Reportagem dos Inconfidentes motiva denúncia ao Ministério Público sobre suspensão do VLT em Santos

Deputado estadual Luiz Fernando (PT) questiona interrupção de serviço de transporte por 40 horas para viabilizar prova esportiva privada

Reportagem dos Inconfidentes motiva denúncia ao Ministério Público sobre suspensão do VLT em Santos

Sandro Thadeu

19.05.2026

Imagens: Divulgação, Bruna Sampaio/Alesp e Carol Jacob/Alesp

A paralisação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no trecho Conselheiro Nébias-Valongo, em Santos, para viabilizar a realização de uma corrida privada ganhou um novo capítulo político e jurídico. O deputado estadual Luiz Fernando (PT) protocolou uma representação junto ao procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, pedindo apuração do caso e adoção de providências pelos órgãos competentes.

O documento, encaminhado na última segunda-feira (18), foi elaborado com base na reportagem publicada pelos Inconfidentes sobre a interrupção do modal por cerca de 40 horas para a realização da prova 10 KM Tribuna-Terracom. Na denúncia, o parlamentar destaca que o novo trecho do VLT havia iniciado a operação em horário integral poucos dias antes da suspensão do serviço.

Segundo o deputado, a decisão de interromper completamente um sistema de transporte público metropolitano para atender à logística de um evento privado gera “estranheza”, especialmente porque milhares de trabalhadores e usuários dependem do modal durante os finais de semana.

“O serviço público essencial ficou desguarnecido para fins de realização de atividade privada, de forma que trabalhadores e usuários do transporte coletivo arcaram com os impactos operacionais de um evento esportivo privado patrocinado por grandes empresa”, aponta o documento encaminhado ao chefe do Ministério Público de São Paulo.

O trecho Conselheiro Nébias-Valongo ficou sem operação entre o meio-dia de sábado (16) e a madrugada de segunda-feira (18). Durante esse período, as 12 estações espalhadas ao longo dos oito quilômetros do percurso deixaram de transportar passageiros justamente no primeiro final de semana após o início da operação comercial da linha.

O procurador de Justiça Paulo Sérgio Costa comanda o Ministério Público de São Paulo

Lógica invertida

Na representação, Luiz Fernando também questiona a ausência de estudos alternativos para compatibilizar a realização da prova esportiva com a manutenção do funcionamento do modal. “Por quais razões não foi estudado um percurso alternativo que não prejudicasse os usuários de serviço essencial?”, indaga o parlamentar no documento.

Além disso, o deputado levanta outro questionamento: “Faz-se viável a interrupção de um serviço essencial para atender à logística de um evento?”.

O pedido encaminhado ao Ministério Público solicita que sejam cobrados esclarecimentos da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), da Secretaria de Estado de Parcerias em Investimentos e da concessionária BR Mobilidade, responsável pela operação do sistema na Baixada Santista.

A interrupção do VLT ocorreu para viabilizar a tradicional corrida 10 KM Tribuna-Terracom, promovida pelo Grupo Tribuna. O evento reuniu cerca de 25 mil participantes e mobilizou uma ampla operação da Prefeitura de Santos, incluindo interdições viárias e alterações no transporte público.

Convite para explicações na Alesp

Além da representação encaminhada ao procurador-geral de Justiça, Luiz Fernando também protocolou nas comissões de Transportes e Comunicações e de Assuntos Metropolitanos e Municipais da Assembleia Legislativa (Alesp) um convite para que o diretor-presidente da Artesp, André Isper Rodrigues Barnabé, preste esclarecimentos sobre a interrupção do VLT.

André Isper Rodrigues Barnabé, diretor-presidente da Artesp

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