Quem transformou a natureza em mercadoria?
Por Vanessa Guarani Ratton

Por Vanessa Guarani Ratton
03.02.2026
Se a sua resposta passou pelo capitalismo, você está correto. O homem é o único animal que se diz inteligente, no entanto, é o único que polui o ar e a água que precisa para viver. Que coloca veneno na sua própria comida, com o nome de agrotóxico, e mata por esporte, e ainda se diz civilizado.
Não obstante, sua sabedoria é tida como superior, mas, ele prefere vender barato a medicina da floresta, plantas e venenos de animais, preferindo chamar de crendices e, paga caro no remédio industrializado que se utiliza dessa mesma sabedoria e princípios ativos.
Queimam árvores, o único ser vivo que limpa o ar, faz sobra, fornece madeira para diversas utilidades, como casas, móveis, barcos, pontes... pode ser usado como combustível, alimenta o fogo para cozinhar alimentos, aquecer do frio, gera frutos e abriga uma diversidade de pequenos animais. Você sabia que pode encontrar diamantes em outros planetas, mas árvores só existem na Terra?
A nossa mãe natureza está doente, sofrendo com os maus tratos que os seres humanos insensíveis a submetem diariamente, sem descanso. As mudanças climáticas não são inevitáveis, poderiam ser adiadas, se a natureza não fosse vista apenas como recurso e explorada sem culpa nem dó. Deixamos de ver a natureza como sagrada, como fonte de vida, e passamos a enxergá-la e a explorá-la como mercadoria.
Não parece ser nada demais, uma vez que já matamos, prendemos, maltratamos e comercializamos nossos irmãos animais, quase levando à extinção dezenas de espécies. Nem aqueles que consideramos domésticos deixam de sofrer nas mãos de alguns, que dirá o que fazemos com os selvagens.
Quem está sofrendo mais, agora? Nossos rios e o próprio oceano. Se as novas tecnologias podem contribuir para um desenvolvimento sustentável, por que não investimos todos nisso?
Há aqueles que querem lucrar agora, sem gastar com investimento, que para eles deve ser feito pelo governo, para que depois, de tudo pronto assumam numa terceirização lucrativa.
Mas, ainda assim, antes disso, pensam em ganhar um pouco mais com as estruturas que já tem. Então, vamos fazer mais barragens? Vamos fazer mais hidrelétricas? Vamos queimar mais árvores para plantar soja e fazer mais pastos para gado? Esperem, isso não é inovador.
Então, os homens que estão longe do nosso país, mas investem e lucram com o nosso meio ambiente decidem: vamos mudar o curso dos rios? Vamos fazer transposição, vamos fazer dos rios caminhos mais baratos para exportar nossos recursos.
A luta agora é pelo Rio Tapajós, no Pará. Temos neste momento 14 povos indígenas do baixo Tapajós que dependem do rio para sobreviver lutando contra a privatização do rio. O Tapajós é água, banho, pesca, encantaria, tradição, meio de vida, memória, encantaria.
Quem quer isso? A Cargil, multimilionária americana, que lucra 154 bilhões todos os anos, mas não deixa nada para os povos que sofrem com a destruição dos seus territórios, mas querem que o governo brasileiro invista mais de 74 milhões no projeto.
Para você ter uma ideia do potencial de destruição da empresa, em 2009, a empresa destruiu a Praia de Vera Paz, em Santarém (PA), para a construção do terminal portuário, um caso amplamente documentado de conflito socioambiental e arqueológico na Amazônia.
O empreendimento não só destruiu uma das principais áreas de lazer da população, como foi construído sobre uma área que inclui um sítio arqueológico de grande importância (Sítio do Porto), considerado um santuário/local sagrado indígena.
São os americanos também que estão por trás da Ferrogrão, projeto que quer passar uma ferrovia pela Floresta Amazônica para ecoar mais soja. A denúncia está sendo feita no perfil do instagram @climaacido.
Você pode ajudar a manifestação para a revogação do decreto 12.600 e do edital da dragagem do rio. Envie um pix para cnpj16901945/0001-14, Conselho Indígena Tupinambá.
Vanessa Guarani Ratton é escritora indígena e artivista. Está em retomada pelo seu povo guarani. Articuladora Nacional do Mulherio das Letras Indígenas.

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