Prefeita de Mongaguá (SP) defende retomada da linha férrea para melhorar mobilidade regional

Carlos Ratton

Prefeita de Mongaguá (SP) defende retomada da linha férrea para melhorar mobilidade regional

Carlos Ratton

26.02.2026

Foto: Divulgação/PMM E PMPG/Youtube/Estações Ferroviárias de SP

A prefeita de Mongaguá (SP), Cristina Wiazowski (PP), esclareceu aos Inconfidentes que defende a retomada da linha férrea que corta os municípios do Litoral Sul da Baixada Santista – incluindo sua cidade – como alternativa para otimizar a mobilidade urbana regional.

Recentemente, ao ler que Cristina estaria solicitando à Secretaria de Patrimônio da União (SPU) a doação ou cessão de 13 quilômetros em áreas da linha férrea Santos-Cajati, o professor universitário e urbanista José Marques Carriço manifestou-se temerário a ideia por conta de anos de acompanhamento do fim do transporte ferroviário na região.  

Em seu perfil, disse que a iniciativa da prefeita seria “nociva ao desenvolvimento da Baixada Santista, pois a conservação e desocupação da faixa da extinta Ferrovia Paulista S/A (FEPASA) é a única chance que a Baixada tem para restituir sua ligação ferroviária histórica com o Vale do Ribeira”.

Nas redes sociais, Carriço (foto) ainda alertou que a proposta de Cristina Wiazowski estaria em desacordo com a do Governo Estadual que pensa em recuperação do ramal até Cajati. “Além disso, a provável extensão do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) até Praia Grande pode se articular com essa ligação ferroviária de passageiros, mudando a vida de milhares de pessoas”, completa o urbanista.

José Marques Carriço

Ele lembra que o Censo de 2010 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) observou a paulatina redução dos níveis de integração regional dos municípios do Sul da Baixada, com o polo regional, em função dos obstáculos de mobilidade.

Cristina mantém

“Pedi, sim, o aproveitamento do entorno da área da linha férrea. Tanto eu agora, quanto meu marido (Paulinho Wiazowski) à época que foi prefeito e presidente do Conselho Metropolitano da Baixada Santista (CONDESB), somos completamente favoráveis à retomada da linha férrea para garantir mobilidade, em especial para as quatro cidades (Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande e Itanhaém)”, disse a prefeita.

Cristina lembra que a linha foi desativada e a empresa RUMO, detentora da concessão até 2027, não tem feito a manutenção nos municípios. “Assim como em Mongaguá, a linha férrea corta Itanhaém ao meio. Aliás, as cidades de Peruíbe e Itanhaém já entraram com medida judicial e conseguiram liminar para que a RUMO faça a manutenção da área, sob pena de multa”, acrescenta.  

A representante de Mongaguá confirma que formalizou, junto à Secretaria do Patrimônio da União (SPU), um acordo de cooperação técnica para viabilizar a doação e/ou cessão de uso de áreas da linha férrea que atravessa o município para basicamente ter legitimidade para fazer as obras necessárias.

“O entorno da linha, sem a devida manutenção, acaba sendo um problema para questões de segurança. Queremos utilizar a área fazendo bolsões de estacionamento, restaurando pontos que também irão impulsionar o turismo na cidade”.  

Cristina reafirma que seu governo é entusiasta de políticas públicas metropolitanas. “Falta política pública com mais investimentos. Além disso, os debates poderiam acontecer de maneira diferenciada, gerando efetividade. Este assunto já foi levado ao CONDESB tempos atrás e as reuniões não resultaram em ações”, alfineta.

A prefeita ratifica que até o Governo do Estado tem se mostrado indiferente à importância da Agência Metropolitana da Baixada Santista – AGEM (braço operacional do CONDESB). “O prefeito Felipe Bernardo (de Peruíbe- PSD), eleito presidente do CONDESB, concedeu entrevista criticando o governo estadual quanto a desmobilização da AGEM”, finaliza.

Vale lembrar que o esvaziamento do CONDESB é uma realidade. Na última reunião (05 de fevereiro), na eleição de Felipe Bernardo, praticamente metade dos prefeitos não apareceu. Além do próprio Mourão, mandaram representantes Rogério Santos (Santos), Farid Madi (Guarujá) e a própria Cristina Wiazowski.

Iniciativa abre distanciamento

O desabafo de Cristina Wiazowski é mais um capítulo da história recente de que o CONDESB/AGEM vem perdendo força no Governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Recentemente, Os Inconfidentes publicaram a iniciativa do prefeito de Praia Grande (SP), Alberto Mourão (MDB) de buscar isoladamente alternativas de desenvolvimento para a região junto ao governador de São Paulo. Veja em https://osinconfidentes.com.br/costura-de-mourao-por-avancos-reforca-a-ideia-de-tarcisio-em-extinguir-agem/.

Tarcísio está convencido de que os investimentos em regiões metropolitanas podem ser feitos diretamente pelos órgãos e secretarias estaduais, como o programa Rios Vivos, tocado pela Agência de Águas do Estado (SP Águas).

Na reunião com o governador, Mourão alinhou as próximas etapas de diversas ações ligadas à infraestrutura, mobilidade urbana, habitação e saúde. Entre os projetos, destaque também para a chegada do Veículo Sobre Trilhos (VLT) em sua Cidade, um equipamento metropolitano.

Sobre a iniciativa de Mourão, o urbanista não poupou críticas. “Para que serve o CONDESB, se os rumos e prioridades do transporte metropolitano são discutidos em encontros de gabinete? Para quem não sabe, o CONDESB, por determinação de lei federal (Estatuto da Metrópole) e da Constituição Estadual de São Paulo tem a competência de planejar e fazer a gestão das funções públicas de interesse comum aos nove municípios da região. A mobilidade urbana é uma dessas funções”.

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