O caos não é acidente. É o bolsonarismo governando São Paulo
O caos não é acidente. É o bolsonarismo governando São Paulo Por Alexandre Miguel de Souza

O caos não é acidente. É o bolsonarismo governando São Paulo
Por Alexandre Miguel de Souza
18/12/2025
Tarcísio de Freitas é o bolsonarismo em seu estado mais puro. E o resultado está aí para quem quiser ver: milhões de pessoas sem luz e sem água, prejuízos bilionários e centenas de voos cancelados após um vendaval histórico em São Paulo.
O estado que teve papel central na economia cafeeira do Brasil — sustentada pela mão de obra escravizada — ainda carrega vivas as estruturas e mentalidades daquele período.
Esses legados não ficaram no passado: eles se atualizam nas políticas públicas, nas prioridades do poder e na forma como determinadas vidas seguem sendo tratadas como descartáveis.
Apesar de toda a riqueza produzida, São Paulo é profundamente desigual. Essa disparidade revela como as elites econômicas continuam a se beneficiar de um modelo excludente, exploratório e concentrador, que muitos críticos associam, de forma metafórica, à lógica da escravidão: poucos lucram, muitos pagam o preço.
Vamos analisar com honestidade:
Quem sofre primeiro e mais intensamente com a falta de água?
Quem fica dias sem luz?
Em termos percentuais, qual é a cor da pele da maioria dos afetados?
Quem é sistematicamente o alvo da violência policial?
A resposta é conhecida. A crise climática expõe, mais uma vez, que o abandono do Estado tem endereço, CEP e cor. Não é incompetência apenas — é escolha política. Uma política que naturaliza a morte, o sofrimento e a exclusão. Isso tem nome: política de extermínio.
A direita que governa não vem para cuidar do povo. Vem para roubar direitos, matar pela omissão e destruir o que ainda resta de políticas públicas. O caos não é acidente. É projeto.
Alexandre Miguel de Souza é escritor e poeta santista

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