Museu de Pesca de Santos (SP) volta a ser tema na Câmara

Vereador Fábio Duarte que que Prefeitura de Santos cobre o Estado sobre restauro do imóvel

Museu de Pesca de Santos (SP) volta a ser tema na Câmara

Carlos Ratton

06.07.2026

Foto: Instituto de Pesca/Victória Muniz e Gabriel Dias (Câmara de Santos) 

Fechado desde outubro de 2022, o Museu de Pesca, em Santos (SP), administrado pelo Governo do Estado, mesmo com a conclusão das obras internas, continua sem prazo para voltar a receber visitantes e volta a ser alvo de críticas na Câmara de Vereadores, por intermédio do vereador Fábio Duarte (PL). 

“O avanço do projeto segue travado por etapas burocráticas que ainda impedem o início do restauro externo do prédio histórico. Segundo a Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, pasta responsável pelo equipamento, as intervenções internas de hidráulica e elétrica foram finalizadas ao longo de 2025. No entanto, a próxima fase das obras depende do restauro da parte externa do edifício, que é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat)”, lembra o parlamentar em requerimento encaminhado à Prefeitura de Santos, solicitando providências junto ao Governo do Estado

Fábio Duarte salienta que, em dezembro de 2025, foi autorizada a abertura do edital para a contratação da empresa responsável por essa etapa. “A sessão de licitação está prevista para as próximas semanas, mas o início efetivo das obras ainda depende da conclusão do processo licitatório, da aprovação do projeto e da liberação de recursos”.

Segundo levantado, o prazo estimado para a execução do restauro externo é de 15 meses, respeitando todos os trâmites legais exigidos para imóveis tombados, com o objetivo de garantir uma reabertura segura e definitiva do museu.

“Inicialmente, a reabertura do Museu de Pesca estava prevista para o segundo semestre de 2024. No início de 2025, o prazo foi revisto para o fim do ano, mas novas atualizações acabaram ampliando novamente o cronograma. Caso todas as etapas ocorram dentro do prazo previsto, o equipamento cultural poderá permanecer fechado por aproximadamente cinco anos, incluindo períodos de alta temporada turística”, lamenta.

No meio da sessão do último dia 30, véspera do recesso, Duarte disse aos Inconfidentes que sua indignação é a mesma de milhares de santistas e turistas que tem que conviver com um equipamento de tal importância sem utilização em plena orla da praia.

“Infelizmente, uma obra daquela imponência, um museu daquele tamanho, fechado. E ainda de frente para a praia. Quanto tempo vai acontecer isso (a licitação). Vai abrir uma licitação para reforma externa só é para um, dois, ou três anos para frente. Quem está cuidando do acervo? Tem peças que apodrecem se não tiver uma manutenção bem feita. Não sei se os funcionários foram deslocados ali por não ter trabalho. Não sei o que aconteceu. O que eu vejo é aquele prédio todo atrás praticamente abandonado. O que eu vão fazer? Precisamos de resposta claras”, desabafa.

Vereador Fábio Duarte

Museu

Conforme histórico divulgado pelo Instituto de Pesca, o tem finalidades culturais e objetiva a divulgação de conhecimentos originados do estudo do ambiente aquático e da tecnologia aplicada para a exploração racional de recursos marinhos e de águas continentais.

É sua função ainda desenvolver atividades educativas não formais, com o intuito de criar ou descobrir e estimular mentalidades dirigidas à correta utilização dos recursos naturais sob exploração pela atividade pesqueira.

O Museu de Pesca tem também um outro importante papel ao se relacionar com a cidade de Santos desde os primórdios de seu surto desenvolvimentista, uma vez que sua sede atual, construída no local de uma fortificação datada do século XVIII, abrigou inicialmente a Escola de Aprendizes-Marinheiros, e, depois, a partir de 1933, o Instituto de Pesca Marítima, nome pelo qual passou a ser denominada (a partir de 1932) a Escola de Pesca do Estado de São Paulo, fundada em 1928, no Guarujá.

Portanto, um prédio histórico, de localização privilegiada e que oferece ao visitante a experiência de estar em uma construção antiga e apreciar uma belíssima paisagem por meio das janelas do piso superior.

O acervo do Museu de Pesca é composto por exemplares de diversas espécies de peixes, crustáceos, aves e mamíferos marinhos taxidermizados ou suas ossadas, conchas de moluscos, areias; além de maquetes de embarcações, aparelhos e equipamentos utilizados na pesca e em pesquisa oceanográfica, obras artísticas etc. Para o grande público, as principais atrações são um imponente esqueleto de baleia Finn (Balaenoptera physalus) com 17 metros de comprimento (23m quando viva) e sete toneladas, além de diversos e exemplares de tubarões.

Em 2019 o Museu recebeu cerca de 50 mil visitantes. Em 2020 e parte de 2021 o espaço precisou ser fechado devido à pandemia da Covid-19, sendo reaberto em 2022, quando entrou em uma grande reforma de infraestrutura, a qual está em andamento.

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