Mercado Municipal de São Vicente (SP) 'agoniza’, apesar da importância histórica
A situação foi denunciada nas redes sociais

Carlos Ratton
07.07.2026
Foto: Antônio Ferreira (PMSV) e Divulgação
O edifício do Mercado Municipal de São Vicente (SP), Praça João Pessoa, 58 – Centro, de grande importância histórica para o município, erguido em 1729, funcionando durante 186 anos como a primeira Câmara Municipal, se encontra totalmente abandonado e com fortes indícios de nuca mais ser recuperado.
A situação foi denunciada nas redes sociais pelo presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente (IHGSV), Paulo Eduardo Costa, um dos vicentinos indignados pela situação que se encontra o mercado, que também já abrigou a cadeia e o quartel da polícia. Costa afirma que irá recorrer ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).

“Nosso mercado, cujo sonho era que fosse voltado à cultura, com uma área de valorização dos nossos artesãos. Uma área de exposição com um pequeno anfiteatro e com os antigos comerciantes que lá pudessem se manter, simplesmente se vê invadido. Ninguém cuida, a fachada, que é tombada, foi refeita de maneira absurda, completamente sem critério, os frisos e os destaques que nela existiam foram todos destruídos”, desabafa.
O presidente ainda reclama da falta de prospecção arqueológica do local e que o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de São Vicente ainda causa embaraço a quem ousa reclamar da situação. “Nos veda, inclusive, de nos manifestarmos e escrever. Temos que ter uma página paralela para nós, conselheiros da sociedade civil, uma ampla minoria, tentarmos fazer alguma coisa. Certamente o Instituto vai denunciar o Ministério Público mais uma vez vai ficar com fama de ser o inimigo da cidade. Mas não dá para a gente tolerar mais situações como essa”, completa.

O advogado Flávio Viana é outro que se mostra indignado com a situação que se encontra o Mercado Municipal vicentino. Ele conta um pouco mais sobre a história do equipamento. “O falecido Zan Quaresma, que era arquiteto da Prefeitura e do Conselho, doou o projeto de revitalização do mercado municipal com a escavação arqueológica, a abertura das antigas fundação da Casa de Câmara e Cadeia, que era nesse lugar”, lembra.
Segundo informa, a Casa de Câmara e Cadeia foi demolida para criar o mercado municipal, porque havia necessidade, na época, de mudar o ângulo da curva da rua em relação à Igreja Matriz por causa de um acidente, em que um carro bateu no lugar da paróquia, da sacristia, que hoje é o salão vip da matriz de São Vicente.
“Fizeram a demolição onde tudo acontecia, onde os prefeitos despachavam, onde funcionava a Câmara de Vereadores, antes de ter o Palácio Martim Afonso, onde hoje é a sede da Prefeitura. As ruínas estão lá e o projeto previa que essas ruínas iriam ficar visíveis e, por cima, seriam colocadas placas de acrílico transparente no mesmo modal do Memorial da América Latina, para que, caminhando por dentro do mercado municipal, pudéssemos ver as ruínas da fundação da antiga Casa de Câmara e Cadeia de São Vicente, que é um imóvel muito mais antigo”.
Em 1915, a Câmara mudou de local e o espaço ficou vazio. Com o crescimento da cidade avançando e os comércios e vendedores ambulantes surgindo, houve a necessidade da criação de um espaço que atendesse as novas funções.
Em 1929, o Mercado Municipal foi inaugurado abrigando novos setores comerciais. No ano de 2010, o Conselho Municipal (CONDEPHASV) tombou a fachada do local. Atualmente o Mercado está interditado para obras. A Prefeitura de São Vicente não se manifestou sobre a questão.


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