Menino de 13 anos morre afogado em cava em São Vicente
Polícia deve iniciar investigação para descobrir os responsáveis pela tragédia

Carlos Ratton
28.09.2026
Fotos e Imagens de Divulgação
A Polícia Civil de São Vicente deverá iniciar, nos próximos dias, uma investigação para descobrir os responsáveis pela morte por afogamento do menino José Manoel Bispo de Almeida, de apenas 13 anos, numa cava para extração de areia no Quarentenário, Área Continental de São Vicente (SP), de 15 metros de profundidade.
Um boletim de ocorrência (BO), lavrado no 1º Distrito de São Vicente, define o endereço da tragédia como sendo à Avenida Antônio Bernardo, 2203, perto de uma unidade da Companhia Piratininga de Força e Luz. A morte foi confirmada no último sábado (27), por volta das 14 horas.
Conforme apurado pelos Inconfidentes, a cava acabou se tornando um grande depósito de água em uma área de preservação no meio da Mata Atlântica. Pelo que foi já informado, não existe e nem existia qualquer tipo de segurança para evitar que crianças tivessem acesso ao local.
Segundo o BO, os policiais foram acionados do Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM) e, ao chegarem na cava, se depararam já com uma equipe de resgate do Corpo de Bombeiros, que já havia resgatado o corpo da criança e deixado às margens da cava, aguardando a chegada perícia e da família.
O menino José Manoel teria saído com amigos para jogar futebol logo após o almoço. Por volta das 16 horas, um dos amigos comunicou a família que o menino havia se afogado.
Segundo informações de pessoas que acompanharam os trabalhos, o afogamento ocorreu sábado por volta das 15h30. Os bombeiros chegaram próximo das 17 horas e foram embora às 18h30 quando escureceu e retomaram as buscas hoje às 10 horas, quando localizaram o corpo por volta das 11h30.

Ponta do Iceberg
Os Inconfidentes tiveram a informação que há outras cavas abertas nos mesmos moldes na região, mostrando que o problema é bem maior do que se imagina. A Reportagem está buscando informações junto à Agência Nacional de Mineração (ANM) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) para saber quantas cavas estão em atividade na região e se a mineradores estariam com autorizações e licenças em dia. Também se existe algum tipo de fiscalização dos empreendimentos e segurança para evitar tragédias semelhantes.
O que já foi apurado até agora de forma não oficial é que há extrações sendo realizadas sob licenças cassadas. Algumas empresas teriam conseguido reativar a documentação somente por conta de influência política, inclusive de representantes da Baixada Santista.
Outras informações que chegaram aos Inconfidentes, além da que as cavas estão sendo abertas em áreas ambientais, é a de que a quantidade de material extraído sempre ultrapassado o limite autorizado pela ANM e pela CETESB.
Ainda de que a areia (material extraído) teria sido autorizado para um fim, como a fabricação de vidro, por exemplo, mas destinada à construção civil. A distinção é importante, pois o material não pode receber destinação diferente daquela estabelecida pelo órgão regulador, neste caso, a ANM.

E mais: as empresas não estariam fechando e recuperando o meio ambiente após a extração, como atividades de replantio da vegetação original. Cavas costumariam atingir quase 30 metros de profundidade e já existem diversos termos de Compromisso de Recuperação Ambiental (TCRAs) de empresas com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) em que elas comprometem-se a recuperar a área e a não abrir novas cavas para extração de material.
Por fim, o afogamento do adolescente de 13 anos não teria sido o primeiro caso. Sem medidas efetivas das autoridades para, no mínimo, fiscalizar a questão de segurança, há risco que mais outros acidentes aconteçam.
Vale lembrar que não havia placas alertando sobre o perigo nem informando a profundidade da cava. Também não havia proteção ou outras medidas de segurança para proteger a população que vive a poucos metros do local.

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