Marinha aprova plano de remoção de navio histórico Prof. W. Besnard no Porto de Santos (SP)

Da Reportagem

Marinha aprova plano de remoção de navio histórico Prof. W. Besnard no Porto de Santos (SP)

Da Reportagem

25.04.2026

Foto: APS

O 8º Distrito Naval da Marinha do Brasil aprovou, nesta sexta-feira, dia 24 de abril, o plano de remoção do navio Prof. Wladimir Besnard, apresentado pela empresa contratada de forma emergencial pela Autoridade Portuária de Santos (APS). A embarcação adernou no Porto de Santos no dia 13 de março último. A retirada e reflutuação custará R$ 8,6 milhões.

O plano de salvamento prevê reestabelecer gradualmente a flutuabilidade da embarcação, por meio da drenagem interna e outras ações. Assim que a embarcação estiver em condições, deverá ser deslocada para um estaleiro, onde será avaliada a possibilidade de sua restauração.

Os serviços para recuperação do Prof. W. Besnard estão sendo feitos desde o dia 31 de março, com avaliações feitas por mergulhadores, limpeza e vedação do casco da embarcação. O caso vem sendo tratado como prioridade desde o incidente, com foco na segurança da navegação e na preservação ambiental.

Embora a embarcação pertença à entidade Instituto do Mar, para quem foi doada após anos de uso pela Universidade de São Paulo (USP), em pesquisas na Antártida, a APS assumiu a responsabilidade diante da situação emergencial declarada pela Capitania dos Portos.

O Prof. W. Besnard é um dos símbolos da oceanografia brasileira. O navio participou da primeira expedição brasileira à Antártida e realizou dezenas de missões científicas ao longo de sua trajetória, o que reforça seu valor histórico e institucional.

Fora de operação desde 2008, o navio passava por reformas após ser doado à ONG Instituto do Mar (Imar) que planejava transformá‑lo em um museu flutuante. O acidente ocorreu após o navio encher de água após fortes chuvas e as bombas de sucção fora de operação devido ao furto da fiação.

Com 49,3 metros de comprimento, o Besnard foi construído por encomenda do governo paulista e foi lançado ao mar em 1966. A embarcação passou pela costa brasileira, fez expedições no arquipélago de Cabo Verde e realizou mais de 260 viagens para a formação de pesquisadores, passando por mais de 10 mil pontos de coleta para estudos científicos. Levou as primeiras equipes de pesquisa brasileiras à Antártica. O furto nada mais é do que a prova que sua história permanecia esquecida no cais santista.

A Autoridade Portuária de Santos é uma empresa pública vinculada ao Ministério dos Portos e Aeroportos. É responsável pelo planejamento logístico e pela administração da infraestrutura do Porto Organizado de Santos, o maior da América Latina, por onde passam aproximadamente 30% das trocas comerciais brasileiras.

O complexo portuário está localizado a 70 quilômetros da Grande São Paulo e possui 53 terminais, sendo 39 arrendamentos, 8 retroportuários e 6 terminais de uso privado (TUPs), situados em duas margens, uma em Santos (direita) e outra em Guarujá (esquerda).

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