O Fantasma do Terror e a Nova Doutrina Monroe: O Brasil à Venda no Balcão de Negócios do Tio Sam

Por Odair Dias Filho
30.05.2026
“O senhor da guerra não gosta de crianças” – nos recorda Renato Russo. E, de fato, os senhores da guerra contemporâneos, aqueles que habitam os gabinetes de Washington, possuem uma aversão patológica não apenas à infância, mas à própria maturidade de nações que ousam reivindicar sua soberania. Hoje, a geopolítica é redesenhada conforme a conveniência da balança comercial alheia, e o Brasil, infelizmente, caminha para se tornar o protagonista de uma tragédia anunciada.
A Armadilha da Discricionariedade
Nos Estados Unidos, a designação de uma Foreign Terrorist Organization (FTO), baseada na Seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade, é um ato administrativo, discricionário e puramente político. Não se trata de justiça; trata-se de controle.
Quando o Brasil, sob a pressão de uma extrema direita que confunde o patriotismo com a submissão, flerta com a classificação do PCC e do CV como "organizações terroristas", ignoramos o abismo jurídico.
A Lei Antiterrorismo brasileira (Lei nº 13.260/2016) foi desenhada com critérios rigorosos justamente para evitar que o Estado brasileiro se tornasse um braço executor de agendas de segurança estrangeiras.
Importar semânticas americanas não é combater o crime; é abrir as portas da nossa soberania para que agências de inteligência alheias operem internamente sob o pretexto de "segurança global". É a reedição da Doutrina Monroe em pleno século XXI, onde o "inimigo" é definido por quem deseja capturar os nossos espólios.
A Geopolítica do Saque
Não nos iludamos: o interesse pela "terrorização" do nosso crime organizado tem nome e sobrenome. O alvo não é o tráfico, são os setores estratégicos: nossas terras raras, o potencial mineral, a biodiversidade amazônica e a autonomia do nosso programa nuclear. A política estadunidense, operacionalizada por mecanismos de monitoramento financeiro e controle de cadeias de suprimentos — onde a fiscalização de fintechs e da cadeia de combustíveis serve como cavalo de Troia — é a nova roupagem do colonialismo.
É aqui que a máscara da extrema direita "nacionalista" cai. Não são herdeiros de um projeto de nação; são síndicos de uma liquidação. É urgente questionar até onde vai a autonomia parlamentar de figuras como Flávio Bolsonaro, que, ao militar pela expansão de funções discricionárias que comprometem a independência nacional, parece mais preocupado em facilitar o saque de nossos ativos do que em garantir a ordem pública.
O Leilão do Século
A insistência nessa pauta é o prelúdio da entrega definitiva. Estamos testemunhando a operacionalização da letra da canção de Raul Seixas em "Aluga-se", onde o país é ofertado em um balcão de negócios para quem pagar mais — ou para quem nos vender a "segurança" que nós mesmos deveríamos garantir. Como o próprio Raul profetizou:
"A solução é alugar o Brasil! / Nós não vamos pagar nada! / É tudo free! / Vamos lotear o que sobrou..."
É exatamente isso o que se desenha nos bastidores: o loteamento do território nacional, a entrega de nossas reservas e a soberania colocada à venda. O nacionalismo libertador não se coloca de joelhos; ele defende fronteiras, defende recursos e, acima de tudo, não permite que a jurisdição nacional seja um apêndice de interesses que nos veem apenas como uma commodity a ser explorada.
Que o nosso futuro não seja apenas o saldo dessa conta paga com a nossa própria liberdade. O Brasil não é uma franquia.

Odair Dias Filho é professor universitário, pesquisador, assistente social e poeta

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