Queremos respeito e justiça. Nos queremos vivas!

Por Vanessa Guarani Ratton

Queremos respeito e justiça. Nos queremos vivas!

Por Vanessa Guarani Ratton

05.03.2026

Março mal começava e os números de abuso sexual, estupro e feminicídio dispararam no Brasil e no mundo. Os escândalos de Epstein, nos EUA, envolvendo políticos, príncipes e celebridades choca o Mundo e até virou documentário. 

O caso do desembargador Magid Nauef Láuar, que absolveu o homem de 35, que se “casou” com uma menina de 12, e a mãe dela e, depois, acabou sendo acusado de delitos sexuais, seguindo afastado do cargo, demonstram que crimes sexuais e feminicídios estão enraizados na estrutura social do planeta. Todos lembram do caso de Samuel Klein, o fundador das Casas Bahia no Brasil?

O número de casamentos infantis, no Brasil: 34 mil, envolvendo crianças de 10 a 14 anos, com consentimento dos pais, segundo dados do Censo de 2022, deveria alarmar a sociedade. Desses, 87% vivem em união consensual sem documento oficial. Fica aqui a dúvida: pedofilia não é crime? O suposto “casamento” é tentativa de descaracterizar o crime.

Se isso já não fosse o bastante, as estatísticas indicam uma média de um crime de estupro a cada seis minutos no país. A maioria das vítimas: mulheres e meninas (até uma freira idosa). Cerca de 70% dos casos com menores de 14 anos e também pessoas com deficiência. E o que é pior? A maior parte ocorre dentro do lar.

Recentemente, o foco está nos adolescentes. Seja por maus tratos a animais, por assassinato aos pais ou por estupro, com um agravante: feito coletivamente. O caso de Copacabana mostrou que a justiça demora a agir. Isso evidência o denominador comum: a impunidade para homens, brancos e com dinheiro.

Era sobre março? Sim. O mês da mulher. Que foi instituído para lembrarmos que, um dia, trabalhadoras russas, em 1917, foram às ruas contra a fome e a guerra.

A greve delas impulsionou a Revolução Russa e deu origem ao Dia Internacional das Mulheres, oficializado pela ONU em 1975. Antes, em 1911, mulheres foram queimadas vivas em uma fábrica americana porque os patrões faziam com que trabalhassem trancadas. Ao começar um incêndio, não tiveram como sair do local.

Muito antes disso, mulheres foram queimadas vivas também por acreditarem que eram bruxas. E, essa culpabilização da mulher, presente em algumas das religiões dominantes, vem mesmo desde Eva, não é?

É preciso rever o papel da mulher na sociedade. É preciso mudar a estrutura machista dominante no patriarcado. E trabalhar muito a consciência de outras mulheres. Afinal, como mães, muitas de nós têm gerado homens que nos matam. A solução não é fácil e passa também pela educação de casa e da escola.

Um conflito pode ser a oportunidade de aprendermos e transformarmos juntos uma realidade que não pode mais ser suportada. Não basta punir o réu. É preciso conscientizar e enfrentar a violência contra a mulher com ações restaurativas para evitarmos novos casos. Essa é uma das metas deste novo século: desconstruir o machismo.

Fica o convite: Dia 08 de março, domingo, às 9 horasa, na Praça das Bandeiras, Praia do Gonzaga, em Santos (SP). Venha fazer parte do ato: #8M2026. Nos queremos vivas! Pelo fim do machismo, do racismo e do imperialismo. Vem!

Vanessa Guarani Ratton é jornalista e escritora

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