PGR: Bolsonaro não deve ir para casa
Da Reportagem

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21.02.2026
Fotos: Reprodução Facebook/ Agência Brasil – EBC/Agência Pública
Um parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (20), é contrário à concessão de prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A manifestação rebate os argumentos da defesa e garante o Complexo Penitenciário da Papuda possui condições plenas para garantir a integridade física de Bolsonaro.
O documento revela que a “Papudinha” oferece suporte médico ambulatorial 24 horas por dia. Gonet ressaltou ainda a presença de uma unidade avançada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) – instituído no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 27 de abril de 2004, através do Decreto nº 5.055. A unidade é pronta para atuar em eventuais emergências, o que supriria qualquer necessidade de tratamento de saúde imediato alegada pelos advogados.
Bolsonaro está detido no 19° Batalhão da Polícia Militar, uma ala destinada a presos com prerrogativas especiais, como ex-autoridades e membros de forças de segurança. Ele cumpre uma sentença de 27 anos e três meses de prisão após ser condenado no âmbito da ação penal que investigou a trama de tentativa de golpe de Estado.
Este é o segundo revés recente da defesa em relação ao regime de prisão. Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes já havia indeferido um pedido similar, reforçando que o ex-presidente tem permissão para receber visitas de médicos particulares e que o sistema prisional dispõe de equipe própria para acompanhamento contínuo.
Farsa
Em um vídeo recente publicado em seu perfil no Facebook, o ex-deputado federal Julian Lemos, que já foi um dos principais aliados do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, revela que há grandes possibilidades de que acontecimentos relacionados à saúde do ex-capitão do Exército sejam uma verdadeira ‘farsa’ montada pelo próprio Bolsonaro e sua família, visando se livrar do cárcere.

“Eu conheço Bolsonaro como poucos. Não foi um dia, nem dois, nem um ano, nem dois, nem três. Caminhei com ele muito tempo. Eu provava até comida para Bolsonaro. Eu sim fui um dos braços direitos dele, dito por ele. O que eu venho falar aqui não com alegria, nem com satisfação, mas com dever moral, é para tentar despertar as pessoas”, afirma Lemos (foto ao lado de Bolsonaro).
Entre comparações e detalhes sobre o tempo que andava lado a lado com o ex-presidente, Lemos disse acreditar que Jair Bolsonaro estaria na verdade com ‘abstinência de poder’. Diz que o ex-presidente não vive sem celular, não gosta de ler e que isso o está levando a uma depressão e a uma espécie de ‘luto negação’, fase anterior à conformação e depois à aceitação sobre sua atual condição carcerária.
‘Modis Operandi’
Por ter participando de boa parte da ascensão política do ex-presidente, Julian Lemos disse que conhece como ninguém o ‘modo de operar’ de Jair Bolsonaro. “Sei como ele pensa. Eu sei exatamente porque eu fui sim, ainda que alguns filhos neguem, seu braço direito. Se Bolsonaro sair da cadeia hoje, começa a rodar o Brasil amanhã. A ideia é sensibilizar, gerar situações da mesma forma que acontecia quando ele era presidente. Não passava um dia sem parar naquele cercadinho e gerar mais uma situação, mais uma crise”.
Entre inúmeros outros argumentos de cunho pessoal, o ex-deputado disse que não suporta a farsa contínua por parte do ex-presidente da República e que ele deve se conformar que está preso pelos atos que cometeu. “Tem que passar por isso e vai ser muito pior. Não acredito em absolutamente nada”.
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, por cinco crimes relacionados a um plano de Golpe de Estado para impedir Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de assumir o poder após as eleições de 2022. O ex-presidente foi condenado pelos crimes de: liderança de organização criminosa; Tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito; Golpe de Estado; Dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Quem é Lemos
Eleito deputado federal em 2018 pelo PSL, sigla liderada por Jair Bolsonaro na época, o empresário de Campina Grande (Paraíba) foi o 10º candidato mais votado na Paraíba. Em 2022, já no União Brasil, Lemos obteve 36.530 votos e não conseguiu ser reeleito, ficando com a primeira suplência do partido.
O rompimento com Bolsonaro ocorreu em 2019, após ficar do lado do ex-ministro Gustavo Bebianno nas brigas com o presidente e seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

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