Mourão defende esforço conjunto para minimizar enchentes na região
Carlos Ratton

Carlos Ratton
26.03.2026
Fotos e imagens: Funbea/Semil, Tony Valentte
O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista (CBH-BS), prefeito de Praia Grande Alberto Mourão (MDB), defende um esforço dos nove municípios e das universidades públicas e particulares da região para a implantação de um grande projeto de desassoreamento de canais e rios, em conjunto com o Canal do Porto de Santos, visando acabar de vez com as enchentes que, ano a ano, geram desabrigados e prejuízos financeiros para os governos municipais e o do Estado de São Paulo.
Mourão refere-se aos canais internos e rios de pequena extensão, nascidos na Serra do Mar, que atravessam a planície litorânea, formando manguezais e desaguando em estuários.
A Bacia hidrográfica atinge as nove cidades da Baixada e os rios da região são Cubatão, Mogi, Quilombo, Itapanhaú, Itatinga, Guaratuba, Branco (ou Boturoca), Preto, Jurubatuba e Aguapeú. Em Santos e São Vicente, destacam-se rios que cortam a área urbana Saboó, Lenheiros e São Jorge. Os estuários de Santos e São Vicente interligam as águas da serra ao Oceano Atlântico. Canais e áreas de maré são essenciais para o transporte e a ecologia costeira.

O presidente do CBH-BS sugeriu a mobilização na última quarta-feira (25), no Palácio das Artes, no Boqueirão, em Praia Grande, durante a 73ª reunião da entidade. O Comitê é um fórum de diálogo e decisão, reunindo diferentes setores para discutir soluções conjuntas voltadas à gestão responsável dos recursos hídricos e à melhoria da qualidade de vida da população.
Em entrevista aos Inconfidentes após a reunião, Mourão disse que o Comitê não tem recursos para fazer um trabalho de desassoreamento. Explicou que toneladas de material foram se acumulando nos rios, braços de mar, canais da bacia durante mais de 40 anos e nada foi feito. E isso foi diminuindo a capacidade de recebimento de água.
“O Canal do Estuário está dragado somente até o último terminal do Porto de Santos. Depois, percebe-se que as margens vão se estreitando e a profundidade vai diminuindo. Se não fizermos dragagem pós-estuário, não melhoraremos a capacidade de recebimento de água. Precisamos tirar os sedimentos que estão no fundo dos canais e rios para aumentar o tamanho da bacia”, defende Mourão.
Segundo o prefeito de Praia Grande, além de diminuir os alagamentos nas cidades, esse projeto poderia beneficiar até o Porto de Santos, porque diminui a necessidade de desassoreamentos também.
“Você virando pra esquerda ou pra direita do Canal do Porto de Santos e segue para Bertioga ou para São Vicente. Os canais, rios e braços de mar precisam desobstruídos e aumentar a capacidade de recebimento de água”, explica.

Prefeito Alberto Mourão
Projetinho
“Todo mundo fala que tem que resolver essa questão, que tem que enfrentar as enchentes e coloca o culpa nos municípios. Mas, na verdade, estrutura deveria vir dos governos estadual e federal. Não adianta fazer lei mandando, se a grande obra estrutural tem que ser feita por eles”, aponta.
O presidente do CBH-BS continua: “quanto custa a dragagem do Porto de Santos? Seiscentos milhões por ano? Você acha que vai ser barato desassorear a região? O trabalho tem que ser bancado pelo Estado ou pela União. Por isso que eu estava provocando o meio acadêmico, porque ele é que tem que fazer essa provocação. Temos que abrir os olhos e não ficarmos só aprovando ‘projetinho’” que não vai resolver nosso problema”, finaliza Mourão.
A reunião
O encontro contou com representantes do poder público, instituições técnicas e sociedade civil para a discussão de ações estratégicas voltadas à gestão dos recursos hídricos e à prevenção de riscos ambientais na região.
Também com apresentações técnicas sobre a atuação da Sala de Situação da Baixada Santista em apoio às Defesas Civis no período de 2025-2026, além da exposição de resultados do projeto de apoio à elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos da UGRHI-7, financiado pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) do Governo de São Paulo.

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