Santos deve ignorar leis de silêncio ao construir hospital pediátrico ao lado de sambódromo
Um futuro novo conjunto habitacional também está previsto nas imediações

Carlos Ratton
27.07.2026
Fotos: PMS/ Victória Muniz e Gabriel Dias (Câmara de Santos)
As regras de controle de ruído ao redor de hospitais são definidas por leis municipais, códigos de obras e pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) Norma Brasileira (NBR) 10.151, que exigem níveis de decibéis mais restritivos. Em muitas cidades, é proibido usar aparelhos sonoros (carros de som, buzinas) a uma distância de até 200 a 600 metros das unidades de saúde.
No entanto, a Secretaria de Saúde de Santos confirmou que o Hospital Pediátrico Municipal, que faz parte do novo Complexo Areia Branca, na Zona Noroeste, com previsão de conclusão para meados de 2027, estará a 100 metros do terreno do Sambódromo santista.
Vale lembrar que zonas de silêncio são áreas especiais (faixas de 200 a 300 metros em torno de hospitais) onde o limite de ruído é severamente reduzido, independentemente do horário, para garantir o descanso dos pacientes.
Áreas próximas a hospitais costumam ter um limite máximo restrito, frequentemente caindo para 40 a 50 dB(A) no período noturno, o equivalente a um sussurro ou uma biblioteca silenciosa. “O equipamento contará com isolamento acústico adequado às suas necessidades”, justifica Administração.

Moradias
O endereço do hospital é Rua Engenheiro Manoel Ferramenta, com a Rua César Augusto de Castro Rios. Em recentes pronunciamentos na Câmara de Santos (SP) e nas redes sociais, a vereadora Débora Camilo (PSOL) informa que a área onde hoje existe a Passarela do Samba "Dráuzio da Cruz", também conhecido como Sambódromo de Santos ou "Estradão", também será destinada a construção de moradias populares. Já existem unidades consolidadas próximas.
Sambódromo é palco dos maiores eventos culturais da região da Baixada Santista. O conjunto arquitetônico é instalado ao redor da Avenida Afonso Schmidt, no bairro do Jardim Castelo, na zona Noroeste da cidade, possui capacidade para 10 mil espectadores e abriga o Centro Cultural da Zona Noroeste. O equipamento foi criado em 23 de fevereiro de 2006 sob a administração do então prefeito João Paulo Tavares Papa.
O local dos desfiles foi construído em uma via que cortava o terreno do "Estradão", com 560 metros de extensão e 20 de largura, sendo 16 para a faixa de rolamento e 4 para às calçadas Já a pista de desfile ficou com 450 metros de extensão. Foi gasto R$ 1,9 milhão e no projeto original não havia a edificação do Centro Cultural da Zona Noroeste, incorporado ao Sambódromo somente em 2013.
“Nos últimos anos as Escolas de Samba da cidade de Santos, a despeito da falta apoio da Prefeitura, têm realizado verdadeiros espetáculos que reforçam a importância do carnaval como uma das maiores manifestações culturais do mundo. Ocorre que, com os anúncios das obras, restam dúvidas sobre onde serão realizados os desfiles futuramente”, aponta Débora Camilo.
A parlamentar lembra que o carnaval e tantos outros movimentos culturais, vêm sofrendo ataques e uma profunda desestruturação ao longo dos anos em Santos. “A indefinição de um local permanente para os desfiles, gera incertezas e inseguranças para aqueles e aquelas que promovem, organizam e desfrutam de uma festividade que gera emprego, renda e mobiliza boa parte da população da Baixada Santista”, completa.

Na Câmara, Débora apresentou um requerimento pedindo uma série de informações à Prefeitura. Entre elas quando se iniciam as obras no local, onde serão realizados os desfiles das escolas de samba, se houve diálogo com a Liga Independente das Escolas de Samba de Santos e se as escolas estão sendo consultadas sobre as possíveis mudanças.
Prefeitura
A Prefeitura de Santos foge da polêmica. Apenas explica que a Zona Noroeste é o palco oficial dos desfiles das escolas de samba de Santos desde 2006 e, ao longo dessas duas décadas, consolidou-se como um importante espaço para a realização do Carnaval santista.
Além de preservar a tradição da maior manifestação popular do País, o evento movimenta a economia local, fortalece o comércio da região, gera oportunidades de trabalho temporário e valoriza a Zona Noroeste como um dos principais polos culturais da Cidade.
Nesse sentido, a Administração Municipal mantém o planejamento para que os desfiles continuem sendo realizados no local, não havendo nenhuma intenção de transferência do evento para outra área de Santos.
Em relação à estrutura do local, cerca de 90% das instalações da Passarela do Samba Dráuzio da Cruz são provisórias, sendo montadas especificamente para cada edição do Carnaval.
Segundo a Administração, esse modelo é adotado há 20 anos e permite a adequação da estrutura às necessidades do evento. Para o Carnaval de 2027, as instalações temporárias serão implantadas normalmente para garantir a realização dos desfiles, já confirmados para os dias 29 e 30 de janeiro de 2027.

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