Nos discursos nas redes frente ao caos da falta de água, Sabesp é cobrada. Tarcísio, não

Nos discursos nas redes frente ao caos da falta de água, Sabesp é cobrada. Tarcísio, não  Carlos Ratton

Nos discursos nas redes frente ao caos da falta de água, Sabesp é cobrada. Tarcísio, não

Nos discursos nas redes frente ao caos da falta de água, Sabesp é cobrada. Tarcísio, não

 Carlos Ratton

03/01/2025

Fotos: Divulgação Alesp/Facebook/Agência SP/PMS 

Dois mil e vinte seis é um ano eleitoral. E a falta de água que, até então, só atingia bairros menos nobres da Baixada Santista e, agora, chega aos da orla regional, poderá ser o grande teste para saber se o ditado popular “o povo tem memória curta” se confirma.

Antes da virada do ano, Os Inconfidentes publicaram uma reportagem em que o especialista em abastecimento Amauri Pollachi antecipava o caos e culpava a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) como a verdadeira vilã do problema. Leia mais em https://osinconfidentes.com.br/agua-caos-na-baixada-santista-preve-especialista/

Passada a queima de fogos, parte dos representantes dos poderes Executivo e Legislativo resolveram usar as redes sociais – e somente elas – para cobrar a ex-estatal quando, na verdade, a cobrança deveria ser direcionada principalmente ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que bateu o martelo da privatização (foto).

As iniciativas online em tom de indignação lembram até um outro ditado popular: “eu conto o milagre (da falta de água), mas não conto o santo (Tarcísio)”. Os Inconfidentes acompanharam algumas postagens e comentários para poder justificar as informações acima.

A vice-prefeita de Santos, Audrey Kleys (NOVO-foto), por exemplo, talvez empolgada por ter sido a mais lembrada numa pesquisa realizada pelo Enfoque/Boqnews para uma vaga na Assembleia Legislativa, foi logo se manifestando em seu perfil, cobrando até os deputados (a) da Baixada.

“Tenho recebido em minhas redes reclamações de falta d’água na Baixada Santista, como vice-prefeita de Santos estou em contato diariamente com a Sabesp sobre alguns endereços que mais preocupam em nossa cidade. A Sabesp precisa atuar na prevenção e principalmente intensificar as campanhas de conscientização. Tomar providências urgentemente para evitar que famílias tenham tantos transtornos. Estamos fazendo a nossa parte no município e precisamos dos representantes do Estado para somar forças na região”, publicou sem citar Tarcísio.

Ao mesmo tempo que Audrey, o prefeito Rogério Santos (do partido do governador) também usou as redes sociais: “Estamos acompanhando, em conjunto com a Sabesp, o monitoramento e as ações para a solução da falta de água registrada em alguns bairros...seguiremos acompanhando de perto a situação”, escreveu entre outras considerações Rogério Santos, também sem citar Tarcísio.

Ainda do lado Executivo, o prefeito de São Vicente, Kayo Amado (Podemos), ‘rei das redes sociais’ e presidente do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (Condesb) chegou mencionar a palavra catástrofe ao se referir a crise hídrica a qual sua cidade atravessa.

Disse que vai cobrar a Sabesp, que a população de São Vicente está cobrando pouco a ex-estatal em relação a outros municípios, mas nada sobre reunir os prefeitos para cobrar Tarcísio. Só lembrando que o Condesb é o órgão colegiado que reúne prefeitos da região e representantes do governo estadual para discutir e deliberar sobre assuntos de interesse comum.

Legislativo

No poder Legislativo Estadual, a deputada Solange Freitas (União), partido que dá sustentação ao Governo Estadual, também resolveu se manifestar em vídeo, em que garante que irá cobrar a Sabesp, mas ‘esqueceu-se’ de Tarcísio

Seus colegas de plenário também da Baixada – Tenente Coimbra e Paulo Mansur (PL) e Paulo Corrêa Júnior (PSD) – partidários de Tarcísio, não se manifestaram até agora. Somente Caio França (PSB) demonstrou, antes da privatização e após ela, cobrança por uma solução definitiva para o fim da falta de água na região.

Federais

Apesar da questão ser estadual e não federal, a deputada Rosana Valle (PL), aliada da Tarcísio – e o deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) – não menos aliado do governador de São Paulo – parece que disputam as mesmas preocupações: túnel submerso e aeroporto de Guarujá. Duas verdadeiras lendas urbanas. Cobrar Tarcísio, nem pensar.

Vale lembrar que Audrey Kleys, Solange Freitas e Rosana Valle são jornalistas por formação. Mas parece que, ao se tornarem políticas, esqueceram de cobrar a pessoa certa. O deputado Delegado Da Cunha sequer se manifesta sobre qualquer assunto da Baixada a qual foi eleito, quanto mais cobrar Tarcísio.

UVEBS  

O único órgão que tentou cobrar resultados da Sabesp foi a União dos Vereadores da Baixada Santista (UVEBS), que realizou audiências com a ex-estatal para discutir os serviços de água e saneamento prestados pela companhia na região.

Na primeira delas, a em 5 de setembro, vereadores de nove municípios e representantes do Sindicato dos Urbanitários (Sintius) apresentaram queixas da população sobre falta de água, qualidade do abastecimento, obras inacabadas e demissões após a privatização da empresa. A Sabesp, embora convidada formalmente, não compareceu.

Vulneráveis

O desabastecimento em várias cidades está atingindo em cheio a população mais vulnerável, causando transtornos incalculáveis à população da região. A falta de água que já chegou à orla de Santos, por isso a grita geral, desde antes do Natal já castigava Cubatão, São Vicente, Guarujá e Praia Grande. A falta do líquido impede as pessoas de realizarem não só a higiene pessoal, como a preparação das refeições.

O sofrimento é duro e silencioso. Crianças e adultos carregando baldes, improvisando banhos em córregos e recorrendo à solidariedade de vizinhos para beber água virou rotina.     

Apesar das inúmeras reclamações e promessas de solução, a Sabesp segue sem atender adequadamente a população mais vulnerável, apesar do governador Tarcísio de Freitas ter prometido o contrário no Parque Valongo, em Santos, no início do ano passado, ao lado do CEO da Sabesp, Carlos Piani e de muitos políticos citados nessa reportagem.

Sabesp

Em uma resposta recente fora do padrão (que são problemas pontuais solucionados conforme a demanda) a Sabesp justifica que o sistema integrado de abastecimento de água da Região Metropolitana da Baixada Santista segue em processo de recuperação, após dias de interrupções causadas por temperaturas elevadas e aumento expressivo no consumo.

Garante que em Santos e São Vicente as intermitências no fornecimento de água já foram normalizadas, enquanto em municípios como Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande e na área continental de São Vicente, o sistema ainda passa por recuperação.

A empresa destacou que uma interrupção no fornecimento de energia elétrica, na tarde desta sexta, na estação de tratamento de água Mambú/Branco, paralisou o tratamento e o bombeamento de água, prolongando a normalização gradual do abastecimento e podendo causar oscilações na pressão.

Como medida preventiva, a Sabesp reforçou o abastecimento com caminhões-pipa e mantém equipes dedicadas para restabelecer o fornecimento de forma contínua.

A companhia explica que a recuperação do sistema costuma ocorrer principalmente no período noturno, quando a demanda diminui, e reforça a importância da colaboração da população para evitar desperdícios.

O alerta inclui recomendações como priorizar atividades básicas de higiene e alimentação, evitar lavar carros e calçadas, encher piscinas ou utilizar água para fins não essenciais. Imóveis com reservatórios adequados devem sentir menos os efeitos das oscilações.

A Sabesp mantém canais de atendimento para dúvidas e solicitações pelo telefone 0800-055-0195, WhatsApp (11) 3388-8000 ou pela Agência Virtual, no site da empresa.

Para grande parte da população, com a privatização da tão lembrada Sabesp pelos políticos da região, o serviço só piorou e ainda vai piorar mais.

A partir deste mês, a conta vai subir 6,11% (Tarcísio dizia que isso não aconteceria). Resta se conformar com as torneiras secas ou fazer o que o prefeito de Santos está fazendo: acompanhando o trabalho da Sabesp privatizada.     

 

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