Presa por ‘Boa Noite Cinderela’ contra idoso tinha remédio para dopar em casa
Ágatha de Oliveira Ricardo, de 35 anos, tinha em sua casa 13 comprimidos de clonazepam

Por Eduardo Velozo Fuccia/Vade News
22.07.2026
Foto ilustrativa: Pexels
Acusada de roubar um idoso de 77 anos em Praia Grande, após dopá-lo com alguma substância que colocou em sua bebida, prática conhecida como Boa Noite, Cinderela, uma mulher foi presa na segunda-feira (21), em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo. Ágatha de Oliveira Ricardo, de 35 anos, tinha em sua casa 13 comprimidos de clonazepam – medicamento benzodiazepínico de tarja preta que age no sistema nervoso central e causa sedação intensa, fraqueza, lentidão motora e dificuldade de concentração.
Indicado para crises epilépticas, transtornos de ansiedade, distúrbio do pânico e transtorno afetivo bipolar, o psicotrópico era a prova material do crime que a equipe do delegado Rodrigo Martins Iotti, do 3º DP de Praia Grande, buscava ao revistar a moradia da acusada. A vistoria ao imóvel contou com respaldo de mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz Fernando César do Nascimento, da 1ª Vara Criminal de Praia Grande. O magistrado também decretou a prisão preventiva de Ágatha.
Na decisão que deferiu os pedidos de prisão e de busca domiciliar feitos pelo delegado, o juiz destacou a “intensa gravidade no ato imputado à ré, que ludibriou a vítima e a rendeu por completo por meio de oferta de alguma substância ignorada, partindo a dilapidar intensamente seu patrimônio de diversas formas, enquanto encontrava-se inconsciente”. Para o julgador, a conduta da acusada também revelou premeditação, organização de tarefas e robustez técnica para pulverizar os valores subtraídos para diversos destinos.
Na fundamentação da expedição dos mandados, Nascimento também assinalou a necessidade de “salvaguardar a incolumidade pública ameaçada pela prática de reiterados crimes patrimoniais, inclusive, com a completa redução da possibilidade da vítima se defender”. A Polícia Civil ainda investiga informações de que Ágatha estaria envolvida em outros golpes na modalidade Boa Noite, Cinderela, com a provável atuação de comparsas ainda não identificados.

Ágatha era “Bruna” no Tinder
Enredo delitivo
O idoso da Baixada Santista e Ágatha se conheceram há cerca de três meses pelo aplicativo de relacionamento Tinder. As conversas virtuais migraram para o WhatsApp, no qual foi amadurecida a ideia de um contato presencial. Ao interessado com idade para ser no mínimo seu pai, a mulher se identificou como “Bruna” e se dispôs a ir ao seu encontro. O lugar marcado foi público, na Avenida Presidente Kennedy, no Jardim Real, mas logo o anfitrião convidou a mulher para acompanhá-lo até sua casa.
A mulher não se fez de rogada e aceitou de pronto. Era a oportunidade que esperava, segundo a polícia, para poder dopar a vítima e roubá-la. O idoso contou aos investigadores que consumiu um chocolate e ficou com sede. Mais do que depressa, ‘Bruna’ se prontificou a buscar um copo de água na cozinha. O líquido matou a sede e a consciência do homem. Bastaram alguns minutos para ele desmaiar. Ele só recobrou os sentidos na tarde do dia seguinte.
A mulher do Tinder já não estava na casa e o idoso constatou o sumiço do seu celular e de alguns objetos da residência. Ainda desnorteado devido aos efeitos da substância que o dopou, ele procurou atendimento médico. Posteriormente, verificou que foram realizadas transações por meio do aplicativo bancário instalado em seu telefone, como um empréstimo de R$ 11 mil e transferências via Pix para várias contas. O prejuízo total foi contabilizado em R$ 14.543,34.
Ágatha admitiu no 3º DP de Praia Grande que colocou um comprimido de clonazepam no café do idoso. Sem convencer o delegado, a acusada alegou que fez isso porque o homem ficou exaltado após ela dizer que iria embora. Quanto às transações bancárias, disse que a própria vítima as realizou, a pedido dela. Antes de o delegado solicitar os mandados de prisão e de busca e apreensão, a mulher já havia sido reconhecida por meio de fotografia pelo pretendente do aplicativo de relacionamento.
Além dos 13 comprimidos, os investigadores apreenderam três celulares na moradia de Ágatha. Será requerida a quebra do sigilo dos dados telemáticos da investigada para que os aparelhos sejam periciados. A expectativa policial é de que neles hajam arquivos que possibilitem identificar os demais envolvidos no Boa Noite, Cinderela, além de elucidar outros eventuais crimes do gênero. A acusada nega quaisquer delitos, afirmando que vende produtos eróticos e complementa a sua renda com serviços de acompanhante.

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