O drama da saia justa e do VAR Parlamentar: quando um voto estraga o buffet da elite vira-lata o 13 vira o pesadelo dos burocratas

Por CristianoTorres1977
03.07.2026
Foto: Tony Valentte
Que dia trágico para a aristocracia de Santos. Quem diria que a matemática básica do Regimento Interno da Câmara — aquela ciência oculta que exige 14 votos — seria a grande vilã de uma terça-feira iluminada? Por causa de míseros 140 gramas de bom senso (ou de um parlamentar que preferiu atender o telefone a bater palma para burocrata), a Medalha Braz Cubas do secretário de Governo, Fábio Ferraz, ficou presa na alfândega do plenário.
É realmente comovente ver o desespero do vice-líder do governo tentando inventar o "VAR legislativo". O presidente da Casa teve que explicar o óbvio, numa metáfora digna de várzea: "é como bater o pênalti de novo se o chute for para fora". Que crueldade. Onde já se viu exigir que políticos sigam as regras do jogo quando o assunto é bajular os amigos do Rei?
Mas o verdadeiro drama não está na ata; está no estômago. O buffet já estava quase contratado, as taças de espumante quase polidas e a data reservada para aquela auto-exaltação mútua que a máquina pública tanto adora fazer com o dinheiro do contribuinte. Tudo cancelado ou adiado porque faltou um voto. Um único e solitário voto.
E que ironia mais perfeita: enquanto eles choramingam por não poder brindar com vinho fino e comer salgadinhos de luxo, o povo da Vila Pantanal e de toda a Baixada Santista brinda com água barrenta, fedorenta, que parece saída de um esgoto a céu aberto — e ainda tem que pagar caríssimo por esse "privilégio", depois que esses mesmos senhores venderam a Sabesp a troco de nada, entregando o nosso bem mais precioso nas mãos de quem só quer lucrar, nem que para isso deixe a população na mais completa escuridão hídrica.
Esse placar de 13 votos é pura poesia irônica. Ele mostra que, mesmo dentro daquele covil onde a regra é fingir que está tudo bem enquanto o povo é explorado, nem todo mundo aceitou a coleira de vira-lata. Se até ali dentro o quórum racha, imagine o tamanho do estrago que a sociedade santista pode fazer do lado de fora, cansada de ser tratada como lixo enquanto a elite se enche de honrarias que não merece.
Fica o aviso para quem governa de mãos brancas e luvas de pelica, enquanto a máquina pública e a força do Estado sufocam o cidadão: a soberba de quem se acha intocável costuma tropeçar em detalhes bem pequenos. Tipo um voto.
Que em agosto eles tentem de novo o milagre da multiplicação dos bajuladores, mas a mensagem das urnas invisíveis já foi dada: a esperança de faxinar essa sala está bem viva. E o salgadinho do buffet vai ter que esperar — talvez eles devessem trocar o espumante pela água suja que eles mesmos nos serviram, para provar do próprio remédio.
O 13 como o pesadelo dos burocratas e o brilho do Brasil
Vejam que ironia maravilhosa: o número 13 desponta agora como o indicador exato da rejeição desses burocratas de plantão que controlam a máquina. A sociedade santista e de toda a Baixada tem que ficar extremamente atenta aos sinais divinos da urna para as eleições do fim de ano.
É hora de abrir o olho para escolher o próximo presidente da República, o governador do Estado de São Paulo, Senadores, além dos deputados estaduais e federais que vão representar a nossa região no Congresso Brasileiro e na ALESP.
Como o destino gosta de debochar dos arrogantes, o próprio placar da Câmara mostra o caminho: o 13 surge para ser o número mais votado nessas eleições, o remédio exato para manter o Brasil na crescente econômica e arrebentar de vez as correntes de vira-latismo impostas pelos colonizadores e exploradores norte-americanos e europeus.
É o número para colocar o Brasil no topo do cenário mundial de desenvolvimento Geopolítico e de IDH, fazendo a nação brilhar intensamente, sem dar espaço para os vendilhões da Casta Branca Burguesa Escravagista que exalam as naftalinas da Ditadura de Santos, aquele cheiro forte de coisa velha, de autoritarismo e de privilégios que não morre nunca, só se esconde atrás de discursos bonitos.
Esses são os mesmos que venderam a Sabesp, que entregaram o saneamento básico da população paulista, que deixaram a Baixada Santista abandonada à própria sorte, onde a água que chega às torneiras é mais suja do que a do rio que deveria ser tratada, e onde o povo paga tarifas salgadas para receber um serviço que nem animal iria aceitar beber. Eles querem medalhas, festas e elogios, mas não sabem nem garantir o direito mais básico de qualquer ser humano: água limpa.
Para desespero da elite, o 13 é o maior indicador real de empregabilidade, moradia, saúde, educação e qualidade de vida. Sendo assim, o vira-latismo santista que comande as lágrimas, pois vai ter que amargar com o 13 o fim do puxa-saquismo histórico de quem adora vender as nossas estatais para deixar Santos e toda a Baixada Santista nesse Estado lamentável de abandono absoluto do básico para a vida — a nossa água. Que engulam o 13 a seco, junto com a água suja que eles nos obrigaram a tomar.

Cristiano Torres é professor especialista pesquisador CAPES mestrando em Letras e analista crítico das desigualdades sociais.

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