Píer do Perequê: a história ‘sem vergonha’ de Guarujá (SP)

Carlos Ratton

Píer do Perequê: a história ‘sem vergonha’ de Guarujá (SP)

Carlos Ratton

21.02.2026

Foto: Tony Valentte

São 16 anos destoando da bela paisagem, de inoperância para a pesca e de perigo para turistas desatentos. Essa é a triste realidade do Píer dos Pescadores inacabado na praia do Perequê, em Guarujá (SP).

Ele teve sua pedra fundamental lançada em 14 de outubro de 2010, num clima de alegria e euforia da população durante o governo da prefeita-professora Maria Antonieta de Brito (MDB).

O equipamento passou todo o governo do prefeito-médico Valter Suman (PSB) do mesmo jeito e, agora, foi herdado pelo governo prefeito-empresário Farid Madi (Podemos).

Os Inconfidentes conversaram com alguns pescadores e comerciantes locais que, por razões imagináveis, não quiseram se identificar. Da parte dos pescadores, a informação é que eles nunca foram sequer ouvidos durante a concepção do equipamento. 

“Nunca serviu pra nada até porque foi implantado em local errado. Um molhe de pedras seria o ideal e na passagem do Rio do Peixe para o mar aqui próximo. Isso sim, facilitaria a entrada e saída dos barcos da comunidade ribeirinha”, disse um pescador.

A ideia inicial era que o equipamento tivesse o formato de um T, com a colocação de dois flutuantes nas pontas para embarque e desembarque. Mas o píer teria que avançar bastante para dentro do mar e não no raso, conforma se encontra a obra abandonada e nenhuma sinalização de segurança.

“Olha, via e mexe, algum desavisado pula do píer achando que vai cair em um lugar profundo e acaba se acidentando. A Prefeitura deveria demolir esse píer ou, no mínimo, concebe-lo para outro fim. Talvez permitindo a colocação de quiosques, como foi oferecido anos atrás”, disse um comerciante.        O píer inacabado custou dinheiro. Ele foi concebido por intermédio de um convênio estabelecido com o Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (Dade) no valor de R$ 7.820.589,27, repassados à Administração para a obra, que estaria na Justiça por intermédio do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).

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