Moradores do Saboó pedem mais atenção do poder público
Problemas foram apresentados em recente audiência pública

Carlos Ratton
11.07.2026
Fotos: Prefeitura de Santos/Victória Muniz e Gabriel Dias (Câmara de Santos)
O bairro do Saboó, um dos mais tradicionais de Santos (SP), situado entre a Zona Central e a Zona Noroeste, cortado pelas avenidas Martins Fontes e Nossa Senhora de Fátima, vias essenciais e praticamente rota certa de entrada e saída da cidade, não vem fazendo jus a sua história aos olhos do poder público.
Em recente audiência pública, encabeçada pela vereadora Débora Camilo (PSOL), os moradores do Saboó e, ainda, da Vila Pantanal, comunidade inserida nele que luta por reconhecimento urbano e social há anos, informou que é preciso que a Prefeitura de Santos resolva problemas que já não deveria existir, relacionados a saúde – básica e mental - educação e limpeza urbana.
Na área da saúde, por exemplo, a comunidade requer ampliação da rede de Atenção Primária à Saúde e da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), fundamentais para garantir atendimento humanizado, acesso oportuno aos serviços e a redução das desigualdades territoriais no Município.

Bairro do Saboó
A população precisa de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), um dos Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) e uma Unidade Básicas de Saúde (UBS) para na promoção, prevenção de agravos e cuidado integral da população, incluindo outros equipamentos públicos de convívio e bem estar que fomentem qualidade de vida.
Neste sentido, Débora está cobrando da Prefeitura se existe estudo técnico, planejamento ou projeto para a implantação de uma nova Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro do Saboó e, em caso positivo, em qual estágio em que se encontra e o cronograma previsto.
Também se existe previsão para a implantação de um CAPS ou de um CAPSi nele ou em sua região de abrangência. Em caso positivo, pede para informar o planejamento, a modalidade do serviço, a localização prevista e o cronograma para sua implantação.
Ainda se há levantamento da demanda reprimida por atendimentos de saúde mental e de atenção básica da população residente no bairro, quais os equipamentos de saúde atualmente atendem a população para os serviços de atenção básica e saúde mental e a capacidade de atendimento e a área de abrangência de cada unidade.

Débora Camilo
Vila Pantanal
No caso da Vila Pantanal, a dificuldade de acesso ao CRAS “compromete diretamente a obtenção de serviços socioassistenciais básicos, especialmente a atualização do Cadastro Único (CadÚnico)”, aponta a vereadora.
A ausência ou desatualização desse cadastro gera inúmeros prejuízos às famílias, que acabam impedidas de acessar políticas públicas essenciais, como programas de transferência de renda, benefícios eventuais e a tarifa social de serviços básicos, a exemplo do fornecimento de água (tarifa social da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
“Tal cenário agrava a vulnerabilidade social já existente na comunidade, ampliando as desigualdades e dificultando a garantia de direitos fundamentais”, explica.
A parlamentar salienta que muitas famílias encontram obstáculos relacionados à distância, custos de deslocamento, falta de informação e dificuldades de agenda para comparecer ao equipamento público, o que torna necessária a adoção de medidas descentralizadas e acessíveis por parte do Poder Público.
Débora Camilo pede um mutirão do CRAS na Vila Pantanal com a oferta de atendimento itinerante, visando à atualização e novos cadastros no CadÚnico, orientação sobre benefícios socioassistenciais e encaminhamentos necessários. A iniciativa contribuirá para ampliar o acesso da população aos seus direitos, fortalecer a rede de proteção social e garantir maior dignidade às famílias da comunidade.
Trânsito, lixo e vagas
Considerando o crescente número de relatos de moradores acerca da ocorrência de acidentes de trânsito no Saboó, especialmente em vias de grande circulação de veículos e de pedestres, a parlamentar quer saber qual o número de acidentes de trânsito registrados no bairro nos últimos cinco anos, discriminados por ano. Solicita que os dados sejam apresentados por via pública, indicando os cruzamentos ou trechos com maior incidência de acidentes.
Débora Camilo recebeu informação da população sobre a necessidade de aumento do número de contentores de lixo. O bairro está ficando com lixo acumulado, causando risco sanitário e preocupação na população do entorno, que já solicitou os contentores por diversas vezes. Na área da educação, a maior preocupação é referente a falta de vagas em creches. As crianças estão sendo direcionadas para unidades distantes de suas residências.

Vila Pantanal
Urbanização
Vale lembrar que existe a possibilidade da Vila Pantanal receber urbanização ano que vem por estar contemplada no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma iniciativa do Governo Federal, da própria comunidade e do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).
A juíza da 3ª Vara da Fazenda de Santos, Ariana Consani Brejão Degregório Gerônimo, já deu cumprimento à sentença do processo envolvendo uma ação civil pública de obrigação de fazer, movida pelo MP-SP contra a Prefeitura de Santos, aplicando multa diária de dois mil reais pelo não cumprimento do processo de regularização e urbanização da Vila Pantanal.
A regularização visa dar dignidade a centenas de famílias que residem próximas à entrada de Santos e ação foi i interposta pelo promotor público Adriano de Souza, com aval da Procuradoria Geral de Justiça do Estado.
O Tribunal de Justiça do Estado (TJE-SP) já determinou a regularização urbanística da ocupação, com emissão da respectiva Carta de Regulamentação Fundiária (CRF). A ação visa responsabilização do Município pelo fato de ter deixado de adotar providências inerentes ao seu poder de polícia para coibir as invasões.
No ano seguinte à ocupação (1998), a Administração Pública prometeu urbanizar e regularizar referida área, solucionando o passivo ambiental e oferecendo moradia digna aos seus ocupantes – boa parte formada por crianças e idosos.
Há anos a comunidade reivindica coleta de lixo eficiente, limpeza e manutenção do esgoto, criação de esgoto pluvial, pavimentação, construção das tampas das caixas de esgoto na rede do CET e criação de uma quadra poliesportiva garantindo às crianças o mínimo de cultura e lazer, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
As pessoas especiais são as que mais sofrem por falta de mobilidade. Há dificuldades de acesso até para o corpo de bombeiros e ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Vielas estreitas e sem sol, calçamento irregular, iluminação pública precária, sistema de esgoto insuficiente e outros problemas urbanos fazem com que a Vila seja totalmente insalubre.

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