PL barra candidaturas de duas das mulheres mais votadas da Baixada Santista
Aninha Ferreira, de São Vicente, e Renata Barreiro, de Bertioga, não tiveram as candidaturas à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa homologadas pelo partido

Sandro Thadeu
28.07.2026
Imagens: Reprodução/Instagram e Reprodução/YouTube
A convenção estadual do Partido Liberal (PL), realizada na última quinta-feira (23), produziu um cenário que provocou repercussão na Baixada Santista. Duas das mulheres mais votadas nas eleições municipais de 2024 ficaram fora da relação de candidatos homologados pela legenda para disputar as eleições deste ano: a estudante de Direito Aninha Ferreira, de São Vicente, e a vereadora Renata Barreiro, de Bertioga.
O desfecho chama a atenção por um paradoxo. Embora o PL Mulher em São Paulo seja presidido pela deputada federal Rosana Valle, de Santos, tenha incentivado o lançamento de candidaturas do sexto feminino, duas das principais lideranças femininas da legenda na região acabaram sem espaço para disputar cargos proporcionais.
“Menina de Bolsonaro” excluída do processo
Conhecida entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como "a menina de Bolsonaro", Aninha Ferreira, hoje com 21 anos, tornou-se, em 2024, a mulher mais votada da história de São Vicente para o Legislativo municipal, ao conquistar 3.433 sufrágios. Apesar do desempenho expressivo nas urnas, o PL não atingiu o quociente eleitoral e ela acabou não sendo eleita.
Mesmo assim, a jovem era apontada como um dos principais nomes do partido para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Nas redes sociais, é possível observar o registro de uma série com apoiadores em diversas localidades, assim como vídeos e mensagens ao lado de Jair Bolsonaro e do senador do Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PL.
A exclusão de Aninha da relação de candidaturas homologadas pelo partido chamou a atenção. O caso ganhou novos contornos com a reportagem publicada pelo jornal O Globo, segundo a qual a presidente do PL Mulher de Mogi das Cruzes, Dana Costa, afirmou ter informado ao marido e presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) teria vetado a candidatura de Aninha.
Segundo a publicação, Dana explicou que a decisão teria ocorrido "por causa da Rosana Valle", que é jornalista, deputada federal e presidente o PL Mulher em São Paulo. Essa decisão de barrar o nome da jovem seria uma forma de proteger o reduto eleitoral da parlamentar, que buscará o terceiro mandato, e evitar uma divisão de votos na região e, em especial, em São Vicente.
Os números deixam claro o motivo dessa preocupação para a equipe de Rosana. Com base eleitoral na Baixada Santista e no Vale do Ribeira, ela recebeu 216.437 votos, em 2022, sendo 59.825 apenas em São Vicente (27,6% do total de sufrágios recebidos), a cidade de Aninha.

Aninha afirma que recebeu o convite para ser candidata a deputada do ex-presidente Jair Bolsonaro
Críticas públicas
Na noite da última sexta-feira (24), Aninha divulgou um vídeo com uma mensagem contundente nas redes sociais afirmando que havia sido convidada pessoalmente pelo ex-presidente Bolsonaro para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Na gravação, ela atribuiu sua exclusão à Rosana Valle. "Agora, vendo que sua máscara de patriota está caindo e que meu nome, como escolhida do presidente Bolsonaro para deputada federal, está crescendo, Rosana Valle decidiu me perseguir para retirar minha legenda", destacou.
No vídeo, a jovem mencionou que a perda da legenda foi o desfecho de uma série de episódios que interpreta como tentativas de esvaziar sua atuação política. Entre eles, mencionou a retirada de seu nome da presidência municipal do PL Mulher e a exclusão de um vídeo institucional gravado com a direção estadual do partido.
A universitária também direcionou críticas à atuação política da parlamentar. Segundo Aninha, a deputada migrou do PSB para o PL, em 2022, por conveniência eleitoral e, nas eleições municipais de 2024, trabalhou pela eleição de um candidato homem de outra sigla, em São Vicente. Para Aninha, essas ações demonstrariam uma estratégia da legisladora para preservar sua base política e manter o Município como um "curral eleitoral".
Por fim, a jovem garantiu que continuará na vida pública. “Foram dois anos de reuniões, visitas, viagens, dedicação e renúncia. O sonho não está sendo encerrado. Está sendo apenas interrompido”, ressaltou.
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa de Rosana informou que a parlamentar não iria se manifestar sobre o assunto.
Situação se repete em Bertioga
Vereadora mais votada de Bertioga nas eleições de 2024, com 1.927 votos, Renata Barreiro (PL) também acabou excluída da relação de candidatos homologados pelo partido, apesar de já ter sido anunciada publicamente como pré-candidata à Assembleia Legislativa (Alesp). A decisão surpreendeu aliados e representou uma mudança de rumo dentro da própria legenda, que, semanas antes, tratava sua candidatura como praticamente consolidada.
Em vídeo publicado nas redes sociais no último sábado (25), a parlamentar admitiu ter recebido a decisão com tristeza e classificou o desfecho como doloroso. Sem revelar os motivos apresentados pelo partido, afirmou que decidiu gravar a mensagem para prestar esclarecimentos aos eleitores. "Quero falar para vocês que, quando eu me apresentei, eu me apresentei com verdade, com amor e com coragem, coisa que poucas pessoas têm", desabafou.
A retirada da legenda ganhou ainda mais repercussão porque ocorreu poucos dias após Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), assegurar publicamente que a candidatura dela estava definida. Em entrevista ao programa Café com Zaidan, da TV Cultura Litoral, ele assegurou que a decisão havia sido referendada pela direção estadual da sigla e classificou a escolha como irreversível.
"Nós tivemos junto com o diretório do partido e com o Tadeu Candelária, que é o presidente estadual, e a Renata foi confirmada, sim. Ela é uma pré-candidata em potencial do partido. Não tem nada que tenha mudado até o momento. Quando se acerta lá no diretório isso, realmente não tem volta. A Renata é uma das pré-candidatas, só se ela mudar de ideia", declarou ele na ocasião.

A entrevista foi exibida na TV Cultura Litoral no dia 13 de julho

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