Problemas na Maternidade Dr. Silvério Fontes chegam ao conhecimento do Ministério Público
Unidade da Prefeitura de Santos está com o compressor de ar medicinal quebrado há cinco dias e ficou sem médicos plantonistas no último domingo

Sandro Thadeu
04.11.2026
Imagem: Raimundo Rosa/Divulgação/Prefeitura de Santos
O Hospital e Maternidade Dr. Silvério Fontes, uma das principais unidades da rede municipal de saúde de Santos, enfrenta problemas que serão levados ao conhecimento do Ministério Público de São Paulo (MPSP). O compressor de ar medicinal está quebrado desde a última sexta-feira (30 de outubro) e o complexo ficou sem médicos ginecologistas e obstetras plantonistas no último domingo (1º de novembro).
A situação chegou ao conhecimento dos Inconfidentes por meio de relatos de pacientes e servidores desse equipamento público localizado na Zona Noroeste da cidade. Na noite da última terça-feira (3), os vereadores analisaram, em caráter de urgência, e aprovaram um requerimento do vereador Marcos Caseiro (PT) para encaminhar o caso ao órgão de fiscalização e cobrar providências da Secretaria Municipal de Saúde.
Médico infectologista e servidor municipal aposentado, o petista criticou as condições de atendimento na maternidade. "Depois a gente não sabe o porquê de temos uma mortalidade infantil lá no teto. É um nível de irresponsabilidade que extrapolou todas as possibilidades aceitáveis na nossa prática", afirmou.
Risco na assistência
Segundo relatos recebidos pela Reportagem, a ausência de ginecologistas e obstetras plantonistas no último domingo deixou gestantes e recém-nascidos sem atendimento especializado de urgência na própria unidade.
Naquela manhã, uma gestante de gêmeos, com 20 semanas de gravidez, chegou à maternidade apresentando sangramento. Como não havia um médico, a mulher precisou ser transferida de ambulância para o Complexo Hospitalar dos Estivadores, no bairro Encruzilhada, localizado a cerca de 10 quilômetros do Silvério Fontes.
Além da ausência de profissionais, o compressor de ar medicinal da maternidade da Zona Noroeste apresentou defeito na última sexta-feira (30 de setembro). Havia um clima de tensão no ar em razão de quatro pacientes internados em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
"Se houvesse a necessidade de entubar, a pessoa iria a óbito. Isso é uma calamidade, uma violência institucional e uma violação dos direitos humanos. É uma vergonha e um descaso da Prefeitura chegarmos a esse ponto", desabafou um servidor, que pediu para não ser identificado.

O caso foi levado ao MPSP pelo vereador Marcos Caseiro (PT)
Futuras baixas na equipe
A situação poderá se agravar nos próximos dias. Os Inconfidentes apuraram que um dos médicos da unidade estaria disposto a pedir exoneração em razão dos problemas recorrentes na maternidade.
Está prevista para amanhã (5) uma reunião de emergência com o secretário de Saúde, Fábio Lopez, e o titular da pasta de Gestão e Finanças, Adriano Leocadio. O encontro deverá discutir possíveis soluções para os problemas registrados no Silvério Fontes.
Providências em andamento
Em nota encaminhada aos Inconfidentes na tarde desta quarta-feira (4), a Secretaria de Saúde informou que a empresa responsável pela manutenção do compressor de ar medicinal já trabalha nas medidas técnicas necessárias para restabelecer o funcionamento do equipamento. A pasta, entretanto, não informou uma previsão para a conclusão do serviço.
Sobre os buracos na escala médica, a secretaria explicou que tem atuado para garantir a disponibilidade de ginecologistas e obstetras no Silvério Fontes e assegurar a continuidade da assistência aos pacientes.
Apesar dos relatos de falta de profissionais, a pasta garantiu que não há prejuízo no atendimento. "Em caso de indicação clínica, os usuários poderão ser direcionados a outros equipamentos da rede municipal de saúde", acrescentou.

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