Paciente é constrangida e sofre ameaças de funcionários do CAPS Zona Noroeste
As cenas estão registradas em vídeo da página Santos Antimanicomial, no Instagram. Prefeitura informou que os servidores envolvidos no caso foram advertidos e transferidos de unidade

Sandro Thadeu
21.08.2026
Imagem: Reprodução/Instagram
Conhecida como uma cidade-símbolo na luta antimanicomial, Santos registrou uma cena que contraria essa trajetória, trazendo à tona situações que remetem a um passado sombrio. Na última quinta-feira (20), por volta das 17 horas, uma paciente do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Zona Noroeste foi submetida a ameaças e constrangimentos por servidores.
Divulgadas em um vídeo publicado pela página Santos Antimanicomial, no Instagram, as imagens mostram uma mulher recebendo um tratamento vexatório de funcionários dessa unidade municipal de Saúde Mental localizada no bairro Bom Retiro.
Os fatos também foram mencionados em um Boletim de Ocorrência (BO) registrado ontem (21), no 5º Distrito Policial (DP) do Município, ao qual Os Inconfidentes tiveram acesso.
Quarto fechado e água fria
No vídeo, é possível perceber que a paciente está sentada na porta da unidade e passa a ser cobrada, repetidas vezes, para que se levante. Em determinado momento, após ela afirmar que estava tentando se erguer, um homem, que seria servidor do CAPS Zona Noroeste, rebate de forma ríspida, dizendo que a mulher consegue ficar de pé quando quer sair ou correr.
A gravação também revela uma clara ameaça envolvendo água fria: o mesmo funcionário abre uma contagem e afirma que colocaria a paciente “embaixo daquele gelado” caso não obedecesse.
Em seguida, a paciente é pressionada a pedir desculpas "direito" e responde chorando e pedindo perdão: "Pelo amor de Deus. Hum. Me perdoa. Com licença", justificando que queria apenas tomar um sorvete.
Logo depois, uma das funcionárias da unidade ameaça trancá-la em um quarto caso a situação se repita. “Da próxima vez, que não vai ter próxima vez, você vai ficar trancada no quarto, tá? Não vai sair para lugar nenhum”, garantiu essa servidora. Um terceiro funcionário teria permanecido no local, presenciando os fatos, sem intervir.
Situação recorrente
Um dos relatos registrados no BO aponta que os episódios de ameaça contra a paciente no CAPS Zona Noroeste não seriam isolados. Uma testemunha relatou à Polícia Civil já ter presenciado outras ocasiões em que o mesmo funcionário teria gritado com a mulher e dirigido a ela frases, como "vou contar até três, se não, você vai ver".
Esse tipo de situação mencionada acima gerava temor entre os demais pacientes da unidade quanto às consequências de um eventual descumprimento de ordens.
Ainda segundo o BO, uma testemunha revelou que, em outra ocasião, a mesma mulher teria sido conduzida à força ao quarto e orientada a permanecer no local. Tais fatos teriam sido presenciados por outros trabalhadores do CAPS.
Ação isolada
Em resposta ao caso, a Secretaria de Saúde de Santos informou que lamenta a atitude registrada e classificou o episódio como uma "ação isolada", que não reflete a conduta adotada atualmente pelo Departamento de Saúde Mental no atendimento aos usuários da rede.
Após tomar conhecimento dos fatos, a Prefeitura destacou que adotou medidas administrativas e que os funcionários envolvidos receberam advertência e foram transferidos de unidade. A pasta acrescentou que outras medidas de gestão ainda poderão ser tomadas.

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