Personagem criado pela Prefeitura vira alvo de críticas na Câmara de Santos
11.03.2026

11.03.2026
Sandro Thadeu
Imagens: Reprodução/Instagram
A criação do personagem Detetive Zelão pela Prefeitura de Santos provocou reação imediata na Câmara e dominou o debate da sessão de ontem. Vereadores da oposição e da base aliada do prefeito Rogério Santos (Republicanos) criticaram a iniciativa e questionaram o uso de recursos públicos na produção de vídeos nas redes sociais enquanto apontam problemas de zeladoria em diferentes regiões da cidade.
A proposta do Executivo é utilizar o personagem para acompanhar equipes operacionais, identificar pontos de melhoria e divulgar informações educativas sobre cuidados com o Município.
Apesar da boa intenção, a criação da Administração Municipal não foi bem recebida. Alguns legisladores classificaram a estratégia como “teatro” e “palhaçada”, além de cobrarem explicações sobre possíveis gastos com produção audiovisual e com a contratação de pessoal para dar vida ao personagem.
As manifestações ocorreram em diferentes momentos da sessão e reuniram críticas em tom duro e irônico.
Teatro no Executivo
Líder da Oposição na Câmara, o vereador Rui de Rosis Júnior (PL) criticou a iniciativa e afirmou que o personagem tem sido alvo de constrangimento nas redes sociais. “Essa administração acha que gravar um vídeo de ‘palhaçada’ no Instagram e ficar pagando influenciador pode esconder essas obscuridades, esses absurdos, essas promiscuidades que tomaram conta do governo municipal de Santos”, lamentou.
O parlamentar também questionou os custos da produção dos vídeos. “Tem gente filmando, editando, tem ator. A megalomania da Cidade está passando de todos os limites”, acrescentou.
O vereador Alisson Sales (PL) foi um dos mais enfáticos nas críticas e classificou a iniciativa como uma “encenação”. “Não é engraçado. É um teatro dentro do Poder Executivo, dentro de uma secretaria”, afirmou.
Para ele, a criação do personagem contrasta com problemas enfrentados pela Cidade. “Tem posto avançado de zeladoria do Zelão para todo lado, mas a zeladoria de verdade não existe”, ironizou.
21 palhaços
As críticas também vieram em tom de ironia. Adriano Piemonte (União) questionou o papel dos integrantes da Casa de Leis diante dessa inovação. “Agora, surgiu o artista, o Zelão. Fico pensando se aqui temos 21 Zelões ou se
somos 21 palhaços”, comentou.
Na tribuna, o vereador Rafael Pasquarelli (União), que faz parte da base aliada do prefeito, reclamou bastante da falta de ações de zeladoria nos bairros Macuco e Estuário. Ele informou ter protocolado um requerimento pedindo explicações sobre o Detetive Zelão, como quem contratou o personagem, qual o valor do serviço e quais recursos estão sendo utilizados na produção do conteúdo.
Recado do presidente
O presidente da Câmara, Adilson Júnior (PP), também comentou o assunto durante a sessão e criticou a ideia do Executivo de criar um personagem para fiscalizar a própria Administração Municipal. “Eu nunca vi alguém fiscalizar sem independência. A fiscalização deve ser feita por órgãos independentes, como a Câmara e o Tribunal de Contas”, pontuou.
Em tom de desabafo, o parlamentar afirmou que a Prefeitura deveria priorizar planejamento e gestão. “Antes de inventar essas coisas, é preciso fazer gestão e planejamento”, frisou.
Esvaziamento do Legislativo
Essa não é a primeira vez que os vereadores demonstram insatisfação generalizada com decisões administrativas do Executivo relacionada à zeladoria. Em abril do ano passado, isso ocorreu após o anúncio do relançamento do programa Viva o Bairro.
Essa iniciativa busca ouvir as demandas da população, especialmente as relacionadas à zeladoria, como poda de árvore, pintura, capinação, tapa buraco, iluminação entre outros serviços. Para vários parlamentares, o programa foi avaliado como uma forma de esvaziar o papel dos parlamentares.
O Regimento Interno da Casa de Leis estabelece que cada legislador pode apresentar, no máximo, dez indicações e sete requerimentos ao Executivo por sessão. Esses pedidos têm como base reclamações e sugestões dos munícipes.
"Esse Viva o Bairro é só para inglês ver. A gente anda pela cidade inteira e a população aponta os problemas. Recebemos as queixas nas redes sociais e apresentamos esses apontamentos, mas nada é feito porque faltam equipes para executar os serviços", desabafou, sob anonimato, um integrante da base governista naquela ocasião.

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