Prefeitos da Baixada Santista ‘ignoram’ sinais de perigo no Porto de Santos (SP)
Prefeitos da Baixada Santista 'ignoram' sinais de perigo no Porto de Santos (SP) Carlos Ratton

Prefeitos da Baixada Santista 'ignoram' sinais de perigo no Porto de Santos (SP)
Carlos Ratton
19/12/2025
Foto: Divulgação Prefeitura de Cubatão e APS
A paralisação está semana da operação de um navio que realizava descarga de sulfato de amônia em um terminal localizado à margem direita do Porto de Santos, em Guarujá (SP), é um alerta e, ao mesmo tempo, um sinal que os oito prefeitos e a prefeita das nove cidades que compõem a Região Metropolitana da Baixada Santista não atentam aos perigos e que não fazem questão de sair do papel de coadjuvantes na relação porto-cidades.
Numa pesquisa rápida realizada por Os Inconfidentes não há notícias que os perigos relacionados aos perigos envolvendo o maior porto da América Latina tenham sido alvo de discussão do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (Condesb) nos últimos meses e, até, anos. A paralisação da operação aconteceu porque moradores dos bairros do Embaré e da Ponta da Praia, em Santos, tiveram mal-estar por conta do forte cheiro.

O Condesb é um órgão colegiado normativo e deliberativo que reúne representantes das prefeituras da Baixada Santista e do Governo do Estado de São Paulo para planejar e tratar de assuntos de interesse comum da região, como infraestrutura, saneamento, desenvolvimento urbano e mobilidade, buscando a integração e o crescimento sustentável. Mas, é o meio-ambiente que vem mais sofrendo agressões regionais.
Os prefeitos e, agora, também prefeita, da região precisam parar de participar de missões turísticas e discutir urgente e de forma responsável uma maneira de minimizar os riscos ambientais, já amplamente debatidos em audiência pública na Câmara de Santos.
O atual presidente do Condesb é o prefeito de São Vicente, Kayo Amado, que gosta de redes sociais para falar de suas ‘peripécias’ administrativas, mas pouco as usa para assuntos ambientais. Vale lembrar que ele está tendo problemas em sua própria cidade, relacionados ao mais novo lixão https://osinconfidentes.com.br/lixao-do-rio-suspenso-ja-alerta-mp-sp/
Amônia
A exposição ou contato com amônia pode levar pessoas a óbito ou a problemas de saúde irreversíveis. A amônia é essencial em processos de refrigeração industrial e na preparação de fertilizantes, entre outras utilidades. No entanto, seus gases precisam ser manipulados com responsabilidade e dentro de critérios que envolvem a segurança do trabalhador e da comunidade do entorno.
Quando em temperatura ambiente, a amônia é um gás incolor, tóxico e corrosivo quando há presença de umidade. Esse gás é altamente perigoso no caso de inalação, além de ser inflamável e possuir um odor bem característico.
A amônia é um gás mais leve que o ar, no entanto, quando em ambiente úmido, torna-se mais pesado. Isso facilita a inalação e pode causar danos ao tecido respiratório. Os danos são graves causando tosse convulsiva, dificuldades e dores para a respiração, congestão pulmonar e, nos casos de grande concentração de amônia, é possível chegar à morte.
A amônia também é corrosiva, podendo, em função da sua concentração, causar irritações e, até mesmo, queimaduras na pele. Já o contato da pele com o gás liquefeito, pode gerar o congelamento do membro. Outro problema muito sério, que precisa ser evitado a todo custo é o contato da amônia com os olhos. Ela pode causar irritação e queimaduras, causando, em alguns casos, a cegueira.
Risco de explosão
Os perigos da amônia não estão apenas no contato com o gás. A amônia, quando em contato com o ar, onde sua concentração esteja entre 16% e 27%, pode transformar-se em um agente explosivo. O mesmo acontece quando a amônia entra em contato com o flúor, cloro, bromo, iodo, óxido de prata e mercúrio. O problema é tão grave que a West Fertiliser Company, empresa de fertilizantes dos Estados Unidos, foi destruída em função do ambiente explosivo formado na ação desses gases com o ar.
A amônia, por conta do seu cheiro forte e desagradável, parece ser identificável com facilidade, no entanto, ela passa despercebida pelas pessoas que diariamente tem contato com o gás a níveis baixos. Isso ocorre uma vez que a sensibilidade olfativa vai se perdendo e, em determinado momento, deixa de ser perceptível.

Porto
Lembrando que o Porto será ampliado em mais 12,6 milhões de metros quadrados a uma área total de 20,4 milhões de metros quadrados, conforme já anunciou a Autoridade Portuária de Santos (APS). Um aumento de 162,4% de sua área original, que tem hoje 7,8 milhões
Já foram apontados inúmeros problemas e não é segredo os relacionados a operação do terminal de fertilizantes, o terminal de regaseificação (conhecido como navio-bomba) e outras questões que envolvem o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) portuário, que foram discutidos em audiência recentemente.
O terminal de fertilizantes terá capacidade para armazenar até 12 milhões de toneladas até 2040. Já o terminal de regaseificação é um navio-tanque que funciona como terminal flutuante, recebendo gás natural liquefeito (GNL) transportado por outros navios e enviando o produto para Cubatão por uma tubulação parcialmente submersa.
Os navios ficam bem perto de situações de risco, no Terminal da Alemoa. Um acidente pode ter um efeito dominó", já alertou Jeffer Castelo Branco, diretor da Associação de Combate aos Poluentes (ACPO), um dos integrantes da mesa da audiência.
Há também a cava subaquática, uma cratera de 480 metros e 22 metros de profundidade escavada no estuário entre Santos e Cubatão, foi criada por empresas privadas para armazenar sedimentos dragados do Canal de Piaçaguera e depois foi coberta.

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