Que tem pena, despena!!
Por Joaquim José da Silva Xavier

Por Joaquim José da Silva Xavier
19.03.2026
Chega a ser cômico, para não dizer trágico, que parte da população brasileira defenda prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro, quando o próprio, enquanto comandou a Nação, mostrava a todos, de forma aberta e sem escrúpulos, seu total desprezo por encarcerados. Queria que pagassem pelo que fizeram sem nenhuma vantagem ou benesse jurídica.
Jair Bolsonaro popularizou discursos linha-dura contra criminosos, frequentemente defendendo que "bandido tem que apodrecer na cadeia" e, em contextos de segurança pública, associando a eliminação de criminosos Ele também afirmou que agressores deveriam "mofar na cadeia" e que "o Dia Internacional dos Direitos Humanos é o dia internacional da vagabundagem".
Quem não se lembra de Bolsonaro, nos ‘cercadinhos’ da vida, dizendo o seguinte: "direitos humanos são o esterco da vagabundagem". Agora, sua família afirma que seus direitos estariam sendo infligidos numa prisão infinitamente mais confortável do que as demais do País.
A família Bolsonaro vive reclamando que a saúde do ex-presidente estaria sob perigo por conta de sua condição carcerária. No entanto, Flávio Bolsonaro – pré-candidato à presidência – chegou a publicar em suas redes sociais o seguinte: “políticos corruptos têm alegado problemas graves de saúde para saírem da cadeia. Você é a favor de cemitérios ao lado das carceragens da Polícia Federal para que o Estado gaste menos com o transporte dos corpos?”
Quem não lembra do ‘papai soluço’ dizendo o seguinte sobre a quantidade de mortos por covid-19 no Brasil: “eu não sou coveiro”. Também: “e daí, lamento. Quer que eu faça o que? Sou Messias, mas não faço milagre”, sobre o recorde de mortes.
Agora, vem alguns jornais defendendo, em editoriais publicados recentemente, a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para o regime de prisão domiciliar, em razão de seu estado de saúde.
A posição foi apresentada após a nova internação de Bolsonaro, que se encontra hospitalizado em Brasília, agora, com diagnóstico de pneumonia bacteriana.
Segundo os jornalões, embora Bolsonaro apresente melhora no quadro inflamatório e recuperação da função renal, ainda não há previsão de alta médica. Para um dos jornalões, “seria um gesto de sensatez e humanidade do Supremo Tribunal Federal (STF)” permitir a transferência para prisão domiciliar, diante da condição clínica considerada sensível.
A pergunta que esse simples escriba gostaria de fazer para quem está com pena do ‘senhor cloroquina que tem histórico de atleta”: quantos encarcerados no Brasil estão na mesma situação do defensor da ditadura e que não contam com a mesma solidariedade do jornalão?
Jair Bolsonaro desrespeitou às decisões judiciais. O ministro Alexandre de Moraes determinou o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento noturno. Poucos dias depois, o ex-presidente descumpriu a proibição de uso de redes sociais.
Tem e deve passar anos (no caso 27) na cadeia como qualquer outro que teve amplo direito de defesa e foi julgado culpado.
Portanto, o ditado popular título dessa coluna, que significa que ter piedade, dó ou pena de alguém (ou de uma situação) pode levar a prejuízos para si mesmo cai bem para milhares de hipócritas e defensores de “bandido bom é bandido amigo”. Não é mesmo? Quem tem pena, despena.
Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes) foi morto enforcado no dia 21 de abril de 1792. É celebrado como mártir da Independência e herói brasileiro até os dias de hoje.

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