Por ciclovias sem improviso

Por José Manoel Ferreira Gonçalves

Por ciclovias sem improviso

Por José Manoel Ferreira Gonçalves

04.02.2026

O asfalto cortado interrompe o fluxo na Avenida dos Caiçaras, em Guarujá (SP). Barreiras improvisadas bloqueiam trechos sem operários à vista. A ciclovia prometida estagna há meses enquanto o verão consome os prazos.

A Administração iniciou a obra em julho do ano passado com promessa de seis meses de trabalho e investimento de pouco mais de um milhão de reais.

Hoje a estrutura permanece inacabada e a prefeitura alega paralisação temporária pela temporada estival. O argumento soa oco para quem enfrenta o caos diário. Ciclistas seguem sem espaço seguro. Motoristas perdem faixas vitais. Comerciantes assistem à queda do movimento.

Não ao improviso

A mobilidade urbana exige método. Exige estudos de impacto viário e diálogo com a comunidade antes da primeira escavadeira. A ciclovia da Avenida dos Caiçaras evidencia a ausência desses requisitos.

A intervenção partiu sem transparência sobre custos totais ou cronograma detalhado. Durante a campanha eleitoral de 2024 apresentei alternativa distinta.

Nossa proposta situava a infraestrutura cicloviária dentro de sistema integrado de transporte, com estudos técnicos rigorosos e transparência orçamentária antes de qualquer intervenção.

A obra paralisada gera prejuízo financeiro mensurável e desgaste social desnecessário. Pior: transforma uma política ambientalmente desejável em motivo de rejeição popular.

A Prefeitura promete retomada após o Carnaval e conclusão em cento e vinte dias. Promessas vazias não reconstroem credibilidade. A cidade precisa saber quanto custará o total da empreitada e por que este trecho ganhou prioridade sobre outros.

Ciclovias exigem planejamento

Guarujá precisa de ciclovias como política de Estado, não como obra de ocasião. A cidade não tolera mais intervenções que começam sem terminar.

As barreiras precisam cair e os operários precisam voltar. Mas, acima de tudo, a Administração precisa reconhecer que ciclovias não são improvisos. São planejamento rigoroso e compromisso com o futuro.

José Manoel Ferreira Gonçalves é engenheiro, advogado e jornalista

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