Petróleo, o pano de fundo de um crime

Petróleo, o pano de fundo de um crime 03/01/2025

Petróleo, o pano de fundo de um crime

Petróleo, o pano de fundo de um crime

03/01/2025

Mário Jorge de Oliveira*

Imagem: Reprodução/Instagram/Nicolás Maduro

É o petróleo que move os EUA nesta investida criminosa contra a Venezuela. E mais do que isso, Donald Trump quer um governo no país sul-americano que seja alinhado aos interesses das grandes empresas norte-americanas, mais precisamente a Chevron, gigante petrolífera. Não estão nem um pouco preocupados com direitos humanos, muito menos com o tráfico de drogas para o território estadunidense. Se assim fosse, neste último caso, já teriam devastado o México.

Em termos de direitos humanos, os EUA têm pouco a ensinar e defender. Ainda mais agora no Trump 2.0. Senão, vejamos: caçada a imigrantes (ilegais e legais), perseguição a opositores, corte de financiamento de programas mundiais destinados à saúde (OMS) e de ajuda internacional (USAID), preconceito explícito a países onde há maioria não branca etc, venda de armas e envio de dinheiro ao governo genocida de Israel.

Ou seja, com o ataque à Venezuela, os EUA violaram o direito internacional, a soberania dos Estados e a perspectiva de solução pacífica de controvérsias, uma bandeira que nações civilizadas deveriam respeitar sob qualquer aspecto. E nem se pode falar em pode falar em “guerra justa”, porque os EUA não foram alvos de agressão pelos venezuelanos. O argumento do tráfico de drogas não se sustenta, porque Donald Trump, como uma metralhadora giratória, sempre faz acusações genéricas e para todos os lados.

Sob o atual incumbente da Casa Branca, o Irã foi bombardeado, Israel continuou a abastecer-se de armas poderosas, a Nigéria (rica em petróleo) sofreu ataques e agora a Venezuela sofre esta ação militar. É bom lembrara: Trump cobiça o Nobel da Paz.

Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores foram sequestrados e levados a local incerto, pelo menos até agora não houve informações sobre o paradeiro de ambos. As eleições venezuelanas foram ilegítimas? Sim, por falta de transparência no processo eleitoral e na divulgação dos resultados. Algo para se resolver na mesa de negociações, não na base da intimidação militar.

O que acontece agora também não se sabe, e as perguntas pululam. A oposição tomará o poder? Que oposição? A do hilário Juan Guaidó, que se autointitulou presidente em 2019? A de Maria Corina Machado, líder de uma fatia oposicionista e fiadora do dito presidente eleito, Edmundo González? Disdado Cabello, homem forte do regime madurista, tomará o controle? A vice, Delcy Rodríguez, assumirá o Palácio de Miraflores? Ou um dos dois mil generais? Ou uma junta militar? Haverá eleição em 30 dias? Os EUA formarão um governo provisório no país?

O fato é: ninguém para os EUA? A princípio, não. É preciso lembrar: o mundo é anárquico, ou seja, não há uma autoridade global para frear iniciativas unilaterais controversas.

Quando soberania estatal e direito internacional estão subordinados a interesses econômicos, eis que os EUA ressuscitam a Doutrina Monroe, readaptado no Corolário Trump. O Brasil viveu sob essa chantagem no ano passado.

Doutrina Monroe, de 1823: "A América para os Americanos". Era um aviso aos europeus para não interferir nos países do continente americano.

Corolário Trump: a América Latina é o quintal dos EUA. Uma advertência a quem desafiar interesses da Casa Branca em seu “quintal”. Aqui, o alerta é para presidentes latino-americanos.

Quem para os EUA?

* Mário Jorge de Oliveira é jornalista e especialista em Relações Internacionais

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