Problemas nos equipamentos geram fila em terminal do Porto de Santos
Carlos Ratton

Carlos Ratton
27.03.2026
Fotos: Reprodução
Problemas nos scanners – equipamentos obrigatórios para inspecionar cargas e contêineres, agilizando a fiscalização e a segurança, em especial sobre o tráfico de drogas e fraudes – geraram enormes filas de caminhões na entrada e saída da Brasil Terminais Portuários (BTP), na Avenida Marginal da Via Anchieta, no bairro da Alemoa, em Santos.
A situação começou na madrugada desta sexta-feira (27). A empresa já se manifestou alega que a fila foi por conta da decisão dos caminhoneiros e de forma inesperada, mas que a situação vem sendo monitorada em parceria com as autoridades até a normalização que deve ocorrer nas próximas horas. Alguns vídeos já estão sendo postados nas redes sociais mostrando o drama nas imediações.
Os caminhoneiros alegam demora no processo de descarregamento de cargas, prejudicando a rotina de trabalho e a renda da categoria. Representantes do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam) foram ao local e ouviram as reivindicações.
Scanners e suas funções:
As principais funções da tecnologia no terminal são:
• Detecção de ilícitos: Identificar substâncias ilícitas, como cocaína, escondidas em contêineres, mesmo atrás de paredes de aço.
• Fiscalização da Receita Federal: Analisar imagens geradas pelos scanners para verificar o conteúdo interno, buscando irregularidades como variações de densidade que indiquem cargas ocultas.
• Segurança e agilidade: Inspecionar os contêineres de forma rápida sem a necessidade de abrir todos os contêineres fisicamente, aumentando a eficiência no movimento de aproximadamente 12.000 contêineres diários.
• Apoio a operações de inteligência: Apoiar a Polícia Federal e a Receita Federal no combate ao contrabando e descaminho, com scanners agindo sobre cargas suspeitas.

Questão não é nova
Infelizmente,filas de caminhões nas duas mãos da via, formadas por caminhoneiros que buscam acesso a pelo menos duas empresas prestadoras de serviços ao Porto há anos vêm sendo o martírio diário de milhares de trabalhadores e trabalhadoras, principalmente nos horários de pico, entre seis e nove horas e 18 e 21 horas. Apesar das cobranças e promessas, a questão permanece ainda sem solução.
Exaustos depois de um dia inteiro de trabalho, passageiros do transporte público descem dos ônibus para fugir do congestionamento, ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), bombeiros e veículos particulares que, muitas vezes, estão conduzindo pessoas a atendimento médicos há meses aguardados, ficam presos. Estudantes perdem aulas. Gente perde o emprego.
Pessoas chegam atrasadas ao trabalho e, quando voltam no final da tarde para o merecido descanso, amargam uma distância considerável a pé para chegar em casa. De nada adianta entrar em contato com autoridades e responsáveis pelo trafego.
A Ecovias afirma sempre que a responsabilidade é municipal e pede para ligar para a Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos (CET-Santos) que, por sua vez, pede para ligar para a Ecovias. O Jardim São Manoel, bairro com mais de 10 mil habitantes, é um dos mais afetados pelo problema.
O transtorno também afeta trabalhadores e famílias de outros bairros, como o Piratininga e Vila dos Criadores. As pessoas ficam ilhadas e perdem o direito de ir e vir. Os caminhoneiros também ficam horas aguardando nas filas com fome. Tudo vira um verdadeiro nó e as filas atingem até rotatória do São Manoel.
Ecovias e CET
A Ecovias já se manifestou inúmeras vezes garantindo que os congestionamentos estão fora do trecho de concessão, que monitora o tráfego por câmeras e rotas de inspeção para auxiliar no fluxo e toda vez que é identificada alguma situação na rodovia, a concessionária aciona imediatamente o Policiamento Rodoviário, que fica dentro do Centro de Controle Operacional (CCO), além dos demais integrantes do Programa de Gestão Integrada (PGI) na Baixada Santista, que conta com empresas do entorno do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI).
A Prefeitura de Santos também já se manifestou alertando que estava solucionando o problema. Que através de ação conjunta, entre as secretarias de Assuntos Portuários e Projetos Especiais (Seport/Pe), Desenvolvimento Urbano (Sedurb), e Finanças (Sefin), as empresas da marginal da Alemoa são intimadas para atendimento da legislação municipal, com o intuito de organizar seus acessos para impedir o surgimento dos congestionamentos na via. Mas nada muda.
As empresas apresentaram sugestões prevendo adequações na marginal, que possibilitaria acomodação dos caminhões em faixas dinâmicas que serviriam ao acesso aos gates (portões) dos terminais, mas a solução teria que contar com a anuência da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), Ecovias e Polícia Militar Rodoviária, que respondem pela fiscalização na área onde é constatado o tráfego intenso de veículos pesados.

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