que possam ter contribuído para os casos. O Ministério da Saúde ressaltou que a suspensão não invalida a eficácia do imunizante, que apresentou 65% de proteção geral contra a dengue e 80,5% contra formas graves da doença durante os estudos clínicos.

Desenvolvimento de longo prazo

A Butantan-DV foi desenvolvida ao longo de aproximadamente 20 anos pelo Instituto Butantan, a partir de tecnologia licenciada do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH). Antes da autorização concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em dezembro de 2025, o imunizante passou pelas três fases de estudos clínicos e teve mais de 11 mil voluntários acompanhados durante cinco anos.

Enquanto a investigação prossegue, o SUS mantém normalmente a vacinação de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos com a vacina japonesa Qdenga, incorporada ao sistema público em 2024. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 8 milhões de doses já foram aplicadas no País.

Comentários dos leitores

Carregando comentários…