PEC 6 X 1: morosidade revela um Senado de costas para o trabalhador
A proposta está parada desde que chegou da Câmara no dia 28 de maio sem sequer ter sido despachada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)

Da Reportagem
18.06.2026
Foto: Carlos Moura - Agência Senado
A disputa entre governo e oposição pela relatoria da PEC (proposta de emenda à Constituição) que acaba com a escala 6x1 mantém indefinido o cronograma de tramitação da proposta no Senado Federal. A proposta está parada desde que chegou da Câmara no dia 28 de maio sem sequer ter sido despachada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Alcolumbre havia sinalizado uma reunião de líderes na semana passada para definir rito e relatoria da PEC que acabou sendo jogada para esta semana, mas não tem previsão de ocorrer pelo fato de os senadores não estarem em Brasília. Parlamentares de esquerda e direita articulam com Alcolumbre a indicação de um relator que consiga atender aos principais interesses de cada lado sobre a matéria.
A ideia do governo é manter o texto o mais parecido possível com o que foi aprovado na Câmara dos Deputados, no fim de maio. Para isso, o desejo é que um senador do próprio PT assuma a tarefa. Hoje, o nome de Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição, é o mais cotado.
Outros senadores petistas também apareceram como possíveis candidatos à disputa desde que o texto foi aprovado pelos deputados. Rogério Carvalho (PT-SE) passou a ser ventilado nos bastidores e é visto como um nome forte para assumir a relatoria. Outro que chegou a ser cotado foi Fabiano Contarato (PT-SE), mas o senador saiu dos holofotes nos últimos dias.
Já para a oposição, seria importante fazer mudanças no texto, especialmente no período de transição, considerado muito curto pelo setor empresarial. A PEC propõe uma transição de 14 meses para a redução da jornada atual de 44 horas para 40 horas semanais em duas etapas com diminuição de duas horas cada, sem redução de salários. A primeira será feita 60 dias depois da promulgação do texto. A segunda será feita 12 meses depois.
Para esse tipo de mudança, um dos senadores mais bem avaliados pela oposição é Efraim Filho (PL-PB). Além do alinhamento político, o senador é visto como capaz de costurar bons acordos, principalmente por já ter sido líder do União Brasil no Senado.
Na disputa entre os dois pólos, Alcolumbre deve escolher um meio termo. Nesse contexto, um dos favoritos nos corredores do Senado passou a ser Rodrigo Pacheco (PSB-MG). O senador mineiro é descrito como moderado e favorável à proposta, o que o tornaria uma escolha equilibrada para ambos os lados do espectro político.
Outros citados neste caminho são Omar Aziz (PSD-AM) e Eduardo Braga (MDB-AM). Aziz, no entanto, tem mais proximidade com o governo e tem uma certa rejeição dos opositores. Já Braga pode ser um nome de consenso, caso Pacheco não seja o escolhido.
O relator é uma peça-chave na disputa política em torno do fim da escala 6x1. Além de definir o número de sessões para discussão da iniciativa, o que determinará o tempo de tramitação da proposta, o responsável pela relatoria também decidirá se fará alterações no texto. Na Câmara, o nome escolhido foi o de Leo Prates (Republicanos-BA).
Em acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ele definiu que a redução da jornada seria para 40 horas semanais, com dois dias de folga e sem redução salarial. Ele também colocou no relatório o período de transição para a adaptação das empresas.
A demora de Alcolumbre para definir o cronograma e dar andamento à PEC tem irritado o governo. Senadores da base buscaram o diálogo com o presidente da Casa para tentar destravar o debate. O congressista também sinalizou que espera um contato do presidente Lula para dar andamento ao projeto. Essa ligação, porém, ainda não aconteceu.

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