Presidente do Republicanos de Guarujá é advogado de Vorcaro
Marcelo Squassoni atua no processo de liquidação do Banco Master. A jornalista Mônica Bergamo e Grupo Prerrogativas descobrem possível armação contra Lula

Carlos Ratton
09.10.2026
Fotos – Facebook/Bruno Peres/Agência Brasil
O ex-deputado federal e presidente do Republicanos de Guarujá (SP), Marcelo Squassoni, é um dos advogados do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do extinto Banco Master, acusado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público de graves crimes financeiros e de liderar uma rede criminosa. A informação foi veiculada pelo blogueiro, advogado e jornalista Caio Junqueira.
Segundo postou, Vorcaro conta com cinco advogados que atuarão em três frentes que podem visitar o ex-banqueiro na prisão. Squassoni e o advogado Bruno Burili irão atuar no processo de liquidação do Banco Master e pelo levantamento dos ativos de Vorcaro que serão entregues ao liquidante na tentativa de equalizar a situação da instituição junto ao Banco Central.
No contencioso cível, ficarão os advogados Engels Augusto Muniz e Giuseppe Giamundo. Eles concentrarão a atuação da defesa de Vorcaro contra potenciais credores que buscam acessar seu patrimônio. Já na área criminal o responsável será o advogado Sergio Leonardo, responsável pelas negociações de colaboração premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Também caberá a ele reconstruir a relação com o ministro-relator do caso no STF, André Mendonça.

Possível armação contra Lula
A jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, publicou que procuradores familiarizados com as investigações do Banco Master afirmaram à coluna acreditar que o áudio em que Daniel Vorcaro afirma ter destinado recursos para um documentário sobre a vida de Lula foi gravado na prisão para ser usado contra o petista na campanha eleitoral.
A gravação, se feita dessa forma, seria ilegal já que nenhuma das pessoas que ele recebe na Papudinha, em Brasília, onde está preso, poderia entrar no estabelecimento com gravador ou celular.
Ao mesmo tempo, foi veiculado que os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, que representam o Grupo Prerrogativas, acionaram a Polícia Federal pedindo a investigação sobre uma suposta articulação entre o Vorcaro e a campanha do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL).
A notícia de fato (denúncia) seria a divulgação pela imprensa de uma negociação para a realização de entrevista do ex-banqueiro na televisão e informações de que teria sido entregue a terceiros uma gravação de depoimento atribuído a Vorcaro, com menções a adversários de Flávio. Os advogados acreditam em articulação política sem provas às vésperas do segundo turno.

Flávio Bolsonaro
O Grupo Prerrogativas pede a identificação dos interlocutores que estariam negociando a entrevista com emissoras de televisão. Os advogados também pedem que os fatos sejam comunicados ao relator da operação Compliance Zero, que apura o esquema de fraudes envolvendo o Master, e o Procurador-Geral Eleitoral.
Além de alegar que as ações buscam interferir na disputa de segundo turno, os advogados fazem menção a uma tentativa de "embaraçar as investigações, deslocando o foco dos repasses do 'Dark Horse' e das demais frentes do caso Master para imputações dirigidas a terceiros, formando ambiente político favorável à soltura de Vorcaro e à impunidade dos envolvidos, entre eles o próprio candidato Flávio Bolsonaro.
Vorcaro
Vorcaro foi preso preventivamente no âmbito da Operação Compliance Zero e desdobramentos como o "Projeto DV", estando detido em Brasília. A defesa nega irregularidades, argumenta que as mensagens interceptadas eram desabafos pessoais e pede a revogação da prisão preventiva.

Veja as acusações:
• Crimes financeiros: Gestão fraudulenta, estelionato, emissão de títulos financeiros falsos e lavagem de dinheiro bilionária (ligada a um rombo estimado em dezenas de bilhões e ao maior ressarcimento da história do FGC).
• Organização criminosa e milícia privada: Acusado de liderar esquemas que incluíam núcleos operacionais (como o grupo batizado de "A Turma") para monitoramento clandestino, intimidações, ameaças e ataques cibernéticos contra adversários e autoridades.
• Ataques hackers e espionagem digital: Investigado por coordenar invasões de sistemas e perseguição digital contra fiscais, jornalistas e integrantes do Banco Central envolvidos na liquidação extrajudicial do Banco Master.
• Envolvimento político e repasses suspeitos: Alvo de apurações sobre transferências milionárias (como os repasses investigados em parceria com aliados e figuras políticas, incluindo investigações sobre financiamento de produções audiovisuais e conexões com campanhas).

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