Saia justa: homenagem ao secretário de Governo trava na Câmara de Santos
Proposta para conceder a Medalha de Honra ao Mérito Braz Cubas a Fábio Ferraz não alcança o quórum mínimo e voltará à pauta após o recesso parlamentar

Sandro Thadeu
02.07.2026
Imagem: Reprodução/Facebook
Uma cena incomum movimentou os bastidores da Câmara de Santos na última terça-feira (30). A proposta com a intenção de conceder a Medalha de Honra ao Mérito Braz Cubas ao advogado e secretário municipal de Governo, Fábio Ferraz, não obteve o quórum mínimo necessário para sua aprovação.
De autoria do vereador Adriano Catapreta (PSD), a propositura recebeu o aval de 13 parlamentares, número insuficiente para atingir os 14 votos exigidos pelo Regimento Interno. O placar final ainda registrou duas abstenções e dois votos contrários.
Figura muito próxima do ex-prefeito e atual deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSD), Ferraz construiu sua trajetória na Administração Municipal ocupando cargos estratégicos. Foi secretário de Planejamento e Inovação (2021-2022), de Saúde (2017-2020) e de Gestão (2013-2016), além de diretor de Habitação da Companhia de Habitação da Baixada Santista (Cohab-ST), durante a gestão do ex-chefe do Executivo João Paulo Papa (PSD).
O presidente do Legislativo, Adilson Junior (PP), admitiu que a situação era inusitada. Após o resultado da votação, disse que iria recorrer ao VAR (árbitro de vídeo), logo após ser notificado de que o vereador Zequinha Teixeira (PP) retornava ao plenário após atender uma ligação telefônica.
Na tentativa de reverter o resultado, o vice-líder do Governo, Lincoln Reis (Pode), questionou a viabilidade de uma nova votação. Em resposta, Adilson comparou a solicitação a uma irregularidade esportiva: "Isso é pior do que consultar o VAR. É como bater o pênalti de novo se o chute for para fora", justificou.
Diante do impasse, ficou decidido que a matéria retornará à pauta na sessão do dia 4 de agosto, a primeira após o recesso parlamentar de julho. Conforme estabelece o Regimento Interno, a reapresentação do projeto no mesmo ano é permitida desde que conte com a subscrição de, no mínimo, 11 vereadores. Essa exigência de apoio proporcional deixa de existir apenas no ano seguinte.
Elogios e ressalvas
A discussão da matéria dividiu opiniões no plenário. Ao defender a concessão da maior honraria do Legislativo santista a Ferraz, Catapreta afirmou que o admira como gestor e destacou a atuação do secretário durante a pandemia de covid-19, especialmente por viabilizar a abertura do Hospital Vitória, ampliando o número de leitos para atender pacientes com a doença.
Líder do Governo na Câmara, Cacá Teixeira (PSDB) classificou Ferraz como um "servidor diferenciado" e relembrou que, durante sua gestão à frente da Secretaria de Gestão, ele foi o responsável pela implantação do Programa de Participação Direta nos Resultados (PDR), garantindo aos servidores o recebimento de bonificações pelo cumprimento de metas.
Antônio Carlos Banha Joaquim (PSD) também ressaltou a competência do representante do Executivo, definindo-o como um gestor "sério, correto, idôneo e probo". Já Fabrício Cardoso (Pode) destacou o perfil técnico e a capacidade de Ferraz de encontrar soluções para as demandas da Administração Municipal. "Vejo o Fábio como um homem extremamente comprometido em tentar resolver as coisas", afirmou.
Em sentido contrário, Marcos Caseiro (PT) sustentou que o secretário apenas cumpriu as atribuições inerentes ao cargo público e, por esse motivo, não deveria receber uma honraria dessa natureza. O parlamentar também criticou indicadores da área da saúde durante o período em que Ferraz esteve à frente da pasta.
Já Alisson Sales (PL) justificou a abstenção afirmando ter ficado frustrado com o tratamento recebido do secretário ao apresentar uma demanda de um munícipe. Segundo o vereador, ele se sentiu "completamente inútil" diante da falta de encaminhamento que esperava.
Festa adiada
Nos corredores do Legislativo, a análise do episódio ganha contornos de bastidor político. Há o entendimento de que teriam faltado experiência e uma articulação mais eficaz por parte de Catapreta, que é vereador suplente, para assegurar os votos necessários junto aos pares para aprovar a proposta, pautada em caráter de urgência.
O revés parlamentar gerou consequências imediatas. Conforme apurado pelos Inconfidentes, o Cerimonial da Câmara já havia reservado uma data no início de agosto para a realização da sessão solene de entrega da honraria, com informações de que o buffet destinado aos convidados estaria, inclusive, em processo de contratação. Com a rejeição momentânea da proposta, a tendência é que o evento precise ser remarcado ou, no pior cenário, cancelado.
O episódio não passou despercebido por opositores e até por aliados do Governo na Casa de Leis, que, em caráter reservado, se queixam da postura arrogante de Ferraz. Além disso, a trajetória administrativa dele não é isenta de desgastes, uma vez que sua forma de trabalhar não desperta grande empatia entre os servidores municipais.

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