Santos (SP): campanha em ônibus gera polêmica e Prefeitura reconhece erro
Carlos Ratton

Carlos Ratton
03.02.2026
Foto: Reprodução/Tony Valentte
A Prefeitura de Santos identificou rapidamente a desconformidade nos materiais de uma campanha publicitária de combate à exploração infantil detectada pelo Fórum Social da Baixada Santista e está retirando a iniciativa de circulação.
O Fórum detectou e exigiu reparação ao que acreditava ser ‘racismo institucional’ relacionado ao conteúdo de cartazes afixados nos ônibus da linha sete em Santos, que deveria estar circulando em coletivos de outras linhas municipais.
O material em questão contava com o selo oficial da Prefeitura e de diversas entidades. Utilizava a ilustração de um homem negro para representar a figura do explorador supervisionando o trabalho de uma criança.

Ao reconhecer a falha institucional, a Prefeitura disse lamentar que o material, produzido pela Coordenadoria de Políticas para a Infância e Juventude, tenha sido divulgado sem o devido alinhamento interno e conhecimento dos superiores.
“Dessa forma, a mensagem não representou o cuidado e a responsabilidade que sempre orientaram o trabalho do poder público na proteção de crianças e adolescentes em Santos”, informou a Administração em nota aos Inconfidentes.
Ainda segundo a Prefeitura, as correções já estão sendo realizadas para que a comunicação esteja de acordo com a importância do tema e com o compromisso do Município com a população.
Nota dura
Em uma publicação pública nas redes sociais, o Fórum manifestou repúdio à campanha, alertando que é fundamental compreender que o combate ao trabalho infantil é uma pauta urgente, mas ele jamais deve ser feito à custa do reforço de estereótipos racistas que associam a imagem do homem negro à criminalidade e à exploração.
“Ao veicular uma peça com esse viés, a Prefeitura de Santos falha gravemente em seu papel educativo e promove o racismo institucional, ferindo a dignidade da população e retrocedendo na luta por igualdade racial”, alertaram os representantes do Fórum
O Fórum lembrou que a gravidade da situação é ainda maior quando a mesma Prefeitura de Santos, que chancelou o material, é a que concede o título de ‘Empresa Parceira da Igualdade Racial’ para organizações privadas e que também aderiu ao Pacto Coletivo por Cidades Antirracistas, em 2023.
“Torna-se uma contradição inaceitável que o governo municipal exija responsabilidade social das empresas e crie selos de boa conduta, mas não seja capaz de seguir o próprio exemplo em suas comunicações oficiais. É um contrassenso ver o poder público premiar práticas antirracistas enquanto financia e expõe nos ônibus uma mensagem que reafirma preconceitos históricos no imaginário coletivo”.
A manifestação do Fórum se manteve dura. “É vergonhoso ver os recursos públicos da Cidade sendo utilizados para perpetuar visões tão arcaicas e nocivas. Diante desse erro injustificável, exigimos a retirada imediata de todos os cartazes com essa ilustração de circulação em toda a frota municipal. No entanto, a simples remoção do material não é suficiente para sanar o dano causado à coletividade”, acredita os manifestantes.
O Fórum quer que a Prefeitura implemente uma medida de reparação concreta, que inclua o lançamento de uma nova campanha, em parceria com a Coordenadoria de Políticas para a Infância e Juventude (COJUV) e a Secretaria da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos (SeMulher).
“Cujos objetivos deveriam estar focados no combate ao racismo institucional e na valorização da imagem da pessoa negra na sociedade. Santos exige coerência, respeito e uma comunicação pública que pratique, de fato, a igualdade que finge promover nos selos que distribui”, finaliza o manifesto.

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