Por que Erika Hilton incomoda tanto?
Por Alexandre Miguel de Souza

Por Alexandre Miguel de Souza
10.04.2026
O Brasil é frequentemente apontado, em levantamentos de grandes plataformas de conteúdo adulto, como o país que mais consome pornografia envolvendo pessoas trans e travestis no mundo.
Esse dado escancara uma contradição profunda.
Durante muito tempo, essa parcela da população foi marginalizada e invisibilizada.
A sociedade, de forma hipócrita, tolerou essas pessoas nas madrugadas, empurradas à prostituição, enquanto muitos dos chamados “cidadãos de bem” se beneficiavam e se beneficiam desse contexto.
No entanto, essa mesma sociedade se incomoda ao ver esses corpos ocupando espaços de poder, voz e decisão.
Nossa estrutura social foi historicamente moldada por homens brancos e heterossexuais. Qualquer pessoa que foge desse padrão já enfrentou — ou ainda enfrenta — discriminação e violência.
Qual mulher nunca sofreu com o machismo, a misoginia ou o sexismo?
Qual pessoa negra nunca foi vítima de racismo?
No caso de Erika Hilton, há uma sobreposição de preconceitos: por sua origem social, por ser uma mulher negra e por ser uma mulher trans.
Quando Erika levanta a voz, é porque por muito tempo tentaram silenciá-la. Sua presença incomoda justamente por romper com um sistema excludente, que ainda resiste à diversidade e à igualdade.
Combater o preconceito em todas as esferas da sociedade não é uma escolha — é uma necessidade urgente.
Alexandre Miguel de Souza é escritor e poeta santista

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