“Monstro de Ferro Contra o Sul da Bahia” expõe possível destruição ambiental

Da Reportagem/ Movimento Sul da Bahia Viva

“Monstro de Ferro Contra o Sul da Bahia” expõe possível destruição ambiental

Da Reportagem/ Movimento Sul da Bahia Viva

06.04.2026

Fotos de Monique Bruxel

O filme “O Monstro de Ferro Contra o Sul da Bahia” mergulha nas profundezas de uma investigação urgente, expondo a devastadora engrenagem da destruição ambiental que avança sobre a Mata Atlântica e os modos de vida tradicionais do litoral Sul da Bahia.

Um paraíso intocado, a apenas 15 km da histórica Ilhéus, está na mira de um gigante insaciável: o Porto Sul, bilionário para escoamento de minério de ferro.

À medida que a construção do porto ganha velocidade, o filme revela um intrincado jogo de poder, onde os direitos da população local são sistematicamente ignorados em nome de lucros astronômicos de empresas estrangeiras e ambições políticas obscuras.

A obra revela pescadores artesanais, agricultores familiares e comunidades indígenas lutando para preservar sua identidade e o delicado equilíbrio ecológico que sustenta suas existências há gerações.

Através de depoimentos emocionantes, imagens impactantes da natureza ameaçada e análises de especialistas, a narrativa tece uma teia de denúncias sobre o desmatamento desenfreado, a contaminação dos recursos hídricos e o desmantelamento de uma rica estrutura socioeconômica construída com suor e história.

“O Monstro de Ferro Contra o Sul da Bahia” é um grito de alerta, um convite à reflexão sobre o preço do “progresso” e a urgência de defender o direito das comunidades locais de moldarem seus próprios futuros.

Movimento

O filme é de responsabilidade do Movimento Sul da Bahia Viva, uma iniciativa focada na defesa ambiental da região, com destaque para a oposição ao projeto do Porto Sul. Esse movimento busca mobilizar autoridades, incluindo o governo estadual e ministérios, para cancelar o empreendimento, citando riscos de um "projeto devastador" ao ecossistema local.

O Movimento quer o cancelamento do Porto Sul, a proteção do meio ambiente da região sul da Bahia contra impactos negativos e a mobilização social com o engajamento do Ministério Público, ministros do meio ambiente, turismo, agricultura e infraestrutura.

Segundo o Movimento, o plano do governo da Bahia é de transformar o Sul da Bahia - uma linda região turística e cacaueira - em Zona de Processamento Industrial, principalmente minério para exportação.

Há mais de 10 anos o governo da Bahia está com a pretensão de construir o Porto Sul, um gigantesco complexo portuário em plena Mata Atlântica, para que a Bahia Mineração (BAMIN) possa escoar minério de ferro de Caetité até a China.

Segundo o Movimento, a BAMIN é uma subsidiária de Eurasian Resources Group (ERG) - mineradora do Cazaquistão com histórico escandaloso de corrupção, assim como violação dos direitos humanos, na República Democrática do Congo, África.

A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), interligando a mina ao porto, estaria 80% construída segundo o consórcio, porém até hoje, do trecho de 537 km em questão, não foi observado mais de 50 km de trilhos, concentrados entre Brumado e Sussuarana.

O Movimente alerta que o projeto não dialoga com a vocação de uma região mundialmente conhecida por sua biodiversidade, polo de atividades turísticas e agroecológicas, baseada nas riquezas naturais, no cacau e na produção de chocolate fino.

Assalto ao meio ambiente

A Mata Atlântica na Costa do Cacau abriga umas das maiores biodiversidade de fauna e flora endêmicas do mundo! Seus serviços ambientais são inúmeros e cumprem funções essenciais para os humanos, como provimento de água potável, solo fértil e ar puro, beneficiando até a vida no oceano.

O Movimento enfatiza que o Governo da Bahia está prestes a cometer um crime ambiental, um escândalo de relevância mundial, desconsiderando grotescamente que essa região faz parte do patrimônio mundial da UNESCO, e que esse porto seria implementado ao lado de Áreas de Preservação Ambiental como a Lagoa Encantada, onde já estão acontecendo invasões, e com isso desmatamento, por pessoas vindo de todos os cantos na esperança de conseguir um emprego na obra do porto.

O Movimento explica que, para ganhar a aprovação da opinião pública, tem-se disseminado um discurso falacioso de que seriam gerados cerca de 10 mil empregos na mina de Caetité, 2 mil na obra do porto, e mais 450 no funcionamento do porto.

“No entanto, o porto afetaria milhares de nascentes, rios, manguezais, corais e a fertilidade dos solos, prejudicando uma cadeia produtiva que já garante trabalho para milhares de agricultores, pescadores e marisqueiras. Até a saúde pública seria piorada, o ar sendo contaminado pelo pó de ferro transportado nos vagões trazidos pela ferrovia”, ressalta o movimento. .

Ademais o projeto poderá desabastecer a região, devido a inviabilidade de captação de água para o empreendimento. Isso, consequentemente, afetaria a produção do alimento da região. Outro ponto preocupante é que, atraídos por possíveis propostas de trabalho, pessoas passariam a residir na região, aumentado uma população potencialmente marginal, facilmente cooptada para a prostituição e o tráfico.

Portanto, em contrapartida a um projeto que pouco agregaria ao sul da Bahia seria comprometido os milhares de empregos que já existem nos setores do turismo – atividade econômica mais importante da região – da agricultura familiar, da pesca, do cacau Cabruca e do chocolate ‘bean-to-bar’.

Conflito do porto até a mina

O movimento explica que nos municípios de Caetité, Pindai e Guanambi, os impactos socio-ambientais causados pelo projeto de mineração (Pedra de Ferro) da BAMIN são incalculáveis.

A empresa pretende construir uma barragem de rejeito 15 vezes maior de que a de Brumadinho, em uma área de rio perene, onde se encontram muitas nascentes de água doce subterrâneas. Milhares de famílias poderão ter seu abastecimento de água prejudicado.

Durante a exploração, a BAMIN poderá consumir até 770 mil litros de água por hora, mais do que consomem os 86 mil habitantes de Guanambi, em uma região semi-árida do alto sertão baiano!

O projeto corta o território desrespeitando qualquer modo de cultura, socialização e meios de retirada do sustento dos camponeses, hoje expostos a poeira, explosões e fluxos de caminhões e maquinas pesadas em estradas que eram de circulação da comunidade.

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