Mercado Municipal de Santos está servindo para eventos particulares

A situação foi observada por santistas e também chegou à Câmara de Vereadores

Mercado Municipal de Santos está servindo para eventos particulares

Carlos Ratton/Carlos Cruz (Canal 5 Web TV)

08.07.2026

Fotos - Divulgação e Tony Valentte  

Um vídeo postados nas redes sociais e encaminhado aos Inconfidentes esta semana, por intermédio do Canal 5 Web TV, mostra a revolta de um santista em relação ao uso do entorno do Mercado Municipal de Santos (SP), supostamente por empresas particulares de eventos. A situação também chegou à Câmara de Vereadores (veja nessa reportagem).

Conforme já propagado pela Prefeitura de Santos, a proposta do equipamento público, após a recuperação estrutural e sua reinauguração, seria para proporcionar “uma mistura de comércio tradicional e economia criativa, com uma variedade de opções, harmonizando a venda de produtos frescos e especializados com experiências culturais e gastronômicas, artesanato e outros”.    

No vídeo, o santista reclama que apesar das placas proibindo o estacionamento no entorno do equipamento, que já dificulta o recebimento de mercadorias pelos comerciantes, o espaço público externo vem sendo explorado por terceiros com serviço de manobrista (valet parking) pago, quando ocorrem eventos.

Vídeo mostra uso de espaço proibido com auxílio de valets

O vereador Rui De Rosis Júnior (PL) fez uma denúncia formal na última sessão da Câmara antes do recesso. O parlamentar questiona também o uso interno do mercado.

“Enquanto a gente tem problemas graves na cidade, eu trago outro. O da Prefeitura em alugar o seu mais novo salão de festas: o Mercado Municipal. Eu já tinha falado aqui da grande festa de aniversário que foi realizada lá, zero interesse público, aliás, nem convite vendia, né? Não sei qual é o interesse da cidade fazer um aniversário. E naquela oportunidade, a vereadora Débora (Camilo–PSOL) falou que o pior foi a cobrança via valet. Eu passei por lá e estavam cobrando estacionamento”, confirmou o parlamentar.

Segundo disse De Rosis em plenário, páginas (na Internet) da cidade, recentemente, relataram outra festa que eu já tinha sido identificada no Diário Oficial: festa junina de colégio com a empresa reservando espaço externo para estacionamento. “Alguém está ganhando dinheiro em cima do próprio público. Vamos investigar. Mas pior, os munícipes e os comerciantes filmaram indignados, com razão, a exploração de vagas por valet, inclusive onde é proibido estacionar”, reafirmou o vereador.

Cinquenta reais

Ele também revela que os comerciantes, semanalmente, sofrem com problema de proibição de estacionamento. “Mas para os amigos, tudo. Pode até explorar economicamente o espaço público. Enquanto essa Câmara luta pra acabar com o problema de exploração econômica das vagas públicas por flanelinhas, a Prefeitura permite que se coloque um valet lá e cobre R$ 50,00 pra parar na rua. Aliás, não só na rua, na calçada e onde é proibido estacionar”, finaliza.

Rui de Rosis Júnior

Leitores de Os Inconfidentes lembram da cobrança de um psicólogo de Santos que usou as redes sociais para demonstrar sua indignação em relação a falta de atividade no equipamento público, em março último, dois meses após sua reinauguração. A Prefeitura de Santos havia revelado oficialmente que o equipamento seria aberto inicialmente apenas para eventos, só não disse que seriam privados.  

A Secretaria de Turismo, Comércio e Empreendedorismo de Santos (Setur), responsável pelo Novo Mercado Municipal - Centro Cultural Plínio Marcos, também havia informado que, com a nova definição, o equipamento havia recebido grande público durante a programação do Santos Verão 2026 e, depois, no 2º Mutirão do Emprego do ano.

O Novo Mercado Municipal foi inaugurado no aniversário de 480 anos de Santos pelo governador do Estado, Tarcísio de Freitas, o prefeito Rogério Santos e diversas autoridades. O prédio, datado do ano de 1902, foi totalmente restaurado e reformado.

A obra no edifício, a cargo da Secretaria de Obras e Edificações (Seobe), envolveu o restauro externo que revelou a beleza do edifício, e a reforma interna visou oferecer tudo que há de mais moderno a santistas e turistas, a exemplo de outros mercados antigos revitalizados na Europa e no resto do mundo.

Além da beleza de todos os materiais e o cuidado com os detalhes de acabamento, o equipamento foi dotado de acessibilidade, climatização, Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), itens para o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), gás, e relógios individuais de água, luz e gás para os permissionários.

O objetivo da revitalização é oferecer uma mistura de comércio tradicional e economia criativa, com uma variedade de opções, harmonizando a venda de produtos frescos e especializados com experiências culturais e gastronômicas, artesanato e muito mais.

No restauro e reforma do Mercado, foram investidos R$ 32 milhões, sendo cerca de R$ 18,1 milhões do Governo do Estado, R$ 5,3 milhões do Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano (Fundurb), que contou com verba proveniente de Termo de Responsabilidade de Implantação de Medidas Mitigadoras e/ou Compensatórias (Trimmc) com a empresa EDGE, e R$ 9,4 milhões do Município. Os Inconfidentes pediram uma explicação à Administração mas, até a publicação dessa reportagem, nada foi encaminhado. 

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